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IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR 2269 A GAVETA DO DIABO: AS CHARGES DE CURITIBA NO FINAL DO SÉCULO XIX Marilda Lopes Pinheiro Queluz 1 Resumo O objetivo desta pesquisa é refletir sobre o humor gráfico da revista paranaense Galeria Ilustrada (1888-1889), feito por Narciso Figueras, especialmente a seção intitulada Gaveta do Diabo. Para este texto foram analisados apenas os quatro primeiros números da revista, considerando a materialidade da imagem, dos signos plásticos, icônicos e linguísticos, imbricados nos conteúdos, temas e contextos. Em meio às páginas artisticamente diagramadas, as ilustrações, autografias/litografias e zincografias, destacavam-se as charges de Figueras, questionando o papel e a linguagem do desenho. Seguindo a tradição da caricatura brasileira oitocentista, que começava a experimentar as novas possibilidades gráficas e alinhava-se à ideia de crônica visual do cotidiano, Figueras tem como estratégia de narrativa, o uso de imagens sequenciais, construindo a dinâmica da cidade pela dinâmica dos quadrinhos. A revista propunha um jornalismo “moderno” e associava o personagem do diabo à figura do jornalista que podia ver tudo que acontecia nas ruas e o que se passava em Curitiba. A seção Gaveta do Diabo, além de dialogar com o contexto de transformação das técnicas litográficas e das narrativas visuais da época, constituía um outro olhar sobre a administração pública, a política, os costumes e práticas sociais, entre a crítica e a ironia. Palavras-chave: humor gráfico, Narciso Figueras, Galeria Ilustrada Abstract The objective of this research is to examine the humor graphic of Illustrated Gallery magazine (revista Galeria Ilustrada) (1888-1889) from Parana, Brazil, done by Narciso Figueras, particularly in regard to a section entitled Devil's Drawer (Gaveta do Diabo). For this text only volumes one to four of the magazine were analyzed and for the analysis we took into account the materiality of the image, of the plastic, iconic and linguistic signs, interwoven in the contents, themes and contexts. Amongst artistically laid out pages, illustrations, autographies/lithographies and zincographies, Figuera's political cartoons stood out, questioning the role and the language of the drawing. Following the Brazilian tradition of caricature of the eighteenth century, which had started to experiment the new graphic possibilities and which had lined-up with the idea of daily visual chronicle, Figueras makes use of sequential images, as a strategy of narrative, and builds the dynamics of the city through the dynamics of the cartoons. The magazine proposed a “modern” journalism and associated the character of the devil with the figure of the journalist who could see everything that happened in the streets and that took place in Curitiba. The section Devil's Drawer, in addition to dialoguing with the context of transformation of the lithographic techniques and of the visual narratives of the time, constituted another view on the public administration, the politics, the customs and social practices, between the criticism and the irony. Keywords: graphic humor, Narciso Figueras, Galeria Illustrada 1 Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia (PPGTE) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), [email protected]

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IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem

07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR

2269

A GAVETA DO DIABO: AS CHARGES DE CURITIBA NO FINAL DO

SÉCULO XIX

Marilda Lopes Pinheiro Queluz1

Resumo O objetivo desta pesquisa é refletir sobre o humor gráfico da revista paranaense Galeria Ilustrada (1888-1889), feito por Narciso Figueras, especialmente a seção intitulada Gaveta do Diabo. Para este texto foram analisados apenas os quatro primeiros números da revista, considerando a materialidade da imagem, dos signos plásticos, icônicos e linguísticos, imbricados nos conteúdos, temas e contextos. Em meio às páginas artisticamente diagramadas, as ilustrações, autografias/litografias e zincografias, destacavam-se as charges de Figueras, questionando o papel e a linguagem do desenho. Seguindo a tradição da caricatura brasileira oitocentista, que começava a experimentar as novas possibilidades gráficas e alinhava-se à ideia de crônica visual do cotidiano, Figueras tem como estratégia de narrativa, o uso de imagens sequenciais, construindo a dinâmica da cidade pela dinâmica dos quadrinhos. A revista propunha um jornalismo “moderno” e associava o personagem do diabo à figura do jornalista que podia ver tudo que acontecia nas ruas e o que se passava em Curitiba. A seção Gaveta do Diabo, além de dialogar com o contexto de transformação das técnicas litográficas e das narrativas visuais da época, constituía um outro olhar sobre a administração pública, a política, os costumes e práticas sociais, entre a crítica e a ironia. Palavras-chave: humor gráfico, Narciso Figueras, Galeria Ilustrada

