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Ficha técnica

Título:

A Liderança do Enfermeiro Gestor e a Segurança do Doente - Vencendo Desafios, Traçando Novos

Autoria: APEGEL - Associação Portuguesa dos Enfermeiros Gestores e Liderança

Edição: APEGEL - Associação Portuguesa dos Enfermeiros Gestores e Liderança

Design & paginação: Design K {Capa - Background vector designed by Freepik} Francisco Vieira (11261834)

ISBN: 978-989-20-6091-0

E-book produzido no âmbito do 5.º Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Enfermeiros Gestores e Liderança

Presidente do Congresso: Nelson Guerra

Comissão organizadora: José Manuel Chora {Presidente}; Amélia Gracias; Ana Pereira Campos; Catarina Martins; Elisabete Patrício; João Quintela; José Abelha.

Comissão científica: Manuela Martins {Presidente}; Elisa Brissos; Élvio Henrique de Jesus; Fátima Figueira; José Brás; Manuela Frederico; Margarida Reis Santos; Maria Antónia Chora.

APEGEL • 2015

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Índice

Editorial 5Nelson Guerra

I • CoNfErêNCIAS 6

> As dotações de enfermeiros e os eventos adversos 7Nelson EH Guerra; Élvio de Jesus Henriques; Margarida Vieira

> Segurança na comunicação e continuidade de cuidados 10Ana Luísa Portela Gonçalves Bastos; Carla Isabel da Silva Rego André Ferreira

II • ComuNICAçõES 14

> Inteligência emocional em gestores de enfermagem 15Fernando António Neto Teixeira de Sousa; Maria Manuela Frederico Ferreira; Fernanda Maria Duarte Nogueira

> A cultura de segurança do cliente nas Unidades de Cuidados Continuados Integrados em Portugal 18Susana Marisa Lourenço dos Santos; Pedro Bernardes Lucas

> O contributo do enfermeiro gestor para a qualidade dos cuidados de enfermagem 21Olga Maria Pimenta Lopes Ribeiro; João Miguel Almeida Ventura da Silva; Ana da Conceição Alves Faria

> A liderança e os modelos para a prática profissional de enfermagem 24Olga Maria Pimenta Lopes Ribeiro; Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva Martins; Daisy Maria Rizatto Tronchin

> Liderança e gestão do cuidado na prática segura do cateter urinário intermitente 26Laís Fumincelli: Alessandra Mazzo; Fernando Manuel Dias Henriques; Rodrigo Alexandre Lourenço Ramos

> Avaliação da cultura de segurança do doente no ACeS Espinho/Gaia 28Telma M. Santos Silva; Isilda M. F. Couto; Maria Goreti F. Oliveira Alves; Sandra C Antunes Santos; Maria Cândida F. Santos Ribeiro

> Sistema de classificação de doentes em enfermagem 31José Manuel Lúcio Chora

> o sistema de classificação de doentes em enfermagem 33Cristina Maria Barradas Moreira Duarte Paulino; José Manuel Lúcio Chora; Maria Salomé de Matos Camarinha

> Quedas em doentes hospitalizados 36Manuela Alexandra R. Pinto; Ângela M. Baguinho Barroso; Ana Sofia C. Caixeiro; Tânia P. Cabo Relíquias; Cristina I. Frangão Magro

> Qualidade: mar de oportunidades 39Ana Sofia C. Caixeiro; Ângela M. B. Barroso; Cristina I. Frangão Magro; Manuela Alexandra R. Pinto; Rute I. Quadrado Pires

III • PÓSTErES 14

> A perceção dos profissionais sobre higienização das mãos e sua influência nas infeções associadas aos cuidados de saúde 43Tânia Vaz Moreira; Pedro Bernardes Lucas

> Outcomes no âmbito de um sistema de gestão da qualidade (SGQ) 46José Manuel Martins Carrão; Susana Raquel Sousa Pires

> A segurança do doente na perspetiva dos enfermeiros 49Sara Tavares Varão; Pedro Bernardes Lucas

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> O impacte do ambiente da prática profissional de enfermagem na qualidade dos cuidados 52Carina Manuela Mouquinho Andrade: Pedro Ricardo Martins Bernardes Lucas

> Ambientes favoráveis à prática de enfermagem 55Mariana Lourenço Pereira Nogueira; Pedro Bernardes Lucas

> Atualização em gestão em enfermagem 58Ana Paula Prata A. Sousa; Margarida Reis Santos Ferreira; Maria Manuela F.P.S. Martins; Daisy M. Rizatto Tronchin; Heloísa Helena C. Peres

> Educação à distância no Mestrado de Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem 61Ana Paula Prata A. Sousa; Maria Margarida Reis Santos Ferreira; Maria Manuela F.P.S. Martins

> fatores que interferem na adesão dos profissionais de saúde às boas práticas de higiene das mãos 65Raquel Ramos Cabrita; Teresa Santos Potra

> Acreditação: Uma visão alargada acerca dos benefícios para os utentes e para os trabalhadores… 68Cristina I. Frangão Magro; Tânia P. Cabo Relíquias; Rute I. Quadrado Pires; Manuela Alexandra R. Pinto; Ana Sofia C. Caixeiro

> Características das organizações hospitalares e o seu contributo para a qualidade dos cuidados de enfermagem 71Gonçalo Fernando Vieira Vital; Pedro Bernardes Lucas

> A gestão de enfermagem e os sistemas de informação em enfermagem 74Telma Marisa Santos Silva; José Carlos Marques de Carvalho

> Cultura de aprendizagem nos contextos da prática clínica 77Carla Elisa Henriques Alves Romão; Teresa Santos Potra

> Práticas seguras e segurança do utente… 80Ângela M. Baguinho Barroso; Cristina I. Frangão Magro; Manuela Alexandra R. Pinto; Rute I. Quadrado Pires; Tânia P. Cabo Relíquias

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

EditorialNelson GuerraPresidente da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Gestores e Liderança.

A Associação Portuguesa dos Enfermeiros Gestores e Liderança (APEGEL) realizou nos dias 23 e 24 de outubro de 2015, no Auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Évora, o seu 5º Congres-so Internacional, sob o tema “A Liderança do Enfermeiro Gestor e a Segurança do Doente”.

A temática em debate no nosso congresso é da maior importância estratégica e primordial para a qualidade dos serviços prestados por qualquer unidade de saúde. Nas equipas multidisciplinares das unidades os enfermeiros gestores constituem uma estrutura fundamental para a garantia da qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados à população.

A riqueza das comunicações apresentadas e agora compiladas neste Livro de Resumos demonstra que os enfermeiros gestores são profissionais habilitados técnica e cientificamente para responderem com rigor, eficiência e eficácia aos desafios que lhes são colocados aos vários níveis da sua atuação (prevenção, promoção e reabilitação) e que, no con-texto atual, é um desperdício económico e social a desvalorização e o desperdício dos investimentos organizacionais e individuais efetuados no desenvolvimento das suas competências.

O Enfermeiro gestor na sua prática clínica é que está melhor posicionado para implementar as reformas do sistema de saúde e compreender o seu impacto nos cuidados prestados, é visionário, pensa estrategicamente de forma a planear adequadamente as respostas que lhe são solicitadas, enquanto promove o trabalho em equipa de forma eficaz, gerindo a mudança, dando valor à produção de cuidados, ao controle de custos e aos resultados obtidos

No atual momento que a Enfermagem atravessa, devemos construir um entendimento que reconheça a aumente significância dos enfermeiros para os cidadãos. Esse papel passa muito pela qualidade e a segurança dos cuidados que lhes são prestados e está diretamente relacionada com a qualidade da prática dos enfermeiros na área da gestão.

Assim sendo, o nosso congresso foi, mais uma vez, fundamental para o demonstrar das competências que estes profissionais assumem na liderança do seu papel de gestores.

Estou certo que o 6º Congresso Internacional da APEGEL, em Portimão – 2016, será mais um momento de inegável importância para a afirmação da associação e dos enfermeiros gestores.

Preparemo-nos então, outra vez, para o nosso melhor congresso.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

I • Conferências

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

As dotações de enfermeiros e os eventos adversosNurse staffing and adverse events

Nelson EH GuerraEnfermeiro Chefe na Direção-Geral da Saúde, Doutorando na Universidade Católica Portuguesa. E-mail: [email protected]

Élvio de Jesus HenriquesICS – Universidade Católica Portuguesa, PhD

Margarida VieiraICS – Universidade Católica Portuguesa, PhD

Resumo

Estudos recentes tem demonstrado a relação existente entre as horas de cuidados de enfermagem disponibilizadas e a ocorrência de eventos adverso, tais como a mortalidade, demora media, infeção respiratória, infeção urinária e úlcera por pressão. Propomos analisar as dotações de enfermagem nos serviços de medicina, cirurgia e ortopedia de um grupo de 17 hospitais com o SCD/E implementado.

Este estudo tem por objetivo analisar a relação entre as dotações de enfermagem e a segurança dos cuidados de saúde medido pela ocorrência de eventos adversos.

Foi encontrada associação significativa e inversa entre as variáveis dependentes (Mortalidade, Demora Media, In-feção Respiratória, Infeção urinária e Úlcera por Pressão) e a variável independente (Défice de HCP-HCN), o que significa que sempre que se adequa a dotação às necessidades dos doentes o risco de ocorrência de eventos adversos diminui substancialmente.

Descritores: HCN; HCP; Mortalidade; Eventos adversos; Dotações; Enfermagem.

Abstract

Recent studies have shown the relationship between the hours of available nursing care and mortality, length of stay, Infection respiratory, urinary infection and ulcer pressure f. We propose to analyze the nursing appropriations for medical services, surgery and orthopedics of a group of 17 hospitals with the SCD/E implemented. This study aims to analyze the relationship between nursing staff and safety of health care measured by the occurrence of adverse events. There was a significant inverse association between the dependent variables (mortality, length of stay, Infec-tion Respiratory, Urinary Infection and ulcer pressure) and the independent variable (Deficit NHPPD), which means that whenever suits allocation needs of patients the risk of adverse events decreased substantially

Keywords: NHPPD; Mortality; Adverse events; Staffing; Nursing.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Introdução

Os estudos recentes tem demonstrado o valor dos cuidados de enfermagem e o seu impacte na saúde das pessoas. AIKEN, demonstrou existir uma relação direta entre a dotação de enfermeiros e a taxa de mortalidade e outros eventos adversos. Também NEEDLEMAN, demonstrou a relação existente entre as horas de cuidados de enfermagem disponibilizadas e a mortalidade, as admissões, as altas e transferências e a variabilidade das dotações do pessoal de enfermagem no dia-a-dia e nos diferentes turnos

Com o objetivo de responder á questão “será que as dotações de enfermagem influenciam a segurança dos cui-dados de saúde no que respeita a resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem?” realizámos um estudo ex-ploratório, descritivo e correlacional, visando identificar a associação entre as dotações praticadas e a ocorrência de eventos adversos nos serviços de Medicina, Cirurgia e Ortopedia dos hospitais com o Sistema de Classificação de Doentes / Enfermagem(SCD/E) implementado, nos anos 2011, 2012 e 2013.

Método

Propomos analisar as dotações de enfermagem nos serviços de medicina, cirurgia e ortopedia de um grupo de 17 hospitais com o SCD/E implementado.

Este estudo tem por objetivo analisar a relação entre as dotações de enfermagem e a segurança dos cuidados de saúde medido pela ocorrência de eventos adversos, pela demora média e pela mortalidade ajustada o estudo com-templa uma análise retrospetiva dos registos do SCD/E, no que concerne a Horas de Cuidados Necessárias por Dia de Internamento (HCN/DI) e Horas de Cuidados Prestadas por Dia de Internamento (HCP/DI) e dos Grupos de Diagnósticos Homogéneos (GDH), no referente aos registos dos diagnósticos de saída, dos doentes com alta pro-cessada, referentes ao período entre 01 de Janeiro de 2011 e 31 de Dezembro de 2013, dos serviços de medicina, cirurgia e ortopedia dos 17 hospitais estudados, no que respeita a resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem de forma a:

• Identificar a relação entre a dotação de enfermeiros e a ocorrência de eventos adversos, tais como, úlceras por pressão, infeções do trato urinário e do trato respiratórias;

• Identificar a relação entre a dotação de enfermeiros e a mortalidade ajustada ao risco

• Identificar a relação entre a dotação de enfermeiros e a demora média de internamento

• Para o nosso estudo identificámos as seguintes hipóteses de investigação:

• O maior défice de HCP está associado a maior risco de ocorrência de úlceras de pressão;

• O maior défice de HCP está associado a maior risco de ocorrência de infeção do trato urinário;

• O maior défice de HCP está associado a maior risco de ocorrência de infeção do trato respiratório;

• O maior défice de HCP está associado a risco de aumento da demora média de internamento;

• O maior défice de HCP está associado a risco de aumento da mortalidade.

Resultados

O estudo abrangeu 70.241 indivíduos internados nas unidades analisadas, 47% mulheres e a maioria (30.1%) com idade entre os 36 e os 50 anos.

Os eventos adversos ocorridos incidiram sobre infeção trato respiratório (15), infeção trato urinário (3%) e úlcera por pressão (3%). Já a demora média situou-se acima da média para o GDH em 45%. Quanto ao destino após a alta verificou-se que 89% foram para o domicílio, 4% foram transferidos de serviço / hospital e 7% faleceram.

Em relação aos valores médios diários de HCN e HCP por unidade e por dia verificamos que o défice de enfermei-ros em tempo completo se cifrou em 5 enfermeiros na cirurgia, 10 enfermeiros na medicina e 6 enfermeiros na ortopedia.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Conclusões

Foi encontrada associação significativa e inversa entre as variáveis dependentes (Mortalidade, Demora Media, In-feção Respiratória, Infeção urinária e Úlcera por Pressão) e a variável independente (Défice de HCP-HCN), o que significa que sempre que se adequa a dotação às necessidades dos doentes o risco de ocorrência de eventos adversos diminui substancialmente. É assim no que se refere às ulceras por pressão, ás infeções do trato urinário e respiratória ou no que associa a dotação de enfermeiros com a demora média de internamento ou com a mortalidade hospitalar ajustada ao risco.

