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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS (UFT)

    ESCOLA SUPERIOR DA MAGISTRATURA TOCANTINENSE (ESMAT)

    LUZA MARIA RODRIGUES

    A EXECUO DE MEDIDA DE SEGURANA NA MODALIDADE INTERNAO

    APLICADA OS INIMPUTVEIS POR TRANSTORNOS MENTAIS

    NO ESTADO DO TOCANTINS

    Palmas-TO

    2017

  • LUIZA MARIA RODRIGUES

    A EXECUO DE MEDIDA DE SEGURANA NA MODALIDADE INTERNAO

    APLICADA OS INIMPUTVEIS POR TRANSTORNOS MENTAIS

    NO ESTADO DO TOCANTINS

    Trabalho para Defesa final do programa de

    ps-graduao stricto sensu Mestrado

    Profissional Interdisciplinar em Prestao

    Jurisdicional e Direitos Humanos, inserido na

    linha de pesquisa Efetividade das Decises

    Judiciais e Direitos Humanos, realizado pela

    Universidade Federal do Tocantins (UFT) em

    parceria com a Escola Superior da

    Magistratura Tocantinense (ESMAT), como

    requisito para obteno do ttulo de Mestre.

    Orientadora: Professora Mestre Kathia Nemeth

    Perez

    Palmas-TO

    2017

  • Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Tocantins

    R696e Rodrigues, Luiza Maria.A execuo de medida de segurana na modalidade internao aplicada

    aos inimputveis por transtornos mentais no estado do Tocantins. / LuizaMaria Rodrigues. Palmas, TO, 2017.

    117 f.

    Dissertao (Mestrado Profissional) - Universidade Federal do Tocantins Cmpus Universitrio de Palmas - Curso de Ps-Graduao (Mestrado) emPrestao Jurisdicional em Direitos Humanos, 2017.

    Orientadora : Kathia Nemeth Perez

    1. Inimputvel transtorno mental. 2. Medida de segurana internativa. 3.Direitos fundamentais. 4. Dignidade humana. I. Ttulo

    CDD 342

    TODOS OS DIREITOS RESERVADOS A reproduo total ou parcial, de qualquerforma ou por qualquer meio deste documento autorizado desde que citada a fonte.A violao dos direitos do autor (Lei n 9.610/98) crime estabelecido pelo artigo 184do Cdigo Penal.Elaborado pelo sistema de gerao automtica de ficha catalogrfica da UFT com osdados fornecidos pelo(a) autor(a).

  • Dedico este trabalho ao meu pai (in

    memoriam) e minha me, exemplos de amor,

    dedicao, trabalho, compromisso,

    honestidade e lisura, por existirem na minha

    vida e por tudo o que fizeram por mim. (Luza

    Maria Rodrigues).

  • Em primeiro lugar, agradeo ao Criador do

    Universo, a quem credito a sntese da vida;

    agradeo aos meus pais, canais que me

    trouxeram luz, pelo cuidado e dedicao; ao

    meu nico irmo; aos meus amigos, que deixo

    de nomin-los por serem muitos, pelo carinho;

    ao Conselho Nacional de Justia CNJ, na

    pessoa da Senhora Presidente, Ministra

    Carmen Lcia Antunes Costa; ao Tribunal de

    Justia do Estado do Tocantins, na pessoa do

    Senhor Presidente, Desembargador Eurpedes

    do Carmo Lamounier, Escola Superior da

    Magistratura Tocantinense, na pessoa do seu

    Diretor, Desembargador Marco Antoni Steves

    Villas Boas; Universidade Federal do

    Tocantins UFT, na pessoa do Senhor

    Coordenador do Programa de Mestrado, Tarsis

    Barreto, pelo compreenso e bom senso e pela

    forma magnfica, como tem conduzido os

    trabalhos; aos meus professores, pelos

    ensinamentos valiosssimos, especialmente

    minha Orientadora, Profa. Mcs Kathia Nemeth

    Perez, pela colaborao, ateno e pacincia;

    Secretria do Programa de Mestrado, Marcela

    Santa Cruz, pelo carinho, dedicao, solicitude

    e presteza dispensadas a todos os mestrandos;

    aos meus colegas mestrandos, pelo carinho,

    apoio e colaborao. Enfim, a todos que de

    alguma forma, direta ou indiretamente,

    contriburam para a realizao e xito deste

    Programa de Mestrado, os meus sinceros

    agradecimentos. (Luza Maria Rodrigues).