Abstract The objective of this research is to examine the humor graphic of Illustrated Gallery magazine (revista Galeria Ilustrada) (1888-1889) from Parana, Brazil, done by Narciso Figueras, particularly in regard to a section entitled Devil's Drawer (Gaveta do Diabo). For this text only volumes one to four of the magazine were analyzed and for the analysis we took into account the materiality of the image, of the plastic, iconic and linguistic signs, interwoven in the contents, themes and contexts. Amongst artistically laid out pages, illustrations, autographies/lithographies and zincographies, Figuera's political cartoons stood out, questioning the role and the language of the drawing. Following the Brazilian tradition of caricature of the eighteenth century, which had started to experiment the new graphic possibilities and which had lined-up with the idea of daily visual chronicle, Figueras makes use of sequential images, as a strategy of narrative, and builds the dynamics of the city through the dynamics of the cartoons. The magazine proposed a “modern” journalism and associated the character of the devil with the figure of the journalist who could see everything that happened in the streets and that took place in Curitiba. The section Devil's Drawer, in addition to dialoguing with the context of transformation of the lithographic techniques and of the visual narratives of the time, constituted another view on the public administration, the politics, the customs and social practices, between the criticism and the irony. Keywords: graphic humor, Narciso Figueras, Galeria Illustrada

1 Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia (PPGTE) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), [email protected]

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O propósito deste trabalho é estudar o humor gráfico de Narciso Figueras (1854-?), publicado

na revista paranaense Galeria Ilustrada (1888-1889), especialmente a seção intitulada Gaveta

do Diabo. Para este texto, foram analisados apenas os quatro primeiros números da revista,

considerando a materialidade da imagem, dos signos plásticos, icônicos e linguísticos,

imbricados nos conteúdos, temas e contextos.

Na imprensa do Segundo Império começa a ganhar espaço o periodismo ilustrado, com

especial destaque para as revistas de humor, recheadas de charges, caricaturas, ilustrações,

vinhetas, sonetos, contos e chistes que rearticulavam os acontecimentos pelo viés da

irreverência e da crítica. As revistas tentavam captar as transformações sociais e usavam as

imagens e os recursos gráficos como estratégias de narrativas visuais.

A caricatura brasileira do final do século XIX aliava o desenho acadêmico e os traços irônicos

às técnicas da litografia, criando justaposições que questionavam as normas de representação,

satirizando o conceito de arte como imitação da natureza, ampliando as fronteiras do real na

pintura.

O humor gráfico mostra a sociedade “não mais sob o prisma monocórdio de um discurso

oficial, na medida em que se insere esta dimensão polifônica: a irreverência do cômico, a

“carnavalização” do real aflora das imagens, fazendo chegar até o presente uma visão

alternativa e dissonante.” (PESAVENTO, 1993, p. 18-19)

Considerando-se o contexto histórico do período,

Apesar de muitas conjunturas conturbadas politicamente e de acontecimentos de largo impacto social, como a proibição definitiva do tráfico negreiro, em 1850, que era o sustentáculo da sociedade escravista no Brasil, e dos anos da Guerra do Paraguai (1865-1870), o imperador D. Pedro II representou a estabilidade institucional monárquica. Sua personalidade de homem de saber o aproximou das letras, das artes e da ciência, tornando-se um promotor importante da criação cultural no Brasil. (KNAUSS et al, 2011, p.8)

Principalmente a partir de 1850, há um investimento por parte do Segundo Império em

mostrar um Brasil progressista, marcado pela paisagem técnica em meio à exuberância da

natureza, a imagem do sublime em suas duas faces – natureza e técnica. Essas mudanças eram

viabilizadas pela exportação do café, pela introdução do trabalho livre, pela vinda dos

imigrantes.

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Ferrovias, máquinas de beneficiamento, telégrafos, mudanças urbanas - nos grandes centros a

sociedade torna-se cada vez mais heterogênea – organização e participação em exposições:

prepara-se, dessa forma, o rumo à civilização, ainda que na dependência da Inglaterra.

A Inglaterra fornece todo o capital necessário para melhoramentos internos no Brasil e fabrica todos os utensílios de uso ordinário, de enxada para cima, e quase todos os artigos de luxo, ou de necessidade, desde o alfinete até o vestido mais caro (…) A Grã-Bretanha fornece ao Brasil os seus navios a vapor e à vela, calça-lhe e drena-lhe as ruas, ilumina-lhe a gás as cidades, constrói-lhe as ferrovias, explora-lhe as minas, é o seu banqueiro e levanta-lhe as linhas telefônicas, transporta-lhe as malas postais, constrói-lhe as docas, motores, vagões, numa palavra – veste e faz tudo menos alimentar o povo brasileiro.(WEBB apud CASALECCHI, 1986, p.26-27)

Caricaturas e charges dialogavam com as notícias diárias que circulavam pelas cidades e pelos

dos jornais, assumindo o papel de verdadeiras crônicas visuais, apropriando-se das novas

possibilidades técnicas de produção e impressão da imagem.