Bibliografia

1. Aiken, L. H., Sloane, D. M., Cimiotti, J. P, Clarke, S. P., Flynn, L., Seago, J. A., et al. – Implications of the California nurse staffing mandate for other states. Health Services Research, Abril, 2010.

2. Costa, C. e Lopes, S. – Avaliação do Desempenho dos Hospitais Públicos em Portugal Continental, ENSP/UNL, 2005; 2012.

3. Ministério da Saúde, Administração Central dos Sistemas de Saúde – Sistema de Classificação de Doentes baseado em níveis de dependência em cuidados de enfermagem, acedido em 02-10-2010, no site http://portalcodgdh.min-saude.pt/index.php/Siste-ma_de_Classifica%C3%A7%C3%A3o_de_Doentes_em_Enfermagem

4. Needleman, Jack, Buerhaus, Peter, Pankratz, V. Shane, Leibson, Cynthia L., Stevens, Susanna R., Harris, Marcelline – Nurse Staffing and Inpatient Hospital Mortality. New England Journal of Medicine, 2011, 364:11, 1037-1045.

5. Nurses and Midwives, A force for health – Survey on the situation of nursing and midwifery in the Member States of the European Region of the World Health Organization, WHO: 2009.

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Segurança na comunicação e continuidade de cuidadosSecurity in communication and continuity of care

Ana Luísa Portela Gonçalves BastosEnfermeira Chefe do Hospital da Senhora da Oliveira, EPE; Mestre em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto. E-mail: [email protected].

Carla Isabel da Silva Rego André FerreiraEnfermeira Chefe do Hospital da Senhora da Oliveira, EPE; Mestre em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto.

Resumo

Este artigo emerge da apresentação no 5º Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Enfermeiros Gesto-res e Liderança (APEGEL) e pretende refletir sobre a importância da comunicação nas práticas seguras e implicação na continuidade dos cuidados de enfermagem. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e análise reflexiva da prática de cuidados. Efetuamos a revisão bibliográfica e a reflexão na prática de alguns conceitos, nomeadamente de comunicação, do enquadramento legal, da comunicação entre pares na equipa de saúde e com o doente, e das ferramentas de comunicação atualmente disponíveis nos diversos contextos de trabalho. O sucesso das organiza-ções está diretamente relacionado com a capacidade de tirar partido dos seus bens intangíveis, da possibilidade de permitir e promover o seu desenvolvimento e de torná-lo efetivo e facilitador. Vários estudos identificam problemas relacionados com a existência do erro clínico sendo o fraco sistema de comunicação, uma das causas mais impor-tantes e que será a temática desta reflexão. Pretendemos com este artigo contribuir para um melhor conhecimento da importância da comunicação para a segurança do doente e dar a conhecer as potencialidades da aplicação da plataforma de dados em saúde, como contributo para a continuidade dos cuidados.

Descritores: Comunicação, Segurança, Continuidade de Cuidados, Práticas Seguras.

Abstract

This article arises from the presentation in 5th International Congress of the Portuguese Association of Nurse Ma-nagers and Leadership – Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Enfermeiros Gestores e Liderança (APEGEL) and intends to promote reflection about the importance of communication in safe practice and its implica-tions in nursing care. We made a bibliography revision and a practical reflection about some concepts, namely, about communication, legal frameworks, communication between healthcare teams and patients, and the communication tools available in the different work environments. Organization success is directly tied with the capacity to take advantage of its intangible assets, the possibility to allow and promote its development and make it effective and facilitator. Several studies identified problems related with the existence of clinical error, being communication error one of the most important causes that will be the theme of this reflection. With this article we want to contribute to a better knowledge and understanding of the importance that communication has to safety of the patient and to let know the potential of data platforms in healthcare as a contribution to care continuity.

Keywords: Communication, Safety, Care Continuity, Safe Practices.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Introdução

Nos últimos anos as organizações tornaram-se muito complexas e rebuscadas. O enorme aumento das expectativas dos doentes, as novas condições mundiais, a limitação de recursos humanos e materiais, permitiram que os siste-mas de informação, e comunicação se tornassem numa nova realidade na saúde. A segurança do doente constitui um dos grandes desafios dos cuidados de saúde do sec. XXI, sendo este assumido entre o grupo profissional dos enfermeiros, e encarado como uma oportunidade de melhoria dos cuidados de enfermagem. Esta mudança de para-digma emerge de uma visão transversal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que está refletido na legislação vigente, nomeadamente no Plano Nacional de Segurança do Doente (PNSD) 2015- 2020.

A perspectiva internacional refere-nos números preocupantes no que diz respeito à segurança do doente cuja causa está mais evidenciada a defeitos de organização, de coordenação, de comunicação revelando baixo índice de cultura sistémica de segurança e de política institucional, de identificação de riscos específicos. Vários estudos identificam problemas relacionados com a existência do erro clínico sendo o fraco sistema de comunicação, uma das causas mais importantes e que será a temática desta reflexão. Pretendemos com este artigo contribuir para um melhor conheci-mento da importância da comunicação para a segurança do doente e dar a conhecer as potencialidades da aplicação da Plataforma de Dados em Saúde (PDS), como contributo para a continuidade dos cuidados.

Segurança na comunicação e continuidade de cuidados

Numa sociedade dinâmica e relacional a comunicação apresenta-se como essencial no quotidiano pessoal e pro-fissional de qualquer pessoa. Numa equipa multiprofissional de saúde a comunicação constitui-se como uma ne-cessidade vital, pelo que é imperativo comunicar com eficácia. Em 2005 a Organização Mundial de Saúde (OMS) nomeia a Joint Comission International ( JCI) Center for Patient Safety para o estudo e diminuição do erro, tendo resultado a definição das 6 Metas Internacionais de Segurança, sendo a comunicação evidenciada na Meta “Melhoria da Comunicação Eficaz”. Também o PNSD1 apresenta como segundo objetivo estratégico - aumentar a segurança da comunicação, sendo referido que “as instituições prestadoras de cuidados de saúde devem implementar procedi-mentos normalizados para assegurar uma comunicação precisa e atempada de informações entre profissionais de saúde, evitando lacunas na comunicação, que podem causar quebras graves na continuidade de cuidados e no tratamento adequado, potenciando assim, os incidentes com dano para o doente”.

As falhas de comunicação poderão comprometer o desempenho tanto do profissional de forma individual como também de toda a equipa pondo em causa a qualidade dos cuidados prestados ao doente. O Relatório da OMS (2007)2 refere “...que perturbações e/ou falhas na comunicação entre e intra equipas de saúde podem ser causa de diminuição da qualidade dos cuidados, de erros no tratamento e de danos potenciais para os doentes.”

Por outro lado, e no que diz respeito à comunicação também é necessário uma mudança de paradigma. A comuni-cação com o doente tem que ser um processo eficaz, dinâmico, atual e em constante atualização. Esta mudança de atitude, com o envolvimento do doente como elemento ativo, proativo, para além de ser um direito dos doentes pode contribuir como uma barreira ao erro, e consequentemente melhorar a segurança dos cuidados. A OMS3 atri-bui um valor central à perspectiva do doente, da sua família e do cidadão comum na definição e no êxito das suas ações para a segurança do doente e refere que considera que “ a segurança poderá ser aumentada se os doentes forem incluídos como colaboradores ativos (Partners)”, devendo as suas contribuições serem integradas de uma forma sistemática na melhoria da qualidade e da segurança .

Em Portugal ainda temos que desenvolver novas dinâmicas de gestão em que a centralidade esteja no doente. Segundo Barbosa (2011)4 a governação clínica envolve uma remodelação de políticas, que promovam mudança cul-tural, com capacidade em investir no poder dos doentes e seus familiares/ conviventes significativos, envolvendo-os no processo de decisão. Stein et al5 (2005) refere que “ ... uma boa comunicação é importante não só porque se relaciona com resultados dos cuidados, mas porque é o cuidado que faz a medicina um esforço humanizado”.

De salientar a importância da comunicação eficaz no estabelecimento de diagnóstico. Apesar dos avanços tecnológi-cos a entrevista e a informação obtida através do doente e família, constitui um dos maiores trunfos do profissional de saúde. É necessário a adaptação da linguagem às necessidades dos doentes mas sobretudo adequar o tempo para ouvir o doente e conforme refere Osler6 (1904) “ouça o doente, ele está dizer-lhe o diagnóstico”. É necessário

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

detetar barreiras de comunicação entre o profissional e doente e reforçar informação com recurso a documentos escritos, ilustrações e/ou fotografia.

Face à complexidade de uma organização de saúde, é natural que o trabalho em equipa seja sistematicamente referi-do como um factor elementar para a qualidade, sendo a comunicação eficaz entre os profissionais de saúde um dos pilares da segurança do doente. Um gestor em enfermagem deve desenvolver uma cultura de segurança na equipa, promovendo uma boa comunicação, numa perspetiva de complementaridade, de partilha de conhecimentos, de humanização e de interação entre as necessidades do doente e os objetivos organizacionais.

Conforme refere Santos et al (2010)7 “uma equipa de trabalho tem características específicas que a diferenciam e que permitem atingir níveis de qualidade e eficácia no desempenho bastante superiores a um grupo de pro-fissionais com tarefas em comum, das quais se salienta a qualidade no processo de comunicação inter e mais importante, intradisciplinar”.

Sendo os enfermeiros, o grupo profissional que mais informação clínica produz, processam e utilizam e dispo-nibilizam nos sistemas de informação e documentação da saúde do cidadão, importa que esta informação seja normalizada, com linguagem classificada, com rigor, de forma a garantir a segurança e continuidade de cuidados, assegurando o respeito pela proteção de dados. Segundo Araújo (2007)8 “A Confidencialidade pode ser posta em risco por razões técnicas ou organizacionais: mecanismos de controlo de acesso insuficientes, transmissão de informação não cifrada pela rede, partilha de senhas entre utilizadores, definição desadequada de privilégios dos utilizadores, falta de cuidado no manuseio da informação”.

Numa instituição de saúde as mudanças de turnos, transferências e altas são momentos, cuja passagem de infor-mação é fulcral para a segurança do doente, sendo a sua normalização fundamental para não a interrupção do sistema de segurança na comunicação. Segundo a JCI (2006) 3 a passagem de turno "é um processo de passagem de informação que tem como missão a continuidade e segurança dos cuidados". Este é um momento de transição de equipas, de transferência de informação (assim como de autoridade e responsabilidade) que deve acontecer no continum de cuidados e que inclui a oportunidade para levantar questões, clarificar e confirmar. Nas recomendações da OMS 3, as passagens de turno devem ser orientados pela metodologia SBAR (Situation, Background, Assessment, Recommendation ) descrevendo a situação, os antecedentes, evolução e recomendações para o período seguinte da prestação de cuidados. Devem acontecer sempre que haja transição de equipas, de forma a não quebrar a con-tinuidade de cuidados.

No Despacho nº 2784/20139, a Comissão de Informatização Clínica, normalizou os requisitos obrigatórios na cons-trução de uma nota de alta, sendo eles: identificação do Utente; identificação e contacto dos profissionais; destino; diagnóstico (ICD10); causa de internamento; descrição do episódio; plano de continuidade de cuidados após a alta; menção de existência de infeções associadas aos cuidados de saúde e seu agente etiológico; registo de alergias; focus de atenção, diagnóstico e intervenções de enfermagem ativos (CIPE); procedimentos médicos realizados; disposi-tivos implementados; ajudas técnicas; indicação da gravidade e risco à admissão e transferência de /para Unidades de Cuidados Intensivos.

Está implícito na Lei de Bases da Saúde10, na Carta dos Direitos e Deveres do Doente Hospitalizado o direito à continuidade dos cuidados. Segundo o PNSD 2015-2020 “As instituições prestadoras de cuidados de saúde devem implementar procedimentos normalizados para assegurar uma comunicação precisa e atempada de informações entre profissionais de saúde, evitando lacunas na comunicação, que podem causar quebras graves na continuida-de de cuidados e no tratamento adequado, potenciando assim, os incidentes com dano para o doente” .

Um dos sistemas desenvolvidos para a partilha de informação em saúde é PDS, que disponibiliza um sistema central online de registo e partilha de informação clínica de acordo com os requisitos da Comissão Nacional de Proteção de Dados. Esta ferramenta permite o acesso a informação do cidadão que tenha número de utente, aos profissionais de saúde em diversos pontos do SNS (hospitais, urgências, cuidados primários, rede nacional de cuidados continuados) com segurança. Este acesso pode ser auditado e gerido pelo próprio utente através do Portal do Utente. Esta partilha de informação potenciará ganhos em saúde e facilitará os processos diagnósticos e de orientação de doentes. Tem potencialidades para vir a ser um veículo de melhoria de registos clínicos, de avaliação e garantia de qualidade dos registos, dos processos de conduta clínica, detecção de erro clínico e desenvolvimento de investigação (Sousa, 2005)11.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Apesar desta centralização e uniformização de informação, atualmente não estar rentabilizada pelos profissionais de saúde e pelo cidadão, acreditamos que num futuro próximo a potencialidade deste portal a nível nacional e internacional, possa garantir de forma inequívoca a segurança e continuidade na comunicação do doente e consequente melhoria da qualidade dos cuidados. Não se pode deixar de salientar que, a Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015-2020 no ponto VI - Operacionalização”, refere que “para melhorar a qualidade e a segurança dos cuidados prestados pelo SNS, todos os recursos disponíveis são imprescindíveis, principalmente num contexto de escassez, devendo os mesmos ser aproveitados, pelos cidadãos e profissionais de saúde, numa lógica de complementaridade, para que se faça melhor e se obtenham melhores resultados a custo baixo”. O cidadão tem expectativas elevadas e é cada vez mais interventivo na prevenção e gestão da sua própria saúde. A comunicação eficaz determina a procura do conhecimento que os cidadãos têm para implementar os cuidados que necessitam para modificar comportamentos de risco.