  • Ao se adentrar s celas das unidades prisionais do

    Estado do Tocantins, depara-se com um pequeno

    contingente carcerrio invisvel aos olhos do Estado

    e da sociedade: so os inimputveis por transtorno

    mental, que vivem esquecidos nos calabouos, em

    condies subumanas, como se ao cruzar o porto de

    um estabelecimento prisional se perdesse o carter

    humano e ingressasse num processo de coisificao

    do ser. Em que pese serem indivduos detentores de

    transtornos mentais e que se envolveram em situao

    conflituosa com a Lei Penal, no deixaram de ser

    pessoas, nem foram destitudos da proteo do

    manto constitucional. So detentores dos mesmos

    direitos que os demais e at de outros direitos

    especficos, dada a sua condio de inimputvel, de

    irresponsvel, de doente, que deve ser tratado e no

    punido. Doente mental necessita de tratamento e

    no de castigo, dada s suas limitaes, at porque

    eles no teem condies de estabelecer uma

    correlao entre o ato por ele praticado e o castigo e,

    menos ainda, aprender com isso. (Luza Maria

    Rodrigues. Neste ato.).

  • RESUMO

    Observa-se que, desde o incio da utilizao do instituto da priso penal como

    ferramenta de controle dos transgressores de um determinado sistema legal, a problemtica da

    presena dos inimputveis por transtornos mentais sempre desestabilizou os interiores dos

    estabelecimentos de cumprimento da pena, tanto em sua acepo meramente punitiva quanto

    na faceta atual da trade punio/retribuio/reeducao. Desde a abordagem mais brutal do

    doente at a aplicao das modernas medidas de segurana visualiza-se uma inadequao

    por parte do Estado ao custodiar o inimputvel que, abandonado prpria sorte, vtima de

    um sistema carcerrio precrio no qual sua dignidade j comprometida destruda, seja pelos

    sujeitos ativos do sistema, funcionrios que deveriam resguardar sua integridade fsica e

    mental, ou pelos demais custodiados que acabam sendo os executores das antigas prticas

    atrozes outrora exercidas nos extintos asilos; os famigerados manicmios judiciais. Nessa

    messe, analisamos a forma como se d a execuo das medidas de segurana na modalidade

    internativa no Tocantins, bem como a postura do administrador pblico para sua efetivao na

    rede prisional. A falta de estabelecimento prprio para o cumprimento das medidas de

    segurana levanta-se como omisso do Estado do Tocantins que, ao abandonar os doentes

    mentais que acabam por cometer crimes em razo de sua enfermidade, sentencia-lhes

    sobrevida num limbo social no qual no so criminosos cumprindo pena, mas tambm no

    so cidados cujos direitos e garantias fundamentais lhes so assegurados, passando a viver

    trancafiados ilegalmente em presdios onde se tornam vtimas das mais diversas formas de

    torturas e sofrimentos impingidos pelas dezenas de condenados que ali vivem em uma

    sociedade paralela na qual os inimputveis so, novamente, brutalizados.

    Palavras chave: Inimputvel transtorno mental. Medida de Segurana Internativa. Direitos

    Fundamentais. Dignidade Humana. Lei 10.216\2001.

  • ABSTRACT

    It is observed that since the beginning of the use of the prison of penal prison as a tool

    of control of the transgressors of a certain legal system, a problematic always destabilized the

    interiors of the establishments of fulfillment of the sentence, in its punitive sense as well as in

    the modern facet Of the punishment / retribution / reeducation triad, which is the mental

    patient's treatment within prisons. From the primitive approach of animalization of the patient

    to the application of "modern" security measures, a clairvoyant disregard of the State is seen

    in the custody of the unworthy who, abandoned to his own fate, was a victim of the notorious

    judicial asylums and today is a victim of A broken prison system in which its already

    compromised dignity is destroyed, either by the active subjects of the system (officials who

    should safeguard their physical and mental integrity) or by the other custodians who end up

    being the executors of the old animal practices practiced in the extinct asylums. In this messe,

    we analyze the contemporary conditions of the unenforceable in the prison system of the State

    of Tocantins, from the beginning of the criminal prosecution, to procedural instruction, to the

    application of the security measure by judicial sentence, and finally, the methods adopted by

    the public administrator to carry out Of that in their prison network. The lack of proper

    establishment to comply with security measures arises as an omission by the State of

    Tocantins, which, in abandoning the mentally ill who end up committing crimes due to their

    illness, sentence them to survival in a social limbo in which they do not Are criminals serving

    sentences, but they are not citizens whose fundamental rights and guarantees are guaranteed

    to them, and they live illegally in prisons where the most diverse forms of torture and

    suffering are practiced by the dozens of convicts who live there in a parallel society in which

    The inimitable ones are again animalized.

    Keywords: Unimportant mental disorder. International Security Measure. Fundamental rights.

    Human dignity. Law 10.216 \ 2001.

  • LISTA DE TABELAS

    TABELA 1 Quadro de Caracterizao dos Casos........................................ 94

  • LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

    UFT Universidade Federal do Tocantins

    TO Tocantins

    UTPBG Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota

    CF/1988 Constituio Federal de 1988

    LEP Lei de Execuo Penal

    CEPEM