No Segundo Reinado, porém, a introdução da técnica litográfica como processo de reprodução permitiu a atualização técnica, aumentando a escala de reprodução da página impressa, mas, sobretudo, facilitando a integração entre texto e imagem na composição gráfica, o que constituía um dos maiores desafios para a empresa gráfica da época. Além disso, a imprensa ilustrada também começou a publicar imagens baseadas em fotografias, lançando as bases documentais da informação, próprias do fotojornalismo. (KNAUSS, 2011, p.12)

As construções públicas e simbólicas – fotos, exposições – trazem a euforia com o progresso,

enfatizando os aspectos tecnológicos dos empreendimentos públicos de cunho modernizador

como estradas de ferro, mapeamento do território e das riquezas do subsolo, edificações

urbanas, etc.(TURAZZI, 1995, p.142)

Eram muitas e bastante severas as críticas ao regime e à sociedade escravocrata, fomentadas

por campanhas pela abolição e por uma república que seria democrática e federativa, ainda

mais fortalecidas pelas questões religiosas, militares e pelos ecos da guerra do Paraguai.

Na década de 1870, o Rio de Janeiro possuía vários periódicos satíricos como, por exemplo,

Semana Ilustrada, O Mosquito, O Mequetrefe, O Fígaro, Revista Ilustrada. Destacavam-se na

imprensa de humor os traços algozes do português Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e dos

italianos Ângelo Agostini (1843-1910) e Luigi Borgomainerio (1835-1876), os três grandes

expoentes da caricatura da época.

É nesse contexto que se insere a revista Galeria Ilustrada e os desenhos de Narciso Figueras.

Segundo a própria revista, Narciso Figueiras era um experiente litógrafo em Barcelona e,

desde 1883, atuava no Rio de Janeiro. Narciso Figueras teria vindo ao Brasil aproveitando o

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surto editorial e literário de 1880. Ilustrou, no Rio de Janeiro, revistas como “Entr'Acto” e

“Bohemio”. No Paraná foi considerado como o principal responsável pelo início das práticas

litográficas.

Ao chegar em Curitiba, Figueras abre, em 1887, a Lithographia do Commercio, que se funde,

em 1888, com a tipografia fundada por Cândido Lopes, dando origem à Impressora

Paranaense, famosa pela qualidade gráfica de seus produtos. Contando com a colaboração de

Nestor de Castro, Figueras decide criar um periódico ilustrado, utilizando-se do que havia de

mais avançado em termos de técnicas de ilustração, de reprodução de imagens e de impressão.

Estas novas iniciativas no setor editorial coincidiam com o entusiasmo paranaense com a

construção da estrada de ferro, com o desenvolvimento da indústria do mate, as estradas

macamizadas, a construção da Santa Casa, as reformas que dariam origem ao Passeio Público

Em 1887 surgiu a Revista do Paraná, a pioneira no uso da litografia, de Nivaldo Braga, que

sobreviveu até o sétimo número. Em 1888, é fundada a Galeria Ilustrada, pela Litografia do

Comércio, com a participação de Nestor de Castro, Rocha Pombo, Chichorro Júnior, Silveira

Neto, Raul Pompéia, Valentim Magalhães, Alberto de Oliveira, Virgílio Várzea.

No seu primeiro número A Galeria Ilustrada se apresenta aos leitores:

A “Galeria Illustrada”apresenta ao público benévolo o seu primeiro número, cônscia de que, encontrando a proteção deste, poderá marchar desassombradamente na arena do jornalismo moderno, e desempenhar fielmente o grande papel que os seus contemporâneos representam na liça das grandes e momentosas questões que ora revolucionam o animo nacional: - falamos das grandes transições porque estão passando a literatura e os nossos costumes populares. (A Galeria Illustrada, n.1, Nov. 1888, p.2)

A revista número 1, de 20 de novembro de 1888, traz na capa uma litografia de uma escultura

de mármore, na qual vemos uma mulher abraçando uma menina e mostrando-lhe algo em um

livro. O título da peça é “A Educação” e remete a um conjunto escultórico de mármore que

teria feito parte de uma exposição em Paris, em 1873. A escolha desta imagem para a edição

de lançamento da revista demonstra a prioridade da educação entre os diversos assuntos

abordados, além de afirmar a prática da cópia de gravuras como um estratégia comum de

divulgação das visualidades que circulavam no período.