Conclusão

Pretendemos nesta apresentação, abordar a temática da comunicação em saúde e relacioná-la com a segurança do doente, tendo como base as orientações da OMS e PNSD 2015- 2020. Incluímos na nossa abordagem, os aspectos relacionados com a comunicação entre os profissionais de saúde e os doentes e a comunicação entre e intraequipas de saúde.

É importante salientar a necessidade de centralizar a comunicação no doente, respeitando-o como um elemento proativo no seu processo de saúde/doença, de forma a poder tomar decisões conscientes e esclarecidas, mas tam-bém importa que a comunicação entre os todos profissionais de saúde, seja um processo consistente e efetivo, quer em situações especialmente críticas quer no seu funcionamento diário, garantido a segurança e continuidade de cuidados. Para além destas premissas é de salientar que para otimizar a segurança e continuidade dos cuidados prestados pelo SNS, todos os recursos disponíveis são imprescindíveis devendo os mesmos ser aproveitados, pelos cidadãos e profissionais de saúde, numa lógica de complementaridade, para que se faça melhor e se obtenham melhores resultados e ganhos em saúde.

Referências bibliográficas1 Portugal – Plano Nacional de Segurança do Doente 2015-2020. DR 2º Série n º 28, 2015.

2 WHO collaborating centre for patient safety releases – Nine Life-saving patient safety solutions: WHO News. InternjRisksafMed 2007; 19:171-3.

3 WHO – World Alliance for patient safety. Forward programme 2006-2007. Geneva: World Health Organisation; 2006.

4 Barbosa, Alcindo Maciel – A Organização interna e a Governação dos Hospitais. Lisboa: Ministério da Saúde – Secretaria Ge-ral,2011.

5 Stein et al. – Enhancing Clinician Communication Skills in a Large Heath care Organization: a Longitudinal Case Study. Patient Edu. Couns , 2005.

6 Olser W. – Aequanimitas with other addresses to medical students, nurses, and practitionners of medicine. Philadelphia: Blakis-ton`s Son & Co; 1904.

7 Santos, Margarida et al. – Comunicação em saúde e a segurança do Doente: problemas e Desafios, Revista Portuguesa de Saúde Pública, 2010, vol temat (10) 47-57.

8 Araújo, Sara; Faria, João; Cruz, José – Propostas de Melhoria da Segurança dos Sistemas de Informação Clínica em Portugal. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. 2007.

9 Portugal – Comissão de Informatização Clínica – Despacho nº 2784/2013.

10 Portugal – Lei de Bases da Saúde; Decreto lei n.º 48/1990.

11 Sousa, Artur Ferreira Sousa – Um modelo de organização e partilha de Informaçãode enfermagem entre o hospital e centro de saúde: estudo Delphi. Acta Paul Enferm. 2005, 18(4):368-81.

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II • Comunicações

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Inteligência emocional em gestores de enfermagemEmotional intelligence in nursing managers

Fernando António Neto Teixeira de SousaDoutorando em Gestão, Enfermeiro Chefe no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Portugal. E-mail: [email protected].

Maria Manuela Frederico FerreiraDoutorada em Ciências Empresariais. Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

Fernanda Maria Duarte NogueiraDoutorada em Gestão. Professora Auxiliar com Agregação. Universidade de Lisboa - Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Lisboa.

Resumo

Atualmente a Inteligência Emocional (IE) assume destaque no contexto organizacional.

A investigação realizada, “IE em Gestores de Enfermagem”, pretendeu avaliar o impacto da formação na IE percebida pelos Enfermeiros Gestores (EGs), na importância que atribuem à sua qualidade de vida no trabalho e na relação com os enfermeiros que com eles colaboram.

Desta investigação fazem parte quatro estudos, em que utilizámos metodologia quantitativa e qualitativa e diferentes instrumentos de recolha de dados: Trait Meta-Mood Scale; Inventário da Qualidade de Vida no Trabalho; Inventário do Stresse Profissional. Inclui-se também um programa de formação e a avaliação do seu impacto.

Verificámos que a IE total percebida pelos EGs subiu após a formação. Corroborámos a existência de relação entre a IE e a Qualidade de Vida no Trabalho.

Na relação também se verificaram mudanças nomeadamente: maior proximidade com a Equipa, melhoria da comu-nicação e maior atenção aos sentimentos dos outros.

Descritores: Enfermeiras Administradoras; Inteligência Emocional.

Abstract

Currently, Emotional Intelligence (EI) is particularly relevant within organizational contexts.

Bearing this in mind, and given the interest in exploring the role of EI in Nursing Managers, the current study aimed to evaluate the impact of the EI training in perceived EI in Nursing Managers within one healthcare organization.

The current research consisted of four studies, in which quantitative and qualitative research methods were em-ployed: Trait Meta-Mood Scale, the Quality of Life at Work Inventory and the Work-Related Stress Inventory. The study encompassed the training needs assessment of Nurse Managers with regards to EI, as well as the development of a training programme in EI for Nurse Managers and its implementation to that population. In the final study, the

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impact of the training programme was assessed, in terms of the perceived EI and its influence in quality of life at work and interpersonal relationships within the teams under their supervision.

We have found that the total IE perceived by EGs rose after formation. We corroborate the existence of a relationship between the IE and the Quality of Life at Work. In the relationship there have also been changes in particular: greater proximity to the team, improved communication and more attention to the feelings of others.

Keywords: Nurse Administrators; Emotional Intelligence.

Atualmente a IE assume destaque no contexto organizacional, gerando amplas discussões sobre a sua importância no desenvolvimento organizacional e no desenvolvimento e envolvimento dos seus colaboradores. As capacidades da IE são, na opinião dos investigadores, desenvolvidas na infância, mas simultaneamente, flexíveis e capazes de serem desenvolvidas e alteradas ao longo da vida da pessoa.

Considerando que a IE é fundamental na gestão em Enfermagem e que nas palavras de Goleman esta pode ser aprendida e desenvolvida ao longo da vida, desenhamos um estudo “IE em Gestores de Enfermagem” tendo como objetivo geral: avaliar o nível de inteligência emocional percebida dos EGs de um Centro Hospitalar Universitário, a sua variação perante um programa de formação e a importância que atribuem à sua qualidade de vida no trabalho (QVT).

Desta investigação fazem parte quatro estudos, em que utilizámos metodologia de investigação quantitativa e qua-litativa e diferentes instrumentos de recolha de dados: Trait Meta-Mood Scale; Inventário da QVT; Inventário do Stresse Profissional. Delineámos o programa de formação “IE em Gestores de Enfermagem” e implementámo-lo. Por último realizámos a avaliação do impacto da formação na IE percebida pelos EGs, na importância que atribuem à QVT e na relação que mantém com os Enfermeiros das Equipas que gerem.

Estudo 1 – Identificação do nível de inteligência emocional percebida pelos EGs.

Estudo 2 – Estudo da relação entre o nível de inteligência emocional percebida pelos EGs, a qualidade de vida no trabalho e o nível de stresse profissional.

Estudo 3 – Formação “Inteligência emocional em gestores de Enfermagem”.

Estudo 4 – Avaliação do impacto da formação “Inteligência emocional em gestores de Enfermagem” no nível de inteligência emocional percebida pelos EGs e na importância atribuída à QVT.

A população acessível coincidiu com a população alvo, sendo constituída por 102 EGs. As amostras (diferentes em cada estudo) foram obtidas através de um método de amostragem probabilística.

Os EGs que participaram nesta investigação possuem valores médios de IE percebida elevados, tanto na escala total da TMMS como nas suas subescalas (Atenção, Clareza e Reparação). Relativamente à QVT os EGs valorizam mais aspetos relacionados com o trabalho, a família e o equilíbrio trabalho/família, contrariamente os aspetos re-lacionados com a carreira, a promoção e o reconhecimento profissional são os menos valorizados. Confirmámos a existência de uma associação, embora baixa, entre a IE percebida pelos EGs e a sua QVT, isto é, os EGs com maior IE percebida apresentam maior QVT. Não se verificou uma associação, estatisticamente significativa, entre a IE e o Stresse Profissional dos EGs. No entanto evidenciou-se que os EGs que mostraram um maior desenvolvimento das dimensões “Clareza” e “Reparação” da IE percebida vivenciam níveis mais baixos de Stresse Profissional. O nível de stresse experienciado pelos EGs diminui quando estes possuem uma maior IE percebida. Estes Enfermeiros, seis meses após terem frequentado o Programa de Formação “IE em Gestores de Enfermagem”, apresentavam um nível de IE percebida superior ao que possuíam antes da formação. Adveio ainda deste estudo a possibilidade de afirmar-mos que a IE percebida pelos EGs influencia a importância que estes atribuem à QVT. Relativamente ao impacto da formação “IE em Gestores de Enfermagem” na relação dos EGs com os Enfermeiros das suas Equipas concluímos que houve alterações que se devem ao desenvolvimento da competência interpessoal destes Enfermeiros, nomeada-mente uma maior manifestação das emoções perante a Equipa, uma maior valorização das emoções dos outros, uma maior afetividade na relação e uma melhoria da comunicação Enfermeiro Gestor/Enfermeiro.

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Desta investigação concluímos que a IE total percebida pelos EGs subiu após a formação e corroborámos a existência de relação entre a IE e a QVT. Na relação dos EGs com os Enfermeiros das Equipas que gerem concluímos que se verificaram mudanças nomeadamente: maior proximidade com a Equipa, melhoria da comunicação e maior atenção aos sentimentos dos outros. Estas conclusões levam-nos a afirmar que a implementação de programas de formação em IE é uma ferramenta imprescindível na gestão de Recursos Humanos, na Qualidade de Vida dos EGs e na concre-tização dos objetivos das Organizações de saúde.

Referências bibliográficas

Goleman D. — Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva; 2001.

Queirós M.M., et al. — Validação e fiabilidade da versão portuguesa modificada da Trait Meta-Mood Scale. Revista de Psicologia, Educação e Cultura. 2005, 9, 199-216.

Rafael M., Lima, M.R. — Inventário sobre a Qualidade de Vida no Trabalho (IQVT-I/F). Versão experimental para investigação. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação; 2008.

Salovey P., et al. — Emotional attention, clarity, and repair: exploring emotional intelligence using the Trait Me-ta-Mood Scale. In Pennebaker, J. W., Emotion, Disclosure, and Health (pp. 125-151). American Psychological Asso-ciation: Washington; 1995.

Spielberger C.D., Vagg P.R. — Job stress survey. Professional manual. Odessa: Psychological Assessment Resources; 1999.

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A cultura de segurança do cliente nas Unidades de Cuidados Continuados Integrados em PortugalThe patient safety culture in Long-Term Care Units in Portugal

Susana Marisa Lourenço dos SantosRN - Diretora Técnica na Unidade de Cuidados Continuados Integrados da ABEI. E-mail: [email protected].

Pedro Bernardes LucasPhD, MSc, MScN, RN – Professor Adjunto do Departamento de Administração em Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Estudo integrado na Linha de Investigação “Ambiente organizacional na saúde: qualidade e gestão de cuidados” da Unidade de Investigação & Desenvolvimento em Enfermagem (UI&DE) da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Resumo

Objetivo: Avaliar a cultura de segurança do cliente, percecionada pelos enfermeiros das Unidades de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) em Portugal.

Método: Estudo quantitativo, observacional-descritivo e transversal. População-alvo: 86 enfermeiros, de 10 UCCI. Instrumento de colheita de dados: Nursing Home Survey on Patient Safety Culture.

Resultados: Foram identificados pontos fortes nas dimensões “Trabalho em equipa”, “Feedback e comunicação sobre a existência de incidentes”, “Perceção geral da segurança do cliente” e “Expectativas dos superiores hierár-quicos em relação à promoção da segurança do cliente”. Identificam-se como prioridades emergentes de melhoria as dimensões “Resposta não punitiva ao erro”, “Abertura para a comunicação” e “Aprendizagem organizacional”.

Conclusões: Os enfermeiros gestores devem encontrar estratégias para promover ou melhorar a cultura de segu-rança do cliente, consciencializando-se que desempenham um papel fulcral na determinação do ambiente da prática profissional. Neste estudo, identificam-se implicações muito pertinentes para a prestação de cuidados, gestão em enfermagem, investigação e políticas de saúde.

Descritores: Cultura organizacional; Segurança do Paciente; Casas de Saúde.

Abstract

Objective: To evaluate the patient safety culture, as perceived by nurses of Long-Term Care Units (LTCU).

Methods: Quantitative, observational, descriptive and cross-sectional study. Participants are 86 nurses, of 10 LTCU. Data collection instrument: Nursing Home Survey on Patient Safety Culture.

Results: This study identified strengths in the dimensions: “Teamwork”, “Feedback and communication about in-cidents”, “Overall Perceptions of Resident Safety” and “Supervisor Expectations and Actions Promoting Resident

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Safety”. It also identified emerging priorities for improving the dimensions: “Nonpunitive Response to Mistakes” “Communication Openness” and “Organizational Learning”.

Conclusions: The nurse managers must find strategies to promote or improve patient safety culture, by under-standing that they execute a key role in determining a safe environment for this professional practice. In this study it was identified implications very pertinent for the nursing care, nursing management, research and health policies.

Keywords: Patient Safety; Organizational Culture; Nursing Homes.