Na seção “Opinião”, o periódico define-se como um: “jornalismo moderno”, um “jornal de

tipo europeu dando aos seus leitores páginas ilustradas com paisagens, retratos de homens

célebres, tanto desta província como de países estrangeiros; crítica dos acontecimentos locais,

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apresentando igualmente um texto variadíssimo em literatura, notícias, etc.”(GALERIA

ILLUSTRADA, 20/11/1888, p.2)

Buscando um posicionamento editoral, alega-se que a revista

Não se filia positivamente a tal ou qual escola política, mas advogando a causa do bem geral, ela resguarda-se o direito de analisar a forma e o proceder dos governos, usando da linguagem mais culta e respeitosa possível. Estudará pelo lado crítico os costumes sociais, combatendo os vícios que podem ser fatais consequências para o futuro.(GALERIA ILLUSTRADA, 20/11/1888, p.2)

Reiterando a qualidade, o diferencial e o caráter moderno do novo periódico, são citadas duas

frases do escritor português Ramalho Ortigão que apontam para os objetivos do jornalismo.

Ortigão ressalta que “Na arena do jornalismo moderno, toda pena é uma arma de combate”,

definindo a função crítica e política; por outro lado, ao dizer que “É a natureza que dá a

comoção, é o estilo que faz a obra, é o homem que faz o estilo, é a ciência que faz o homem”,

destaca-se também o papel da arte, dos intelectuais e da ciência no espaço das revistas e dos

jornais.(GALERIA ILLUSTRADA, 20/11/1888, p.8)

Graficamente a revista é muito bem cuidada, desde o simbolismo do cabeçalho, até as

vinhetas, subtítulos e ornamentos que separam cada seção. A composição das páginas é,

geralmente, em três colunas, buscando a leveza e a regularidade da leitura. Nos textos, são

constantes as comparações com os modelos europeus de cidades, de ensino e de apoio às

artes. Há espaço para a literatura paranaense, a literatura contemporânea, a crítica das artes,

comentários dos acontecimentos políticos e sociais. Folheando-se as revistas, percebe-se, pela

seleção das imagens e dos conteúdos, um certo fascínio pelo desenvolvimento da ciência e da

tecnologia como determinantes para o progresso. Na segunda edição, por exemplo, na seção

opinião, elogiam-se os melhoramentos e o progresso advindo do prolongamento da estrada de

ferro, com o ramal de Antonina. Defende-se a necessidade de novas indústrias para o Paraná,

além do mate. Critica-se a má utilização dos campos, cada vez mais voltados para o gado, em

detrimento do desenvolvimento da lavoura e da diversificação dos produtos. Já em Factos

diversos, comentam-se as vantagens e qualidades trazidas pela nova técnica, capaz de

“reproduzir um discurso pelo fonógrafo, segundo noticiam as folhas

estrangeiras...”(GALERIA ILUSTRADA, n.2, 30/11/1888)

No número 3 da revista, na seção Opinião, destaca-se“A instrução Pública” como o

fundamento para a prosperidade social. “Os grandes instrumentos, as máquinas a vapor e os

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métodos, quem poderia descobrir sem o poderoso auxílio da instrução?”(GALERIA

ILUSTRADA, n.3, 30/11/1888, p.18)

Entretanto, a seção que aqui nos interessa é a “Gaveta do Diabo”, que já na primeira

publicação, apresenta seu redator com uma pergunta aos seus leitores: “sabem como se chama

este diabo cortez?...Pois chama-se modernamente - “crítica””.(GALERIA ILLUSTRADA,

20/11/1888, p.7)

O título Gaveta do Diabo parece alinhar-se a uma tendência muito recorrente na imprensa

periódica e ilustrada oitocentista de associar a figura do diabo à atuação do jornalista crítico,

bisbilhoteiro, que descobre os segredos da sociedade, denuncia as tramas políticas, revela as

injustiças e os dramas cotidianos. Ao apresentar a edição fac-simile de o Diabo Coxo, de

Ângelo Agostini, Cagnin lembra que as representações do diabo como “elemento

infernizante” foram se rearticulando ao longo do tempo, do sorriso sarcástico e assustador das

esculturas e gárgulas das catedrais góticas, aos personagens da literatura de Dante Alighieri e

Goethe, da pintura de Dürer, Michelangelo ou Bosch (CAGNIN, DIABO COXO, edição fac-

similar, 2005, p.14). Mas é especialmente com “El Diablo Cojuelo”, do escritor Luiz Velez de

Guevara, publicado em 1641, que a conotação de sátira e crítica social ganha grande

repercussão. Em 1707, Alain René Lesage retoma o personagem e o tom sarcástico no

romance de mesmo assunto, Le Diable Boiteux

Era a história de Asmodeu, o coxo, pobre diabo preso numa garrafa. Libertado por um estudante, concedeu ao jovem o poder de ver, através dos tetos e das paredes das casas, o que se passava com as pessoas no seu interior. Fórmula cômoda de o escritor retratar e satirizar, com espirituosidade, os costumes da sociedade. Daí em diante o diabo foi tomado como agente moralizador, crítico da sociedade e dos seus erros, realizando, sobretudo através da caricatura desenhada, o consagrado no provérbio latino ridendo castigat mores.” (CAGNIN, DIABO COXO, edição fac-similar,2005, p.14)

A imprensa de humor do século XIX é farta em títulos que se utilizam da palavra diabo, como

pode-se observar entre alguns dos citados por Cagnin: El Diablo Suelto (Madri), Le Diable a

Paris (Paris), Diable Rose (Paris), Fra Diavolo (Milão), Gaveta do Diabo (Rio de Janeiro), Il

Diavolo Zoppo (Milão), Trinta Mil Diabos (Lisboa), El Diablo Azul (Madri), El Diablo Rojo

(Madri), O Diabo Coxo (Lisboa), A Rebeca do Diabo (Lisboa), Diabrete (Lisboa), O Diabo a

Quatro (Recife), Diabrete (Porto Alegre), Diabo da Meia Noite (Rio de Janeiro), Mefístofeles

(Rio de Janeiro) (CAGNIN, DIABO COXO, edição fac-similar,2005, p.14-15)

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O Diabo Coxo, redigido por Luís Gama e ilustrado por Ângelo Agostini, circulou em São

Paulo, de 1864 a 1865.

Figura 1 – Narciso Figueras. Gaveta do Diabo. Galeria Illustrada n.1, 20/11/1888, p.7

Acervo: Biblioteca Pública do Paraná O primeiro número de Galeria Ilustrada traz a seção Gaveta do Diabo em página inteira

(figura 1), dividida em nove quadrinhos, apresentando o personagem do diabo como um

importante colaborador da revista.

Vemos na primeira cena, uma composição em diagonal, com destaque para a gaveta sendo

aberta pelo diabo, que está sentado em uma cadeira com braços, denotando ser um móvel

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caro, de estilo. Os livros sobre a mesa e a pena colocada atrás da orelha remetem a atividades

intelectuais. A referência às coisas do “arco da velha” que foram descobertas na gaveta,

antecedem as coisas inimagináveis, difíceis de acreditar que serão reveladas pelo personagem.

No segundo quadrinho, o diabo arruma a gravata diante de um espelho reclinável, com uma

estrutura ornamentada sobre uma mesa, quase como uma penteadeira. Esta está em

perspectiva, de modo que se pode ver o reflexo do rosto do personagem. As cortinas ao fundo,

o pente sobre a mesa, são alguns dos detalhes esboçados em traços rápidos, mas que

caracterizam o ambiente. Aqui ficamos sabendo que o diabo “engravatou-se, encasacou-se”

porque foi convidado pela revista para fazer parte “nesta inocente sessão de pilhérias”. No

quadrinho seguinte, ele aparece sentado atrás da mesa, concentrado, com a pena na mão

direita, o cotovelo sobre um papel com algumas linhas escritas e um tinteiro a sua frente.

Pelos ornamentos da balaustrada da escrivaninha, percebemos que é um móvel de valor.

Constrói-se visualmente uma das funções deste jornalista em especial, que “tomou assento em

nossa banqueta de trabalho”. Já na quarta cena, o diabo está terminando de preencher a

segunda folha que, pelo tamanho e formato, lembra o espaço de uma coluna da revista. Em 7

dos 9 quadrinhos, o diabo está de calção/cueca listrada, criando o efeito de intimidade com os

leitores. Em vários momentos, a importância da aparência é ressaltada, desde as roupas, até o

fato de estar barbeado, perfumado, o que reforça o desejo de ser bem recebido, de parecer

elegante e educado, “atencioso e benévolo” para com os “simpáticos leitores, muito

principalmente amável para com as formosas divas da nossa sociedade.” No quinto

quadrinho, muda-se o ângulo de visão da mesa, e o diabo está de pé, fazendo pose para os

leitores. Há um destaque para o que parece ser um cesto de lixo com alguns rolos de papeis,

indicando intensa atividade descartada, enquanto o narrador pede aos leitores que não se

assustem com “sua horrível presença, porque, a princípio, nos foi difícil suportar aquela

mefistofélica figura...” Em seguida, vemos o diabo ao lado de uma porta aberta, por onde

entram, em diagonal, uma série de pequenas figuras, com jornais/revistas na cabeça e penas

nas mãos, invadindo o ambiente com passos largos e muito movimento. Sobre a porta lê-se