Introdução

O presente estudo de investigação teve como temática central a cultura de segurança do cliente, enquanto compo-nente chave da qualidade dos cuidados de saúde. Em Portugal, as UCCI são um dos contextos de internamento, sobre o qual a investigação ainda é residual na área da qualidade dos cuidados e segurança do cliente. Assim, a questão de investigação foi: “Qual a cultura de segurança do cliente nas UCCI?”. O objetivo geral foi “avaliar a cultura de segurança do cliente, percecionada pelos enfermeiros das UCCI”, sendo que especificamente se pretendeu identi-ficar as dimensões que mais contribuem para o desenvolvimento da cultura de segurança e identificar a importância desta na gestão e organização das UCCI.

Método

Estudo quantitativo, observacional-descritivo e transversal. A população-alvo foi de 86 enfermeiros, de 10 unidades de internamento. O instrumento de colheita de dados utilizado foi o questionário Nursing Home Survey on Patient Safety Culture.

Resultados e Discussão

A população-alvo apresenta o seguinte perfil: sexo feminino (83%), com idades entre 26 e 30 anos (48,7%), categoria profissional de enfermeiro (80%), tempo de atividade entre 3 e 5 anos (29,7%) e exercício profissional na atual UCCI de 3 a 5 anos (36,8%).

Foram identificados pontos fortes nas dimensões: Trabalho em equipa, Feedback e comunicação sobre a existência de incidentes, Perceção geral da segurança do cliente e Expectativas dos superiores hierárquicos em relação à pro-moção da segurança do cliente. Os resultados obtidos na dimensão “Trabalho em equipa” vão ao encontro de outros estudos recentes (1-3), com exceção de 2 estudos (4-5). A dimensão “Feedback e comunicação sobre a existência de incidentes” vai ao encontro de outros achados (1, 6), sendo no entanto contrariada por 2 estudos (4-5). Relati-vamente à “Perceção geral da segurança do cliente”, verificou-se que os dados são consonantes com os achados (1, 6), contrariando apenas 1 estudo (2). No que diz respeito às “Expectativas dos superiores hierárquicos em relação à promoção da segurança do cliente”, existe concordância com outros estudos (1, 3, 5).

Em contrapartida, identificam-se como prioridades emergentes de melhoria as dimensões: Resposta não punitiva ao erro, Abertura para a comunicação e Aprendizagem organizacional.

Em relação à dimensão “Resposta não punitiva ao erro”, os resultados revelaram-se concordantes com todos os estudos (1-6). A “Abertura para a comunicação” revela-se semelhante em 3 estudos (1, 3-4). Por fim, a “Aprendizagem organizacional” apresentou resultados muito díspares de 2 estudos (1, 5), no entanto semelhantes com outros dados (3).

Conclusões

Através deste estudo, os enfermeiros gestores das UCCI tiveram acesso à avaliação da cultura de segurança, pelo que assim lhes foi possível refletir e redirecionar eficazmente as suas intervenções, no sentido de encontrarem estratégias para promover ou melhorar a cultura de segurança do cliente. Verificou-se que perpetua um ambiente punitivo e dificuldade ao nível da comunicação, o que promove a subnotificação do erro, dificultando assim a aprendizagem organizacional. Depreende-se, assim, a existência de um ambiente organizacional que não se coaduna com a filosofia

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de inovação e melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem cada vez mais preconizada e exigida pelas UCCI. Desta forma, é essencial os enfermeiros gestores consciencializarem-se que desempenham um papel fulcral na determinação do ambiente da prática profissional. Considera-se pertinente desenvolver estudos de inves-tigação que avaliem não só a cultura atual mas também a cultura desejada e se esta é congruente com os modelos de gestão e estudos que se focalizem em variáveis de eficiência microeconómica, de modo a gerar melhores cuidados, com menor custo.

Referências bibliográficas

1 — Agency for Healthcare Research and Quality (USA), Surveys on Patient Safety Culture. Nursing Home on Patient Safety Culture: 2011 User Comparative Database Report. USA: AHRQ; 2011.

2 — Hughes C, Lapane K. Nurses’ and nursing assistants’ perceptions of patient safety culture in nursing homes. International Journal for Quality in Health Care. 2006; 18(4), 281-286.

3 — Handler S, Castle N, Studenski S, Perera S, Fridsma D, Nace D et al. Patient safety culture assessment in the nursing home. Quality and Safety in Health Care. 2006. 15, 400–404.

4 — Castle N, Sonon K. A culture of patient safety in nursing homes. Quality and Safety Health Care. 2006; 15(6), 405-408.

5 — Wagner L, Capetuzi E, Rice J. Nurses’ Perceptions of Safety Culture in Long-Term Care Settings. Journal of Nursing Scholarship. 2009; 41(2), 184–192.

6 — Agency for Healthcare Research and Quality (USA), Surveys on Patient Safety Culture. Nursing Home on Patient Safety Culture: 2014 User Comparative Database Report. USA: AHRQ; 2014.

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O contributo do enfermeiro gestor para a qualidade dos cuidados de enfermagemThe contribution of nurse manager for quality nursing care

Olga Maria Pimenta Lopes RibeiroDoutoranda em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar- Universidade do Porto. Mestre em Ciências de Enfer-magem. Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Reabilitação. Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem Santa Maria. E-mail: [email protected].

João Miguel Almeida Ventura da SilvaMestre em Ciências de Enfermagem. Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Reabilitação. Enfermeiro - Centro Hospitalar de São João- Pólo São João, Serviço de Urologia.

Ana da Conceição Alves FariaMestre em Enfermagem de Reabilitação. Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Reabilitação. Enfermeira - Centro Hospitalar de Médio Ave- Unidade de Santo Tirso, Serviço de Cirurgia.

Resumo

Com este estudo pretendemos conhecer a evidência científica sobre o contributo dos Enfermeiros Gestores na qualidade dos cuidados de enfermagem. Para tal, recorremos a uma revisão integrativa da literatura com publicações de 2010 a 2015. Obtivemos 48 artigos e destes selecionamos e analisamos 7, pois ressaltavam o contributo dos Enfermeiros Gestores, para a qualidade dos cuidados de saúde. Os dados foram categorizados em: segurança do doente; atendimento das necessidades das pessoas; organização dos cuidados de saúde; saúde dos profissionais de saúde e comprometimento dos profissionais na missão da Instituição. As evidências mostraram a importância dos Enfermeiros Gestores na qualidade dos cuidados de enfermagem, assumindo um papel fundamental na garantia da segurança; na gestão das necessidades das pessoas, por vezes negligenciadas pelos profissionais nas rotinas dos cui-dados de saúde; na motivação e comprometimento dos enfermeiros, de acordo com a visão da Instituição de saúde e no acompanhamento da saúde dos colaboradores.

Palavras-chave: qualidade dos cuidados de saúde, cuidados de enfermagem; gestores de saúde.

Abstract

With this study we intend to know the scientific evidence on the contribution of nurses managers in the quality of health care. To do this, we turn to an integrative literature with publications 2010 to 2015. We obtained 48 articles and these selected and analyzed 7 because they evidence the contribution of Nurses Managers, for the quality of health care. Data were categorized into: patient safety; meeting the needs of the people; organization of health care; health of health professionals and commitment of the professionals in the institution’s mission.

Evidence showed the importance of Nurses Managers in the quality of nursing care, assuming a key role in ensuring security; the needs of people management, often neglected by professionals in the routine of health care; the mo-tivation and commitment of nurses, according to the vision of the institution of health and monitoring the health of employees.

Keywords: quality of health care, nursing care; health managers.

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Introdução

A definição de qualidade tem vindo a influenciar os conceitos de qualidade em saúde e, consequentemente, de qualidade dos cuidados de enfermagem. A mesma remonta a Florence Nightingale (século XIX), com ênfase em Donabedian nos anos 60. Assim, pode ser definida consoante o contexto em que se enquadra e, a natureza e o alcance das responsabilidades de quem procura defini-la.(1) Neste sentido, e dada a pertinência da temática, a Ordem dos Enfermeiros (OE) em 2014 reconheceu as competências específicas do Enfermeiro Gestor, de tal modo que em 2015 foram regulamentadas em Diário da República, sendo-lhe assim atribuída responsabilidades na garantia da qualidade e segurança dos cuidados de enfermagem, através da prática profissional, ética e legal; da gestão de cuidados e serviços; da intervenção política e da assessoria e do desenvolvimento profissional.(2) Neste sentido, corroborando vários autores, a garantia da qualidade dos cuidados de enfermagem é fundamental nos dias de hoje, pelo que se justifica conhecer a evidência científica sobre o contributo dos Enfermeiros Gestores na qualidade dos cuidados de enfermagem.(3-5)

Método

Recorreu-se a uma revisão integrativa da literatura, tendo-se eleito a plataforma EBSCOhost e selecionado as bases eletrónicas Academic Search Complete, Medline, Mediclatina e CINAHL, com recurso às palavras-chave: qualidade dos cuidados de saúde, cuidados de enfermagem e gestores de saúde. Para além disso, foram aceites publicações de 2010 a 2015, com texto completo, nos idiomas de inglês, espanhol e português e excluíram-se artigos relativos a cuidados espirituais em enfermagem.

Resultados

Obtiveram-se 48 artigos e destes selecionaram-se 7 para análise, pois ressaltavam o contributo dos Enfermeiros Gestores, para a qualidade dos cuidados de saúde. A análise permitiu organizar os resultados em temas como: a segurança do doente; o atendimento das necessidades das pessoas; a organização dos cuidados de saúde; a saúde dos profissionais de saúde e o comprometimento dos profissionais na missão da Instituição. Por conseguinte, os achados levaram-nos a conhecer o contributo do enfermeiro gestor na qualidade dos cuidados de enfermagem, tal como Fradique e Mendes (2013) defendem ser o elemento-chave dentro de uma equipa multidisciplinar ao orga-nizar o planeamento dos cuidados, ao garantir a segurança do doente e dos profissionais de saúde e ao motivar a equipa que lidera.(6-7)

Conclusões

As evidências mostram a importância dos Gestores de saúde, em particular os Enfermeiros Gestores na garantia da segurança dos doentes.(8) Ao liderar a equipa de Enfermagem, o Enfermeiro Gestor promove que seja assegurada a qualidade dos cuidados de enfermagem, dando enfoque às necessidades dos doentes e famílias(9), acompanhando a saúde dos colaboradores, prevenindo e gerindo riscos ocupacionais e motivando a equipa de enfermagem na missão e visão da Instituição de saúde.(7-10) Contudo, ficam por estudar os indicadores sensíveis aos cuidados do Enfermeiro gestor, sendo desta forma uma área a explorar em futuros estudos.

Referências bibliográficas

1 — Donabedian A. — Evaluating the Quality of Medical Care. The Milbank Quarterly. 2005 Dec; 83 (4): 691–729.

2 — Portugal — Regulamento n.º 101/2015 Regulamento do Perfil de Competências do Enfermeiro Gestor. Diário da República, 2.ª série — N.º 48 — 10 de março de 2015.

3 — Bender M. — Conceptualizing clinical nurse leader practice: an interpretive synthesis. Journal of Nursing Management, 2015 Feb5.

4 — Letvak S, Ruhm C, Gupta S. — Differences in health, productivity and quality of care in younger and older nurses. Journal of Nursing Management. 2013 Oct; 21 (7): 914-921.

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5 — Molazem Z, Ahmadi F, Mohammadi E, Bolandparvaz S. — Improvement in the nursing care quality in general surgery wards: Iranian nurses’ perceptions. Scandinavian Journal Of Caring Sciences. 2011 Jun; 25 (2): 350-356.

6 — Fradique MJ, Mendes L. — Efeitos da liderança na melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência. 2013 Jul; III (10): 45-53.

7 — Richardson A, Storr J. — Patient safety: a literative review on the impact of nursing empowerment, leadership and collaboration. International Nursing Review. 2010 Mar; 57 (1): 12-21.

8 — Revuelta R, Francisco J. — Presentismo en Enfermería. Implicaciones en seguridad del paciente. Posibilidades de control y reduc-ción. Enfermería Global. 2014 Jul; 13 (35): 362-373.

9 — Haraden C, Leiten J. — Scotland’s Successful National Approach To Improving Patient Safety In Acute Care. Health Affairs. 2011 Apr; 30 (4): 755-763.

10 — Chang CW, Huang HC, Chiang CY. — The relationships among social capital, organisational commitment and customer-oriented prosocial behaviour of hospital nurses. Journal Of Clinical Nursing. 2011 May; 20 (9-10): 1383-1392.

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A liderança e os modelos para a prática profissional de enfermagem

Olga Maria Pimenta Lopes RibeiroDoutoranda, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, Porto, Portugal. Professora adjunta, Escola Superior de Enferma-gem de Santa Maria, Porto, Portugal. Enfermeira, Unidade de Cuidados Intermédios de Medicina, Centro Hospitalar de São João, Porto, Portugal. E-mail: [email protected]

Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva MartinsProfessora coordenadora, Escola Superior de Enfermagem do Porto - CINTESIS, Porto, Portugal.

Daisy Maria Rizatto TronchinProfessora associada, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Introdução

O atual ambiente de cuidados de saúde, as condições económicas e culturais, têm criado uma oportunidade ideal para os enfermeiros refletirem sobre a prática e definirem um novo rumo para a profissão de enfermagem (Erickson e Ditomassi, 2011). Os modelos para a prática profissional de enfermagem apesar de fornecem uma estrutura para definir esse novo rumo e proporcionarem as bases para uma prática de enfermagem de qualidade, exigem uma lide-rança de enfermagem visionária capaz de orientar os enfermeiros no sentido de uma prática profissional exemplar (Slatyer et al., 2015; Stallings-Welden e Shirey, 2015).

Objetivos

Identificar e analisar a produção científica relativamente à temática da liderança, no âmbito dos modelos para a prática profissional de enfermagem, publicada entre janeiro de 2005 e julho de 2015.