Galeria Illustrada. É possível pensar que o que move a revista são esses diabinhos, esses

pequenos críticos. O texto informa que todos na revista estão “familiarizados com o príncipe

das trevas” e até possuem um “exército de diabos” preparados para defendê-los contra os

ataques inimigos. No sétimo quadrinho, o diabo está sentado sobre a escrivaninha, abraçando

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um joelho, com a pena atrás da orelha, numa atitude inesperada, audaciosa e até meio

“grosseira”, pela qual a revista pede desculpas. A cena seguinte mostra o diabo “civilizado”,

como descreve o texto, vestido com trajes de gala (casaca, gravata, chapéu), em um salão com

um móvel estofado, um lustre fino e com algo de art nouveau, traços delicados e sinuosos

indicando ornamentos e materializando o requinte do lugar, que se abre para uma outra sala

com duas moças sentadas. Os traços rápidos esboçam o que seriam “nossos melhores salões”.

O último quadrinho mostra o diabo dançando, de costas para nós, com uma moça bem

vestida, numa composição dinâmica, reforçada pelos rabiscos que delineiam o ambiente e

marcam as texturas.

Figura 02 – Narciso Figueras. A Gaveta do Diabo. Galeria Illustrada, n.2, 30/11/1888, p.15 Acervo: Biblioteca Pública do Paraná

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Na revista número 2, de 30 de novembro de 1888, a seção Gaveta do Diabo faz uma narrativa

visual de um jogo de bilhar (figura 2), simulando o flagrante de uma jogada, usando ângulos e

enquadramentos fotográficos, criando efeitos que seriam muito explorados no cinema e nas

animações. Esta história em quadrinhos é, com efeito, a que apresenta melhor elaboração

técnica e recursos gráficos. A composição da página é dada por 6 quadrinhos verticalizados. O

movimento insinuado é reforçado pelos ângulos da mesa, pela gestualidade dos corpos, pelo

direcionamento dos tacos, criando intrincadas texturas. Na definição dos personagens,

destacam-se os antagonismos, antecipando o riso pelos traços caricatos. O contraste do

jogador alto, magro, fumando um cachimbo, com o outro jogador baixinho, gordo já aponta

para as trapalhadas do último quadrinho. No primeiro quadrinho, vemos o jogador mais baixo,

de frente, escolhendo os tacos, observando as pontas, para evitar que dessem “pífia”, ou seja,

erro de tacada. Os tacos ao fundo da parede formam verticais que ampliam o sentido de

movimento em contraponto com as diagonais dos tacos que estão sendo conferidos. O outro

jogador ao fundo, de costas, forma mais uma oposição na cena. No segundo quadrinho

aparecem os dois jogadores, um de costas para o outro, com os tacos para o alto, encenando o

início de um duelo. O personagem magro, seu Faustino, aparece no terceiro quadrinho

agachado ao lado direito da mesa, checando o posicionamento das bolas, enquanto o gordo,

atrás da mesa, prepara-se para a jogada. Pelo texto ficamos sabendo que a carambola, jogada

em que a bola toca outras duas, é do seu Zé. Nos três quadrinhos seguintes desenvolve-se a

ação da jogada. No quarto quadrinho, seu Zé está de costas, o corpo verticalizado, em

movimento bem trabalhado pelo lápis, com ênfase nos gestos típicos da jogada, com um dos

pés erguido, como se precisasse se esticar. Seu Faustino observa, do outro lado da mesa, de

frente para os leitores. O quinto quadrinho faz um giro de ângulo, numa inversão da cena com

a mesma jogada. Finalmente, constatamos a grande movimentação provocada pela bola,

atingindo o homem com cachimbo, enquanto a mesa parece ter queimado com a força do taco.

Esse desfecho surpreende pelo término desastrado da jogada e pelas linhas curvas que fogem

do padrão retilíneo das demais cenas.