Metodologia

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, cuja colheita de dados foi realizada em agosto de 2015, nas bases de dados CINAHL, MEDLINE, SCIELO, Web of Science e Scopus, utilizando os descritores: nursing, professional practice model e leadership. Decorrente dos critérios de inclusão, identificaram-se 19 artigos.

Resultados

A análise dos artigos permitiu identificar quatro temáticas: a liderança enquanto componente dos modelos para a prática profissional de enfermagem; os contributos da liderança no desenvolvimento dos modelos para a prática profissional de enfermagem; a importância da liderança na implementação dos modelos para a prática profissional de enfermagem e a importância da liderança na avaliação do impacto dos modelos para a prática profissional de enfermagem nos resultados dos doentes e dos enfermeiros.

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Conclusão

Este estudo permitiu identificar que os modelos para a prática profissional de enfermagem constituem desafios sig-nificativos, sendo a liderança em enfermagem um fator crítico para o sucesso desses modelos enquanto ferramentas para alcançar a excelência e segurança dos cuidados de enfermagem prestados.

Referências bibliográficas

1 — Erickson JI, Ditomassi M. — Professional Practice Model: Strategies for Translating Models into Practice. Nurs Clin North Am. 2011; 46(1):35-44.

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3 — Stallings-Welden LM, Shirey MR. — Predictability of a Professional Practice Model to Affect Nurse and Patient Outcomes. Nurs Admin Q. 2015; 39(3):199-210.

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Liderança e gestão do cuidado na prática segura do cateter urinário intermitenterelato de experiência

Leadership and management of care in the safe practice of intermittent urinary catheter: experience report

Laís FumincelliEnf.ª, Aluna de Doutorado do Programa de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP), Brasil. E-mail: [email protected].

Alessandra MazzoProfessora Associada do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da EERP-USP, Brasil. José Carlos Amado Martins

Professor Coordenador da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Portugal.

Fernando Manuel Dias HenriquesVice-presidente da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Portugal.

Rodrigo Alexandre Lourenço RamosEnfermeiro Diretor do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, Portugal.

Resumo

Este estudo tem objetivo de relatar a experiência vivenciada na liderança e gestão do cuidado aos pacientes que utilizam o cateter urinário intermitente pelo enfermeiro e equipe de saúde. Dentre os principais resultados na prática do enfermeiro na liderança e gestão do cuidado do cateter urinário intermitente, destaca-se: a capacitação no ensino por meio de atividades educativas com pacientes e/ou seus cuidadores; o gerenciamento de materiais para procedimento; atuação em políticas públicas; e as investigações científicas em busca de atuar em busca das melhores evidências. Portanto, o cateterismo urinário gera custos e significativas mudanças nas atividades de vida diária, cabe ao enfermeiro garantir uma segura e qualificada prática deste procedimento e garantir uma melhor qualidade de vida aos pacientes.

Decritores: Cateterismo uretral intermitente, Liderança; Enfermagem.

Abstract

This study aims to report the experience of the leadership and management of care to patients who use intermittent urinary catheter by nurses and health professionals. Among the key findings in the nurse practice in leadership and management of intermittent urinary catheter care, stands out: training in teaching through educational activities with patients and / or their caregivers; materials management for procedure; performance in public policies; and scientific research in search of work in search of the best evidence. Therefore, urinary catheterization generates costs and significant changes in activities of daily living, it is the nurse ensure safe and qualified practice of this procedure and ensure a better quality of life for patients.

Keywords: Intermittent urethral catheterization; Leadership; Nursing.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Introdução

A liderança constitui uma das principais áreas de atuação da enfermagem. O seu exercício pelo enfermeiro propicia eficácia na organização e gestão do trabalho, uma vez que motiva a equipe de saúde a desempenhar uma prática profissional qualificada.(1)

Neste contexto, aos pacientes que utilizam o cateter urinário intermitente, o enfermeiro juntamente com uma equi-pe multidisciplinar apresenta um papel fundamental ao progresso do tratamento destes pacientes.(2) Conforme demonstrado em estudos anteriores, para efetividade da terapêutica, o enfermeiro atua na capacitação do paciente e/ou seu cuidador na prática segura do cateterismo urinário no domicílio.(2,3)

Neste sentido, este estudo tem objetivo de relatar a experiência vivenciada com pacientes que utilizam o cateter uri-nário intermitente em processo de reabilitação e com equipe de enfermagem na prática segura do cateter urinário.

Materiais e Métodos

Trata-se de um relato de experiência sobre as vivências com a assistência de enfermagem ao paciente que faz uso de cateterismo urinário intermitente. Este relato apresenta uma investigação descritiva por meio de uma ação que comunicam uma circunstância vivenciada no campo profissional de interesse da comunidade científica.(4)

Resultados

Dentre os principais resultados na prática do enfermeiro na liderança e gestão do cuidado ao paciente que utiliza cateter urinário intermitente, encontra-se a capacitação no ensino destes pacientes por meio de atividades educa-tivas com pacientes e/ou seus cuidadores para a prática segura do procedimento no domicílio dentro da realidade vivenciada. As atividades podem ser desempenhadas por meio de atividades grupais, consultas de enfermagem individuais, acompanhamento de diários miccionais entre outros.(2) A manutenção de materiais também é um dos papeies do enfermeiro na gestão do cuidado, uma vez que auxilia na aquisição dos materiais adequados, por exemplo, por meio de órgãos governamentais, de maneira a se evitar infecções urinárias e demais complicações. Em relação as políticas públicas e as investigações científicas, os enfermeiros podem atuar em busca das melhores evi-dências e trabalhar com a realidade dos pacientes, incentivando e atuando em políticas de saúde que proporcionem uma melhor qualidade e vida a estes pacientes.(2,3)

Conclusões

Quanto maior o apoio multiprofissional as questões multidimensionais do paciente em uso do cateterismo inter-mitente e/ou seu cuidador, maior será a adesão destes ao tratamento. Portanto, o cateterismo urinário gera custos e significativas mudanças relacionadas às suas atividades de vida diária, cabe ao enfermeiro e equipe de saúde garantir uma segura, adequada e qualificada prática deste procedimento.

Referências bibliográficas

1. Wong CA, Cummings GG, Ducharme L. — The relationship between nursing leadership and patient outcomes: a systematic review update. J Nurs Manag, 21:709–724, 2013.

2. Mazzo A. et al. — Intermittent urethral catheterization: descriptive study at a Brazilian service. Appl Nurs Res, 27(3): 170-174, 2014.

3. Girotti ME. et al. — Determining the variables associated to clean intermittent selfcatheterization adherence rate: one-year fol-low-up Study. Int Braz J Urol, 37(6):766-772, 2011.

4. Polit DF, Beck CT. — Fundamentos de Pesquisa em Enfermagem: avaliação de evidências para a prática da enfermagem. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Avaliação da cultura de segurança do doente no ACeS Espinho/GaiaEvaluation of the culture of the safety of the use in the ACeS Epinho/Gaia

Telma Marisa Santos SilvaEnfermeira no ACES Espinho/Gaia - USF S. Miguel. E-mail: [email protected].

Isilda Maria Ferreira CoutoEnfermeira no ACES Espinho/Gaia – UCSP Pedemoura.

Maria Goreti Ferreira de Oliveira AlvesMédica no ACES Espinho/Gaia – USF Aguda.

Sandra Cristina Antunes dos SantosTécnica de Higiene e Segurança no Trabalho no ACES Espinho/Gaia – USP.

Maria Cândida Ferreira dos Santos RibeiroVogal de Enfermagem do Conselho Clínico e de Saúde do ACES Espinho/Gaia.

Este trabalho foi efectuado no âmbito da formação em serviço intitulada “Da Segurança do Doente: Da Qualida-de e Segurança à Excelência Clínica”, promovida pela Administração Regional Saúde do Norte em parceria com a Associação Portuguesa do Desenvolvimento Hospitalar, formação esta coordenada pela Professora Doutora Margarida Eiras.

Resumo

Este trabalho teve como objetivo avaliar e monitorizar a cultura da segurança do doente (CSD) do ACeS Espinho/ Gaia e diagnosticar a CSD de forma a identificar forças/áreas de melhoria. Neste estudo quantitativo descritivo realizado em Maio de 2013 foi utilizado o questionário Medical Office Survey Patient Safety Culture adaptado para os cuidados de saúde primários portugueses, enviado por via eletrónica a todas as unidades funcionais do AceS. Foram recebidos analisados e tratados os dados por estatística descritiva e inferencial. Em Portugal, esta foi uma das primeiras avaliações nesta área de cuidados.

A taxa de adesão foi de 26.5%. Deverão ser implementadas intervenções a curto prazo, nas dimensões abertura na comunicação, apoio pela gestão de topo e pressão e ritmo de trabalho. As dimensões comunicação acerca do erro, processos administrativos e standardização e treino dos profissionais deverão ser alvo de intervenções a médio prazo.

Descritores: Cultura; Segurança do Paciente; Gestão de Riscos; Atenção Primária à Saúde.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Abstract

The objective of this work was to evaluate and monitor the culture of the safety of the user (CSU) of the ACeS Es-pinho/Gaia and diagnose the CSU areas that need improvement. In this descriptive quantitative study implemented in May 2013, we used the Medical Office Survey Patient Safety Culture questionnaire adapted to the portuguese primary health care, that was sent by email to all the ACeS units. The data was received and analyzed by descriptive and inferential statistics. In Portugal, this was one of the first evaluations in the care area.

The response rate was 26.5%. Short term interventions should be implemented in the following dimensions: open-ing to communication, support by the administration and pressure and pace of work. The dimensions that should be reviewed in the mid-term are: error communication, administrative procedures and standardization and professional training. t

Keywords: Culture; Patient Safety; Risk Management; Primary Health Care.

Introdução

A Segurança do Doente (SD) pode ser definida como a redução do risco de danos desnecessários relacionados com os cuidados de saúde, para um mínimo aceitável face à noção coletiva do conhecimento atual, recursos disponíveis e no contexto em que os cuidados foram prestados em oposição ao risco do não tratamento ou outro tratamento alternativo (.1)

A Cultura de Segurança de uma organização é o produto de valores individuais e de grupo, atitudes, capacidades de perceção, e modelos de comportamento que determinam o compromisso com a gestão da saúde e segurança de uma organização e o seu estilo e proficiência (1:110). A Cultura de Segurança está ligada não só com o compromisso da gestão com a segurança, o seu estilo de comunicação e liderança e as regras explícitas para a notificação de erros, mas também com a motivação, a percepção de erros e stress, a carga de trabalho, a fadiga, a assunção de riscos e as violações de regras /procedimentos dos colaboradores (.2). A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a União Europeia recomendam a avaliação da Cultura da Segurança do Doente (CSD) de forma a introduzir mudanças nos comportamentos dos profissionais /organizações.

Este trabalho teve como objetivo avaliar e monitorizar a CSD do ACeS Espinho/ Gaia e diagnosticar a CSD de forma a identificar forças/áreas de melhoria. Já existiam em 2013 avaliações da CSD em cuidados de saúde primários em vários países. Contudo em Portugal esta foi uma das primeiras avaliações nesta área de cuidados.

Método

Neste estudo quantitativo descritivo foi utilizado o questionário Medical Office Survey Patient Safety Culture adap-tado para os cuidados de saúde primários portugueses (.3). O questionário foi distribuído por via eletrónica entre 8-20 de Maio de 2013 a um total de 407 profissionais. Foram analisados e tratados os dados por estatística descritiva e inferencial.

Resultados

A taxa de adesão foi 26.5% (108 profissionais).

A amostra é constituída por 44% enfermeiros, 26% assistentes técnicos e 23% médicos.

Os profissionais consideram os cuidados de saúde prestados na unidade como equitativos, eficientes, oportunos, eficazes e centrados no utente.

Relativamente aos sistemas e procedimentos clínicos da unidade para prevenir, detectar e corrigir problemas que tenham potencial para afectar os utentes, os profissionais têm uma percepção positiva: muito bons (44%), bons (33%), excelentes (7%). Apenas 10% os consideram regulares ou 1% maus.

Os principais problemas na gestão e troca da informação ocorrem sobretudo na relação com hospitais (55%) e farmácias (49%), sendo a sua frequência variável.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Os profissionais pronunciaram-se ainda sobre a equipa médica, identificação do utente, acesso aos cuidados, regis-tos e processos clínicos, medicamentos, diagnóstico e exames complementares, sendo que globalmente os resul-tados são positivos (não ocorreram problemas os últimos 12 meses), sendo que as áreas mais problemáticas são a do medicamento e a dos diagnósticos e exames complementares. De realçar a existência de 35% de problemas no acesso aos cuidados, sendo que 11% desses problemas ocorre diariamente.

Os resultados médios por dimensão da Cultura de Segurança são: trabalho em equipa: 84%; aprendizagem organi-zacional: 84%; seguimento do doente: 83%; perceções gerais acerca da qualidade e da SD: 82%; comunicação acerca do erro: 63%; processos administrativos e standardização: 62%; treino dos profissionais: 61%; apoio pela gestão de topo: 40%; pressão e ritmo do trabalho: 40%; abertura na comunicação: 21%.

Os resultados desta investigação apresentam-se alinhados com os resultados internacionais.

Conclusões

Deverão ser implementadas intervenções a curto prazo nas dimensões abertura na comunicação, apoio pela gestão de topo e pressão e ritmo de trabalho. As dimensões comunicação acerca do erro, processos administrativos e stan-dardização e treino dos profissionais deverão ser alvo de intervenções a médio prazo.

O enfermeiro gestor deve: reflectir sobre a sua postura face à problemática da SD, promover um ambiente de resi-liência em relação ao erro e de proactividade na busca de soluções de melhoria; promover a comunicação aberta e o trabalho em equipa; liderar a reflexão crítica acerca da segurança das práticas quotidianas; contribuir para a consciencialização dos enfermeiros do risco inerente à sua actividade e incentivar a notificação de incidentes e de near misses. Contribuirá assim para práticas, ambiente e sistemas de trabalho mais seguros.

Referências bibliográficas

Direção Geral da Saúde (PT) — Departamento Qualidade em Saúde, Estrutura Concetual da Classificação Internacional sobre Segurança do Doente: Relatório Técnico Final. Lisboa. 2011.

Itoh, K., Andersen, H.B., Mikkelsen, K.L. — Safety culture dimensions, patient safety outcomes and their correlations. In: Waterson, P., editor. Patient Safety Culture Theory, Methods and Application. United Kingdom (UK): Ashgate; 2014. p.67-98.

Sorra J, Famolaro T, Dyer N, et al. — Medical Office Survey on Patient Safety Culture 2012 user comparative database report; 2012.

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Sistema de classificação de doentes em enfermagem – A auditoria interna

Patient classification system in nursing - internal audits

José Manuel Lúcio ChoraCurso de Estudos Especializados em Administração dos Serviços de Enfermagem, Mestre em Intervenção Socio-Organizacional em Saúde pela Uni-versidade de Évora. Enfermeiro Diretor no Hospital Espirito Santo Évora. E-mail: [email protected].

Resumo

O SCD/E relaciona-se com o ciclo de melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade e englobam 4 áreas: a responsabilidade da gestão estratégica, tática e operacional, a gestão de recursos humanos, a realização do produto/serviço de acordo com um padrão de qualidade previamente definido e a medição, análise e melhoria através do processo operacional de auditoria interna. Objetivos: Apresentar o processo operacional de auditoria interna, re-sultados e estratégias implementadas e descrever potencialidades da auditoria interna, como ferramenta de apoio à prestação de cuidados e gestão. Método: Foi efetuado um estudo descritivo e retrospetivo da auditoria interna do SCD/E do Hospital Espírito Santo Évora, durante o período de 2004-2014, foram contempladas 11790 auditorias internas. Resultados: Das auditorias efetuadas, 4787 foram consideradas corretas, foram elaboradas 9509 notas de não conformidade. Conclusões: Foram introduzidas medidas preventivas e corretivas face às não conformidades identificadas.

Descritores: Auditoria, Classificação, Doentes, Enfermagem.

Abstract

The SCD/E relates to the cycle of continuous improvement of the quality management system and includes four areas: the responsibility of strategic, tactical and operational, human resource management, product realization / service according to a previously defined quality standard and measurement, analysis and improvement through operational internal auditing process. Objectives: To present the operating internal auditing process, results and implemented strategies and describe the potential of internal audit as a support tool for the care and management. Methods: A descriptive and retrospective study of internal audit of the SCD / E Hospital Espírito Santo Évora was made during the period 2004-2014, were contemplated 11790 internal audits. Results: Of the audits carried out, 4787 was deemed correct was prepared 9509 notes of non-compliance. Conclusions: preventive and corrective measures in accordance with the non-compliances identified were introduced.

Keywords: Audit, Classification, Patients, Nurses.

Introdução

O Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem (SCD/E) é um sistema de informação para a gestão dos ser-viços de saúde, baseado na categorização dos doentes por indicadores críticos, de acordo com as necessidades em cuidados de enfermagem e segundo um padrão de qualidade definido. É o único sistema de classificação de doentes, desenvolvido pela ACSS apto para determinar indicadores: Horas de Cuidados Necessárias por dia de internamento (HCN/DI), as Horas de Cuidados Prestados por dia de internamento (HCP/DI) e a Taxa de Utilização de Pessoal de Enfermagem. Os seus objetivos são assegurar a gestão eficiente dos recursos de enfermagem; garantir a produção e monitorização de dados fiáveis e válidos por serviço e unidade hospitalar; identificar oportunidades de melhoria na

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

organização dos cuidados de enfermagem; proporcionar a visibilidade interna e externa dos cuidados de enferma-gem; contribuir para a uniformização de conceitos e linguagem no âmbito do SCD/E.

A coordenação do Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem (SCD/E) está a cargo do Ministério da Saúde – Administração Central do Sistema de Saúde IP. Na construção do SCD/E foi utilizado a GRASP (Grace Reynolds Application Study of Peto). O SCD/E encontra-se implementado em 49 hospitais/centros hospitalares. Em 1988 o Hospital Distrital de Évora integrou este projeto de âmbito nacional. O estudo que apresentamos tem como objetivos apresentar o processo operacional de auditoria interna, resultados e estratégias implementadas; descrever potencialidades da auditoria interna, como ferramenta de apoio à prestação de cuidados e gestão.

O SCD/E está operacionalizado nas unidades de internamento, tendo subjacente a utilização dos quadros de classi-ficação de doentes concebidos pela ACSS. Aplica-se a todos os utentes/doentes/clientes em que o tempo de interna-mento é superior ou igual a 24 horas. O SCD/E pressupõe a realização de auditorias internas. Os objetivos da Audi-toria Interna são determinar o grau de cumprimento dos requisitos do SCD/E; validar os resultados da classificação de doentes e a informação produzida no ciclo diário de utilização do sistema; promover melhorias na organização; contribuir para a garantir da melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem.

Método

Foi efetuado um estudo descritivo da auditoria interna do SCD/E do Hospital Espirito Santo Évora, de 2004-2014, este estudo contempla 11790 auditorias internas, das quais 4787 foram consideradas corretas. As auditorias englo-baram os serviços dos departamentos:

• Médico (Cardiologia; Especialidades Médicas; Medicina 1 e 2);• Cirurgia e anestesiologia (Cirurgia 1 e 2; Ortopedia); • Mulher e da criança (Obstetrícia/Ginecologia e Pediatria); • Psiquiatria e Saúde Mental e Psiquiatria (Psiquiatria) e serviço de Convalescença.

Resultados

A percentagem média de classificações corretas foi de 40,73 e a percentagem de auditorias externas foi 79,81. Face aos resultados obtidos a Equipa de Auditores Internos estabeleceu estratégias de melhoria e de qualidade do desempenho tais como: Validação dos requisitos do SCD/E (metodologia cientifica da organização dos cuidados, metodologia de prestação de cuidados, distribuição equitativa de doentes); Implementação e parametrização das intervenções de enfermagem com linguagem classificada (CIPE ®); Atualização de diagnóstico de enfermagem e in-tervenções decorrentes de sugestões dos enfermeiros classificadores e da auditoria externa; Realização de formação de manutenção aos enfermeiros classificadores e enfermeiros chefes; Atualização de normas e procedimentos de boas práticas na Organização; Propor aos auditados oportunidades de melhoria contínua, face a não conformidades e aos relatórios das auditorias internas e externas; Análise e comunicação dos resultados (não conformidades dete-tadas) à equipa de enfermagem e aos enfermeiros chefes.

Conclusões

O processo de auditoria interna tem sido crucial na melhoria contínua da qualidade, junto dos enfermeiros presta-dores de cuidados e enfermeiros gestores, para garantir a credibilidade e fiabilidade de indicadores produzidos. A auditoria interna constitui uma ferramenta fundamental na adequação e transformação de processos de trabalho. Face aos resultados obtidos foi efetuada a revisão do padrão documental do hospital, e permitiu melhorar os registos planeamento execução e avaliação nas atividades de apoio e educação para saúde, permitiu a construção de uma tabela de compatibilização entre SCD/E e CIPE; atualização da norma de procedimentos de avaliação de parâmetros vitais e aperfeiçoamento das intervenções no planeamento na área de cuidados movimentação.

Bibliografia

Ministério da Saúde – Unidade operacional de financiamento e contratualização. 2010 Manual do Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem. Administração Central do Sistema de Saúde. Lisboa.

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O sistema de classificação de doentes em enfermagem Processo de gestão – auditoria externa

Patient classification system in nursing – Management process – external audits

Cristina Maria Barradas Moreira Duarte PaulinoLicenciatura em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica. Grupo Coordenador do Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem da Admi-nistração Central do Sistema de Saúde, IP, Enfermeira Chefe. E-mail: [email protected].

José Manuel Lúcio ChoraCurso de Estudos Superiores Especializados em Administração dos Serviços de Enfermagem, Mestre em Intervenção Sócio-Organizacional em Saúde pela Universidade de Évora. Enfermeiro Diretor no Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Maria Salomé de Matos CamarinhaLicenciatura em Enfermagem Médica Cirúrgica, Pós graduação em gestão de unidades de saúde. Grupo Coordenador do Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem da Administração Central do Sistema de Saúde, IP, Enfermeira Supervisora.

Resumo

O SCD/E relaciona-se com o ciclo de melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade e englobam 4 áreas: a responsabilidade da gestão estratégica, tática e operacional, a gestão de recursos humanos, a realização do produto/serviço de acordo com um padrão de qualidade previamente definido e a medição, análise e melhoria através do pro-cesso operacional de auditoria interna. Objetivos: Apresentar o Processo de Gestão da Auditoria Externa, do Siste-ma de Classificação de Doentes em Enfermagem e apresentar os resultados obtidos pela execução dos programas de auditoria externa do SCD/E. Método: Foi aplicada uma metodologia descritiva sobre o processo de auditoria exter-na. Através do sistema informático da ACSS, são efetuadas auditorias remotas aos hospitais que aderiram ao sistema e efetuado um estudo descritivo e retrospetivo das auditorias externas do SCD/E, durante o período de 2008-2014, foram contempladas 4783 auditorias externas. Resultados: Das auditorias efetuadas, 61,07 % foram consideradas corretas. Conclusões: Foram introduzidas medidas preventivas e corretivas face às não conformidades identificadas.

Descritores: Auditoria, Classificação, Doentes, Enfermagem.

Abstract

The SCD / E relates to the cycle of continuous improvement of the quality management system and encompass four areas: the responsibility of strategic, tactical and operational, human resource management, product realization / service according to a previously defined quality standard and measurement, analysis and improvement through operational internal auditing process. Objectives: To present the External Audit of the Management Process, System Patient Classification Nursing and present the results achieved by the implementation of the external audit programs of SCD / E. Method: a descriptive methodology of the external audit process was applied. Through the computer the ACSS system, remote audits are made to hospitals that joined the system and made a descriptive and retrospective of external audits of SCD / E during the period 2004-2018, were awarded 4783 external audits. Results: Of the audits done, 61,07 was deemed correct. Conclusions: We introduced preventive and corrective measures in view of the non-compliances identified.

Keywords: Audit, Classification, Patients, Nurses.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Introdução

Por Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem (SCD/E) entende-se o sistema de informação para a gestão dos serviços de saúde, baseado na categorização dos doentes por indicadores críticos de acordo com a dependência de cuidados de enfermagem, fornecendo dados para a gestão de recursos e planeamento de cuidados.

A coordenação do SCD/E é da responsabilidade do Ministério da Saúde – Administração Central do Sistema de Saúde IP.

Na construção do SCD/E foi utilizado a GRASP (Grace Reynolds Application Study of Peto).

O manual do Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem Edição 04, foi elaborado em 2010 tendo subja-cente a Norma Portuguesa da Norma Europeia da International Organization for Standardization NP ISO 9001:2008. A política de gestão do SCD/E assenta numa abordagem por processos que interagem e se inter-relacionam. Contem-pla 3 categorias de processos: Processos de Gestão; Processos Operacionais e Processos de Suporte.

Os Processos de Gestão fornecem as diretrizes, estratégias e recursos necessários ao funcionamento e desenvolvi-mento dos restantes processos. Englobam o processo de gestão do SCD/E e o processo medição, análise e melhoria contínua do SCDE e que visa estabelecer a política de melhoria continua através da medição, monitorização e reco-lha de dados. Este processo engloba a auditoria externa entendida como um processo sistemático, independente e documentado, realizado por auditores externos, com vista a validar os resultados da auditoria interna e avaliar os resultados das medidas corretivas implementadas na organização, decorrentes de não conformidades.

O SCD/E segue os princípios da NP EN ISO 9001:2008 e a Auditoria Externa os da NP EN ISO 19011:2012. Em 2015 cumpre-se o 19.º programa de auditorias externas do SCD/E.

Os objetivos da auditoria externa são: Determinar o grau de fiabilidade da utilização do SCD/E; Analisar as necessi-dades de melhoria no âmbito da aplicação do sistema; Validar os resultados da auditoria interna; Contribuir para a garantia de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem.

Objetivo

Apresentar o Processo de Gestão da Auditoria Externa, do Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem.

Metodologia

Foi efetuada uma analise descritiva do processo de auditoria externa através de programas informáticos da ACSS. Essa análise contempla 49 hospitais/centros hospitalares no período de 2008-2014.

Apresentação de resultados

A análise foi efetuada a 49 hospitais/centros hospitalares pela equipa de auditores externos. A composição das equipas é determinada pelo número de auditorias internas existentes em cada unidade de cuidados de cada hos-pital. Neste período temporal foram efetuadas 4783 auditorias externas, foram consideradas corretas 2920, o que corresponde 61,07 %.

Conclusão

O SCD/E enquadra-se nos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem, nos enunciados descritivos da quali-dade do exercício profissional, o bem-estar e o autocuidado e organização dos cuidados de enfermagem.

A auditoria externa constitui um processo estruturado que permite validar o processo de auditoria interna. Visa con-tribuir para a implementação de medidas corretivas e preventivas nas organizações hospitalares na área da prestação de cuidados de enfermagem. Neste período as medidas corretivas implementadas foram:

• Formação para Enfermeiros Classificadores, Auditores Internos e Externos e Enfermeiros Chefes.

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• Elaboração de normas orientadoras para a classificação e auditoria.

• Reunião com Enfermeiros Diretores.

• Registos na área de cuidados das intervenções autónomas de enfermeiros - atividade de apoio e educação para a saúde, de modo a contribuir para a visibilidade dos cuidados prestados.

• Garantir a fiabilidade dos indicadores de produção de enfermagem e o cumprimento dos pressupostos do SCD/E.