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Figura 03 – Narciso Figueras. A Gaveta do Diabo. Galeria Illustrada, n.3, 10/11/1888, p. 23 Acervo: Biblioteca Pública do Paraná

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A Gaveta do Diabo, publicada na revista número 3 (10/12/1888), assume um caráter mais

crítico, com uma proposta visual e narrativa mais convencional, mais próxima da tradição das

charges (figura 3). Aparece ao pé da página um subtítulo: Quadros da Atualidade. O tema

ironizado pelo “nosso mephystophelico colaborador!” é o da educação. As imagens

sequenciadas estão dispostas em quatro quadrinhos de mesmo tamanho e o desfecho ocupa

um único quadrinho, com o dobro do tamanho dos demais, ampliando-se os efeitos da crítica.

Na primeira cena há carteiras compartilhadas por três crianças, vistas lateralmente. Na parede

ao fundo, destaca-se um quadro com o alfabeto e um mapa do globo terrestre, compondo o

ambiente da sala de aula e indicando as ênfases e os níveis do ensino, neste caso as primeiras

séries. Há também um homem magro, verticalizado, com calças curtas, botas, barba,

segurando a palmatória, sugerindo a condição de pobreza do professor. Os textos dos dois

primeiros quadrinhos são bem enfáticos, dando voz ao professor que lamenta sua condição

miserável. Já nos seguintes, retoma-se o narrador que representa a revista. No segundo

quadrinho, vemos o professor entregando seu casaco a outro homem, em um cenário com uma

placa “Penhor” e outra “Ao Prego”, com o desenho esboçado de prateleiras com vários

objetos, e o destaque para um guarda-chuva. A cena seguinte mostra uma mesa com as

palavras Imprensa do Paraná, sobre a qual explode uma esfera de onde saem as palavras

“suspensão das escolas”, como uma bomba. Além dos fragmentos caindo, há homens

sentados em cadeiras torneadas e de encostos estofados, tombando ao chão. O texto refere-se

à surpresa com a suspensão das escolas. Esta seção trabalha com as consequências da lei

n.917, de 31 de agosto de 1888, sancionada pelo então Presidente da Província do Paraná,

Balbino Cândido da Cunha, que, no contexto do corte de verbas do final do segundo Império,

alterava a classificação das escolas primárias e determinava a supressão de 164 escolas.

(VEZZANI, 2013, p.287)

Há um quadrinho que critica os responsáveis pelo ato de fechamento das escolas, mostrando-

os fugindo para diferentes direções. Ao final, encontram-se na “Rua da Fome” vários

mendigos, com cartolas puídas, roupas rasgadas, chinelos, botas estragadas ou pés no chão;

um deles come a pena, outro come o alfabeto, outro caminha com um livro e uma pena atrás

da orelha. Chama a atenção o homem sentado ao chão, com aparência quase cadavérica,

comendo um livro, à frente de uma porta fechada com dois cadeados, onde se lê: escolas.

Desenha-se um quadro de desespero e pessimismo quanto ao destino da instrução pública,

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reiterado pelos livros ao chão, pelos rabiscos e borrões que compõem o dinamismo das

texturas.

A temática da seção Gaveta do Diabo publicada na revista número 4 envolve as tradições

culturais dos imigrantes alemães em Curitiba, que parecem ter causado o estranhamento da

população, ao ponto de ser destacado pelos desenhistas (figura 4). Na tentativa de recontar os

fatos, a seção propõe-se representar “os efeitos e causas dos sonhos dourados dos paulistas, o

zumzum das velhas contra a falta de procissão e a imensa alegria dos alemães” (GALERIA

ILLUSTRADA, 20/12/1888, p. 27)

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Figura 4 – Narciso Figueras. A Gaveta do Diabo. Galeria Illustrada, n.4, 20/12/1888, p. 34

Acervo: Biblioteca Pública do Paraná O primeiro quadrinho mostra “a causa” expressa no texto “Eis o sonho dourado dos paulistas”

e no embate entre uma mulher caracterizada por símbolos da República (como o barrete

frígio), que flutua, parecendo afastar a mulher com símbolos da monarquia (manto, coroa,

cetro). Esta última está com os pés no chão, curvando-se para trás e com os braços esticados,

tentando defender-se dos corvos que já levaram seu cetro e querendo afastar a ameaça

republicana. O cenário remete a um cemitério, ou um campo de batalha, com cruzes e

caveiras. No segundo quadrinho mostram-se “os efeitos”: trata-se de uma cena com grande

movimentação, uma batalha onde soldados a cavalo, de costas para os leitores, atacam

homens e mulheres com crianças. Os traços lembram a rapidez do bico de pena e os índices

de poeira ressaltam os corpos ao chão. Na sequência, criam-se paralelos entre a população em

geral - à qual pertenciam os negros, os poloneses, o Zé Povinho -, e os imigrantes alemães. De