Bibliografia

Ministério da Saúde – Unidade Operacional de Financiamento e Contratualização – Manual do sistema de classificação de doentes em enfermagem. Administração Central do Sistema de Saúde. Lisboa, 2010.

Ministério da Saúde – Unidade Operacional de Financiamento e Contratualização – Relatórios anuais do sistema de classificação de doentes em Enfermagem. Administração Central do Sistema de Saúde, IP. Lisboa.

Ordem dos Enfermeiros – Padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem: enquadramento conceptual, enunciados descriti-vos. Ordem dos Enfermeiros. Lisboa, 2002.

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Quedas em doentes hospitalizadosContributos para uma prática baseada na prevenção

Falls in hospitalized patients. Contributions to a practice based on prevention.

Manuela Alexandra Rodrigues PintoCirurgia Geral do Hospital do Espírito Santo de Évora, E.P.E. Mestrado em Intervenção Sócio Organizacional da Saúde, na vertente Políticas de Gestão e Administração de Serviços de Saúde pela Universidade de Évora. E-mail: [email protected].

Ângela Maria Baguinho BarrosoCirurgia Geral do Hospital do Espírito Santo de Évora, E.P.E. Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica pelo Instituto Politécnico de Setúbal.

Ana Sofia Costa CaixeiroCirurgia Geral do Hospital do Espírito Santo de Évora, E.P.E. Mestrado em Intervenção Sócio Organizacional da Saúde, na vertente Políticas de Gestão e Administração de Serviços de Saúde pela Universidade de Évora.

Tânia Patrícia Cabo RelíquiasCirurgia Geral do Hospital do Espírito Santo de Évora, E.P.E. Licenciatura em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de São João de Deus.

Cristina Isabel Frangão MagroCirurgia Geral do Hospital do Espírito Santo de Évora, E.P.E. Pós graduação em Emergência na Saúde pelo Instituto de formação em Enfermagem.

Resumo

Os acidentes por quedas em contexto hospitalar constituem um evento de causa multifactorial, podendo determi-nar o aumento da morbidade e mortalidade. O objetivo deste estudo foi monitorizar a incidência de quedas, avaliar fatores de risco e contribuir para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem, através da prevenção de acidentes.

Estudo descritivo exploratório assente no paradigma quantitativo. População constituída por 39 utentes que sofre-ram quedas durante o internamento no 1º semestre de 2014 e 2015, no serviço de Cirurgia 1 do HESE. Registadas 39 quedas, 27 no quarto e 10 no WC. 20 Utentes apresentavam grau de risco elevado, 10 moderado e 6 reduzido. Como fatores de risco intrínsecos identificaram-se, a alteração do equilíbrio e a confusão, como extrínsecos, o pavimento molhado/escorregadio. Apresentaram consequências para o utente 16 dos casos. Conclui-se que as quedas poderiam ser evitadas através da melhoria da estrutura hospitalar e implementação de programas de prevenção.

Descritores: Acidentes por Quedas; Morbidade; Cuidados de enfermagem; Prevenção de acidentes.

Abstract

Accidents by hospital context falls constitute a cause multifactorial event, and may determine the increase in morbid-ity and mortality. The objective of this study was to monitor the incidence of falls, assess risk factors and contribute to improving the quality of nursing care by preventing accidents.

Descriptive exploratory study based on quantitative paradigm. Population consists of 39 users who have suffered

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falls during hospitalization in the 1st half of 2014 and 2015 in the surgical service 1 HESE. Registered 39 falls, 27 in the fourth and 10 on the toilet. 20 Users at high risk grade, 10 moderate and 6 reduced. As intrinsic risk factors were identified, shifting the balance and confusion, as extrinsic, wet / slippery. Presented consequences for the wearer of the 16 cases. We conclude that the falls could be prevented by improving the hospital structure and implementation of prevention programs.

Keywords: Accidental Falls; Morbidity; Nursing Care; Accident Prevention.

Introdução

As quedas em contexto hospitalar são um evento de causa multifactorial, podendo ser causa direta do aumento da morbidade e por vezes da mortalidade intra-hospitalar, especialmente entre a população idosa. As quedas em pessoas hospitalizadas constituem um problema de saúde traduzindo-se num importante indicador da qualida-de assistencial. Neste sentido, com o objectivo de promover e implementar Programas de Melhoria Contínua da Qualidade dos Cuidados de Enfermagem, o Conselho de Administração do HESE EPE, aprovou em 17 de Junho de 2009 a implementação da Escala de Morse nos serviços, de modo a avaliar o risco de queda e contribuir para a implementação de acções preventivas e correctivas que conduzissem à melhoria da qualidade dos cuidados. Assim, no momento do acolhimento é monitorizado o risco de queda, através do preenchimento de um formulário próprio pelo enfermeiro responsável pelo utente, com a sua colaboração. O enfermeiro faz esta avaliação em dias ímpares, sempre que existirem alterações nos padrões de factores de risco avaliados ou sempre que o utente seja transferido de serviço, registando estes dados no ALERT. Sempre que se verificam situações de acidentes por quedas, é efetuado um registo em papel, onde se descreve as condições em que o acidente ocorreu (data, hora, local, testemunhas), fatores de risco envolventes, medidas implementadas na altura e consequências imediatas do acidente.

Método

Estudo descritivo exploratório assente no paradigma quantitativo. População constituída por 39 utentes que so-freram acidente por queda durante o internamento no 1º semestre de 2014 e 1º semestre de 2015, no serviço de Cirurgia 1 do HESE.

Resultados

Nos 1ºs semestres de 2014 e de 2015 registaram-se 39 quedas no serviço de Cirurgia I do HESE EPE, 26 envolvendo indivíduos do sexo masculino e 13 do sexo feminino. A população envolvida é maioritariamente idosa. A maioria das quedas ocorreu no turno da noite com 16 casos (41%). 13 (33%) dos casos ocorreram no turno da tarde e 9 (23%) no turno da manhã. No quarto registaram-se 27 quedas (69%) e no WC 10 (26%). No que concerne à de avaliação de risco 51% dos casos apresentavam risco elevado de queda, 26% risco moderado e 15% baixo risco. Foram adotadas medidas preventivas em 36 (92%) dos casos ocorridos, segundo os autores do preenchimento dos formulários. Apenas em 13% dos casos as quedas foram presenciadas. A alteração do equilíbrio dos utentes e a confusão foram apontados como os fatores de risco intrínsecos principais da ocorrência de quedas. Como fator extrínseco foi maio-ritariamente apontado o pavimento molhado/escorregadio. 16 (41%) dos casos tiveram consequências diretas para o utente, sendo necessária a intervenção médica.

Discussão

A sintomatologia associada que favorece a ocorrência de quedas, nomeadamente, a confusão e a alteração do equilí-brio, estiveram significativamente presentes como causas das quedas. De destacar também as características do piso com fator de risco presente. As quedas têm diferentes causas, por isso as estratégias para prevenir cada uma delas são diferentes (1). Mais de 70% das quedas em utentes hospitalizados acontecem no quarto, e cerca de 19% ocorrem no trajecto de ida e volta para a casa de banho (2), o que vai de encontro aos dados obtidos. A diminuição significativa das quedas só se alcança mediante a conjugação de estratégias preventivas adequadas a cada situação, de acordo com a prévia avaliação efetuada.

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Conclusões

Foi possível concluir que a percentagem de quedas durante o turno da noite é relativamente elevada, sendo que a população que sofre maior número de quedas continua a ser maioritariamente idosa, apresentando grau de risco elevado ou moderado e com sintomatologia associada que favorece a ocorrência de quedas, nomeadamente, a con-fusão e a alteração do equilíbrio. De destacar também que a maioria dos utentes sofre quedas quando se encontra no quarto. Outro local onde também ocorrem quedas, são os sanitários, onde os utentes escorregam no piso molhado. Conclui-se que a maior parte das quedas poderiam ser evitadas através da melhoria da estrutura hospitalar e da implementação de programas de prevenção adequados. Por serem consideradas situações preveníveis ou evitáveis, deveria intervir-se nesta área. A prevenção deste tipo de acidentes, não só é possível como obrigatória, quando se pretende uma prestação de cuidados de excelência.

Referências bibliográficas

(1) Morse, J. – Preventing Patient Falls. 2nd. ed. Springer Pub., New York, 2009.

(2) Diccini, S.; Pinho,P.G.; Silva, F. O. – Avaliação de risco e incidência de queda em pacientes neurocirúrgicos. Revista Latino-Ame-ricana de Enfermagem v.16, n. 4 (2008): 752-757.

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Qualidade: Mar de oportunidades Experiência da acreditação do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital do Espírito Santo de Évora, EPE

Quality: sea of opportunities – Accreditation experience in the General Surgery Service of the Hospi-tal do Espírito Santo de Évora,EPE.

Ana Sofia Costa CaixeiroMestre em Intervenção Socio-organizacional na Saúde com Especialização em Políticas de Administração e Gestão dos Serviços de Saúde pela Universidade de Évora; Enfermeira Especialista no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Ângela Maria B. BarrosoEnfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Cristina Isabel Frangão MagroPós-graduada em Emergência em Saúde pelo Instituto de Formação em Enfermagem; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Manuela Alexandra Rodrigues PintoMestre em Intervenção Socio-organizacional na Saúde com Especialização em Políticas de Administração e Gestão dos Serviços de Saúde pela Universidade de Évora; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Rute Isabel Quadrado PiresMestre em Intervenção Socio-organizacional na Saúde com Especialização em Políticas de Administração e Gestão dos Serviços de Saúde pela Universidade de Évora; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Resumo

Introdução: O Serviço de Cirurgia Geral do Hospital do Espírito Santo de Évora E.P.E. pretendeu com o processo de Acreditação marcar a diferença pela qualidade técnica e humana dos profissionais respondendo às necessidades dos utentes tendo como pilares fundamentais: orientação para o utente, ética, responsabilidade social, inovação, realização dos colaboradores, qualidade e ambiente. Objetivos: Refletir acerca da experiencia do processo de acredi-tação no serviço (benefícios para os utentes em termos de segurança e experiência; benefícios para os trabalhadores; benefícios para o serviço/instituição). Metodologia: Revisão sistemática da literatura e experiência vivenciada pelo grupo de trabalho envolvido no processo de acreditação do Serviço Cirurgia Geral do HESE, EPE. Considerações fi-nais: O Processo de Acreditação continuará a ser entendido no serviço como um instrumento de melhoria contínua da qualidade dos cuidados prestados com ganhos para todos os intervenientes no processo.

Descritores: Acreditação; Gestão da Qualidade; Pessoal de Saúde; Qualidade da Assistência à Saúde.

Abstract

Introduction: The General Surgery Service of the Hospital do Espírito Santo de Évora, EPE intended with the Accre-ditation process make a difference for the technical and human quality of professionals responding to the needs of users with the fundamental pillars: orientation to the wearer, ethics, social responsibility, innovation, development

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of employees, quality and environment. Objectives: To reflect on the experience of the accreditation process in the service (benefits to users in terms of safety and experience, benefits for workers, benefits for service / institution). Methods: Systematic review of the literature and experience lived by the working group involved in the accreditation process of the General Surgery Service of the Hospital do Espírito Santo de Évora, EPE. Final thoughts: The Accre-ditation Process will continue to be understood in the service as a continuous improvement tool for quality of care which benefits all stakeholders in the process.

Keywords: Accreditation; Health Personnel; Quality of Health Care.

Introdução

Com a evolução tecnológica e o aumento da procura de cuidados de saúde por parte dos cidadãos a gestão da Qualidade tem vindo a ser desenvolvida, principalmente na área da saúde, tornando-se fulcral adequar os serviços de saúde à realidade e à exigência crescente dos utentes, passando pela aposta na qualidade (.1). O processo de acre-ditação do Serviço de Cirurgia Geral é um processo formal no qual uma entidade (Direção Geral da Saúde), depois da auto-avaliação feita pelos profissionais do serviço, valida e reconhece a nível individual ou organizacional se estão conformes os pressupostos e standards para os diferentes critérios definidos pela referida entidade.

Metodologia

Trata-se de uma revisão da literatura de natureza qualitativa, através do relato da experiência vivenciada pelo grupo de trabalho envolvido no processo de acreditação do Serviço Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E. Este processo encontra-se ainda em curso, com início em Junho de 2014 encontrando-se na fase de estabiliza-ção. Foi adoptado o Manual de Standards, inerente ao Programa Nacional de Acreditação em Saúde que se sustenta no Modelo de Acreditação de Unidades de Saúde da Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucia, como guia orienta-dor neste percurso. Refletiremos sobre os benefícios que o processo de acreditação trouxe assim como acerca das principais dificuldades na implementação do mesmo, despertando outros para a presente temática.

Resultados

O processo de acreditação do serviço iniciou-se de forma voluntária orientado para os interesses e direitos dos utentes do serviço. Foi definido previamente um prazo que permitiu a divulgação das boas-práticas e elementos de qualidade destacada, que constituem referências para todo o sistema, introduzidas como exemplo numa aplicação informática. O processo de acreditação permitiu a inovação, colocou ênfase no compromisso da organização com a qualidade, a segurança e a melhoria contínua, envolvendo todos os níveis profissionais e da gestão, exigindo da parte dos colaboradores competência profissional, em termos de conhecimentos, capacidades e atitudes, promoveu o trabalho em equipa, a formação e a evolução profissional. Em termos da experiência vivenciada no decorrer do processo de acreditação foram desenvolvidas algumas estratégias nas seguintes áreas: qualidade global, governação clínica, recursos humanos, gestão do risco, tecnologias de informação/comunicação e segurança, estratégias estas que levaram necessariamente à criação de grupos de trabalho e à articulação com comissões já existentes e outras entretanto criadas, a nível institucional, elaboração de políticas e procedimentos, melhorias ao nível dos sistemas de comunicação implementados, restruturação de espaços e aquisição de equipamentos. Estas medidas produziram efeitos benéficos nos utentes com benefícios óbvios nos colaboradores. O processo permitiu também melhorias significativas na área da gestão do risco (formação e informação, definição de estratégias, sistemas de informação/no-tificação de riscos como quedas, úlceras de pressão, erros de comunicação e administração de terapêutica havendo uma maior cultura de gestão de riscos, planeamento de emergência). Passaram a ser realizadas auditorias externas e internas ao processo clínico, ao armazenamento de medicamentos, à área da emergência, do controlo de infeção, da política de resíduos e às condições ambientais do serviço. Este processo necessitou de uma estreita articulação com todos os serviços de suporte da instituição. Em termos de limitações podemos destacar o tempo escasso para o desenvolvimento de todos os procedimentos e mudanças exigidas pelo processo, poucos recursos financeiros para o investimento, colaboração voluntária dos trabalhadores com dificuldades no envolvimento de toda a equipa multidisciplinar devido à sua grande dimensão, recursos humanos escassos nas áreas de suporte e pouca formação dos colaboradores na área da acreditação/qualidade.