um lado, observa-se o grupo de poloneses, com destaque para a caracterização das mulheres

com lenços na cabeça; uma negra sentada no chão com pernas cruzadas e um negro sentado

com as pernas esticadas. Ao fundo vê-se o casario, a fachada e a torre de uma igreja. No

quadrinho ao lado vê-se um pequeno grupo de homens alemães, com espingardas penduradas

ao ombro ou apoiadas no chão, alinhados, paralelos à calçada, liderados por um único homem

que se encontra à frente, de costas. O primeiro da fila usa uma farda que o distingue dos

demais. O casario ao fundo tem traços que insinuam ornamentos clássicos, com destaque para

as fachadas. O desfecho cria uma surpresa visual, pois vemos o dinamismo dos alemães

protegendo-se da chuva, sem interromper suas festividades. Além do guarda-chuva, usam a

mesa, as cadeiras, os caixotes para se esconderem e continuarem brindando e bebendo.

É interessante observar a estratégia escolhida para comentar as mudanças trazidas com o fim

da escravidão e a vinda de novas levas de imigrantes, apontando os diferentes hábitos, os

contrastes entre a religiosidade provinciana, as tradicionais procissões e as novas práticas

sociais. Adivinham-se, conformam-se, pelos traços irônicos do cotidiano, os novos cenários às

vésperas da República.

Optamos por destacar apenas as seções da Gaveta do Diabo que foram feitas com a linguagem

dos quadrinhos. Essas quatro histórias em imagens sequenciadas tem sido consideradas como

o início das histórias em quadrinhos no Paraná. Nos casos aqui analisados, o enunciado verbal

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aparece como uma única frase que vai se completando na leitura conjugada com as imagens;

assim, acentua-se a ideia de sequência e o direcionamento da leitura. Trata-se de um narrador

que assume o ponto de vista da revista, usando, na maior parte das vezes, a primeira pessoa do

plural. A partir da revista número 5, a seção Gaveta do Diabo é dedicada a charges e

caricaturas de página inteira, com desenhos mais elaborados, menos dinâmicos, porém mais

contundentes. É como se a linguagem da caricatura, as sombras e os volumes mais definidos,

os traços mais carregados, trouxessem maior nitidez para os alvos a serem atacados em um

momento de fortes mudanças políticas.

Referências bibliográficas

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QUELUZ, Marilda P. Traços urbanos: a caricatura em Curitiba no início do século XX. São Paulo: PUC-SP, tese de doutorado, 2002 SALIBA, Elias Thomé. A dimensão cômica da vida privada na República. In SEVCENKO, N. org. História da Vida Privada no Brasil. República: da Belle Epoque à Era do Rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 289-365. SUSSEKIND, Flora. Cinematógrafo de Letras: literatura, técnica e modernização no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. TURAZZI, Maria Inez. Poses e Trejeitos. A fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839-1889). Petrópolis: Funarte/Ed. Rocco, 1995. VEZZANI, Iriana Nunes. Uma revista de tipo europeu: educação e civilização na Galeria Illustrada (1888-1889). Curitiba: Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, da universidade Federal do Paraná, 2013. (inédito) WOSK, Julie. Breaking Frame. Technology and Visual Arts in the Nineteenth Century. New Brunswick, New Jwersey: Rugters University Press, 1992

• O texto deverá ser salvo em formato .doc.

• Título (Times New Roman, 14, Negrito, Centralizado)

• Nome do(s) Autor(es) à direita e em rodapé os dados como: vínculo institucional, titulação e

e-mail.

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espaçamento 1,5, Margens: superior e esquerda 3 cm, inferior e direita 2cm e alinhamento

justificado.

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devem estar em recuo de 4cm, espaço simples, letra tamanho 10.

• As referências bibliográficas dentro da obra devem ser da seguinte forma: AUTOR, DATA, PAG,

logo após cada citação ou referência ao autor;

• Não será permitida nota de pé de página.

• Referências Bibliográficas ao final da obra de acordo com as normas da ABNT: Livro -

SOBRENOME, Nome. Título. Edição. Cidade: editora, ano.

• Capítulo - SOBRENOME, Nome. Título. In: SOBRENOME, Nome. Título. Edição. Cidade:

editora, ano, pp.

Na mesma seção são destaques algumas das muitas referências sobre a Lei 917 de 31 de

agosto de 1889, também chamada pela revista como Lei Balbino que, segundo as Atas da

Câmara Municipal de Curitiba - setor de Leis e Regulamentos da Província do Paraná -

alterou a classificação das escolas e extinguiu muitas cadeiras de ensino elementar na capital e

arredores, fechando as escolas públicas.”