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Conclusão

A experiência do processo de acreditação no serviço de Cirurgia Geral permitiu uma efectiva gestão dos processos e a interligação e coordenação entre diferentes níveis de prestação de cuidados de saúde assegurando a continuidade. Implementaram-se normas de orientação clínica com base na evidência científica. Foram considerados aspetos de custo-efetividade, na prestação dos cuidados de saúde permitindo uma gestão efetiva e eficiente dos recursos, atra-vés de objetivos contratualizados e avaliação realizada através de indicadores de resultado clínico. Esta experiência permitiu que ocorresse uma alteração de mentalidades/atitudes no Hospital e no serviço que gerou uma maior cultura de segurança, qualidade que se revelaram através de um serviço mais organizado, mais seguro com reflexo positivo na qualidade dos cuidados prestados.

Referências bibliográficas

1 — Manzo BF, Brito MJM, Corréa AR. Implicações do Processo de Acreditação Hospitalar no cotidiano de profissionais de saúde. Rev. Esc. Enferm. USP. 2012; 46(2): 388-94.

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III • Pósteres

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A perceção dos profissionais sobre higienização das mãos e sua influência nas infeções associadas aos cuidados de saúdeo papel do enfermeiro gestor

Healthcare professionals’ perception about hand hygiene and its influence on health care associat-ed infections: the role of the nurse manager

Tânia Vaz MoreiraRN, Enfermeira no Serviço de Ortopedia do Hospital Fernando da Fonseca. E-mail: [email protected].

Pedro Bernardes LucasPhD, MSc, MScN, RN, Professor Adjunto do Departamento de Administração em Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Estudo integrado no curso de Mestrado de Gestão em Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Resumo

Objetivos: Analisar a perceção dos profissionais de saúde a as suas práticas relativamente à higienização das mãos (HM) e sua influência nas IACS; Identificar as práticas dos profissionais de saúde relacionadas com a HM e analisar em que medida as variáveis socioprofissionais influenciam essa prática. Método: Estudo de caso quantitativo, do tipo descritivo, transversal e retrospetivo. Resultados: Os profissionais detêm conhecimentos sobre IACS e HM, tendo elevada perceção de que uma IACS terá grande impacto nos clientes. Os momentos em que os mesmos menos higienizam as mãos são, antes do contacto e após o contacto com a pele íntegra e superfícies próximas do cliente. Como causas da não adesão à HM os profissionais apontaram a sobrecarga de trabalho e escassez de recursos huma-nos. Conclusões: Os profissionais subvalorizam a prática de HM e sua influência nas IACS. Compete ao enfermeiro gestor desenvolver estratégias que promovam o aumento da adesão a esta prática.

Descritores: Gestão da Qualidade; Liderança; Controle de Infecções.

Abstract

Objectives: Analyze the healthcare professionals’ perception and them practices relatively to hand hygiene (HH) and its influence on Health Care Associated Infections (HAI); identify the healthcare professionals practices related to HH and analyze to what extent the socio-economic variables influence this practices. Methods: It is a quantitative case study, descriptive, cross-sectional and retrospective. Results: Healthcare professionals hold knowledge on HAI and HH, denotes that healthcare professionals’ perception the HAI as having a big impact on the clinical evolution. The moments in which professionals less clean their hands are before and after the contact with intact skin and surrounding client surfaces. The causes of non-adherence to HH are the workload and shortage of human resour-ces. Conclusions: Professionals underestimate the practice of HH and its influence on HAI. The nurse manager has responsibility to develop strategies providing increased adherence to this practice.

Keywords: Quality Management; Leadership; Infection Control.

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Introdução

As Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS) constituem um tema da atualidade. Em cada ano, centenas de milhares de clientes em todo o mundo são afetados por estas infeções, sendo que a higienização das mãos (HM) é uma medida efetiva para a sua prevenção. E a perceção dos profissionais de saúde sobre esta temática surge como um problema a abordar, uma vez que, segundo a literatura existente a adesão dos profissionais à higienização das mãos é baixa.

A questão de investigação formulada foi: “Qual a perceção dos profissionais de saúde relativamente à higienização das mãos e a sua influência nas IACS em contexto hospitalar?” Sendo que como objetivo geral definiu-se: analisar a perceção dos profissionais de saúde a as suas práticas relativamente à higienização das mãos e sua influência nas IACS. Como objetivos específicos definiram-se: identificar as práticas dos profissionais de saúde relacionadas com a higienização das mãos; analisar em que medida as variáveis socioprofissionais influenciam as práticas de higienização das mãos dos profissionais de saúde.

Método

Procedeu-se à elaboração de um estudo de caso quantitativo, do tipo descritivo, transversal e retrospetivo. Recor-reu-se à aplicação de um questionário a uma amostra de 47 profissionais de saúde (enfermeiros e auxiliares) de um Hospital. Os dados obtidos foram tratados no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS).

Resultados e Discussão

A população constitui-se por um total de 47 profissionais de saúde, sendo que 31 são enfermeiros e 16 são auxi-liares. A população feminina surge em maior número (35 profissionais). Denota-se que os profissionais de saúde percecionam as IACS como tendo impacto na evolução clínica do cliente, sendo que 24 profissionais consideram que esse impacto é alto, 20 profissionais consideram que é muito alto, estes resultados estão de acordo com outro estudo realizado (1). Relativamente á eficácia da HM na prevenção das IACS, 22 profissionais consideram que é alta e 21 profissionais consideram que é muito alta, estes resultados estão em consonância com estudos internacionais (1,2). No que concerne à prioridade atribuída pelos gestores da instituição à HM, a maioria dos profissionais per-cecionam que essa prioridade é alta, este facto é corroborado pela literatura (1), porém, há também literatura que refere que uma das causas da baixa adesão à HM é a falta de prioridade dos gestores (3). Os momentos em que os profissionais menos higienizam as mãos, são antes do contacto com os clientes, antes da preparação de medicação, antes do uso de luvas, após o contacto com a pele íntegra do cliente e após o contacto com superfícies próximas do cliente, estes resultados aliam-se à literatura existente (4,5). São percecionados como obstáculos pelos profissionais a uma adequada HM, a sobrecarga de trabalho e escassez de recursos humanos, este facto foi verificado em outros estudos (2, 5).

Conclusões

Os profissionais de saúde detêm conhecimentos sobre IACS e HM, denotando-se que têm uma elevada perceção de que uma IACS irá ter grande impacto nos outcomes dos clientes, porém, de acordo com a literatura existente, a adesão à higienização das mãos é baixa, tal leva a concluir que os profissionais desvalorizam a prática de HM. Assim, o enfermeiro gestor terá que adotar estratégias, tais como: formação sobre as IACS e HM; lembretes em locais estra-tégicos; protocolos acessíveis a todos os profissionais e baseados em evidência científica; feedback aos profissionais sobre o seu próprio resultado em HM; auditorias regulares a esta prática.

Referências bibliográficas

(1) Tan K, Olivo J. — Assessing Healthcare Associated Infections and Hand Hygiene Perceptions amongst Healthcare Professionals. International Journal of Caring Sciences. 2015; 8: 108-114.

(2) Knoll M, Lautenschlaeger C, Borneff-Lipp M. — The impact of workload on hygiene compliance in nursing. British Journal of Nursing. 2010; 19 (16): 16-22.

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(3) World Health Organization (SUI) — WHO guidelines on hand hygiene in health care. Geneva: WHO; 2009.

(4) Primo M, Ribeiro L, Figueiredo L, Sirico S, Souza M. — Adesão à prática de higienização das mãos por profissionais de saúde de um Hospital Universitário. Revista Eletrônica de Enfermagem. 2010; 12 (2): 266-271.

(5) White K, Jimmieson M, Obst P, Graves N, Barnett A, Cockshaw W, et al. — Using a theory of planned behaviour framework to explore hand hygiene beliefs at the ‘5 critical moments’ among Australian hospital-based nurses. BMC Health Services Research. 2015; 15.

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Outcomes no âmbito de um sistema de gestão da qualidade (SGQ)Cumprimento das preocupações básicas do controlo da infeção

José Manuel Martins CarrãoEnfermeiro do Serviço de Nefrologia/Diálise – CHUC.

Susana Raquel Sousa Pires

Enfermeira do Serviço de Nefrologia/Diálise – CHUC.

Resumo

Como actor/stakeholder deste processo, na exigibilidade de cuidados de excelência, tendencialmente quer-se a má-xima efectividade dos procedimentos dos cuidados, seguindo o despacho n.º 1400-A/2015 na segurança do doente e no cumprimento das preocupações básicas de saúde (PBCI) N.º 29-2012,planificando a melhoria continua da qualidade.

Um sistema de gestão de qualidade não pode ser lateralizado com escassos recursos ao arrepio da qualidade dos cuidados, no experimentalismo de ciclos políticos ad doc. A auditoria interna permite a avaliação diagnóstica do cumprimento dos procedimentos das PBCI.

Os indicadores de qualidade/resultado sensíveis aos cuidados de enfermagem permitem outcomes no compromisso com a organização e satisfação do cliente.

Palavras-chave: Vigilância epidemiológica, sistema de gestão da qualidade na monitorização da efectividade dos procedimentos.

Abstract

As an actor / stakeholder in this process, the enforceability care excellence, tend to want to maximum effectiveness of the procedures of care following the Order n. º 1400-A/2015 on patient safety and compliance with basic health concerns (PBCI) N.º 29-2012, by planning continuous improvement of quality.

A quality management system can not be lateralized with scarce resources in defiance of the quality of care, the experimentalism of political cycles ad doc. The internal audit allows the diagnostic evaluation of compliance with the procedures of PBCI.

Quality indicators /outcome sensitive to nursing care outcomes enable a commitment to the organization and cus-tomer satisfaction.

Keywords: epidemiological surveillance, quality management system in monitoring the effectiveness of the proce-dures.

Introdução

Vivemos num novo paradigma, numa sociedade de informação num contexto de mudança e incerteza. O cidadão é exigente na condição de cliente de cuidados de saúde, uma área sensível, considerado um pilar do estado social.

A accountability na utilização de um SGQ possibilita ganhos em saúde com incremento da melhoria contínua de

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processo, o que contribui para a efectividade/eficácia dos procedimentos com resultados positivos, sensíveis as intervenções de enfermagem, obtidos pelo cliente no serviço de nefrologia.

Incrementar outcomes, na diminuição da incidência/prevalência das IACS, na melhoria contínua de qualidade total, na promoção de uma cultura de segurança do doente, deve ser a priorização de todos os stakeholders/profissionais no mix top-dowm/botton-up. Os decisores têm a necessidade de apresentar indicadores de resultados positivos, um dos pontos incide sobre a melhoria da qualidade, segurança dos cuidados de saúde e criação de um sistema que permita a comparação do desempenho hospitalar pelo benchmarking, na boa governance.

Métodos

A auditoria interna de processo foi feita a todos os profissionais do serviço de nefrologia na avaliação diagnóstica do cumprimento dos procedimentos das PBCI, foi desenvolvida seguindo as grelhas disponibilizadas pela comissão de infeção hospitalar, publicadas na norma das PBCI N.º 29-2012.

A utilização de ferramentas de gestão: gráfico de pareto e carta de controlo são um recurso de apoio à decisão na gestão, balizando-nos pelos princípios da norma EN ISO 9001:2008.

Resultados

Ao nível micro o serviço de nefrologia funciona como cluster incubador de processos. Todos os stakeholders são impulsionadores de um SGQ, o gestor/elo como leadership deve ser um coach facilitador de prossecução da me-lhoria continua.

Existe retorno com ganho de escala, se houver fluidez nos inputs/outputs, na priorização dos eventos negativos passível de procedimento de risco ao diminuir a probabilidade e a gravidade destes lateralizando o sentido do erro, evento adverso ou incidente, o que evita dano ou dolo ao cliente, não existem doentes de risco mas procedimentos de risco.

Na população do serviço de nefrologia, no intuito de conhecer o nível de implementação das PBCI, para garantir a segurança do cliente e profissionais de saúde, foram aplicadas as grelhas de auditoria numa amostra aleatória de 42 profissionais com 160 observações, obteve-se um índice de qualidade de 55,3%, o que resulta num índice de risco de 44,7%.

De acordo com a leitura resultante da aplicação do diagrama de pareto, podemos verificar que no cumprimento das PBCI respeitante aos seus dez critérios, observamos que quatro deles sobressaem pela negativa: 1) higienização das mãos com 18 Eventos Negativos (EN); 2) etiqueta respiratória com 16 (EN); 3) recolha segura de resíduos com 13 (EN); 4) controlo ambiental com 12 (EN). Estes quatro critérios estão acima da linha de controlo idealizada como meta máxima permitida, o que eleva o índice de risco e representam 62,1% dos eventos negativos do serviço de nefrologia. Desta forma, é necessário medidas de correcção, a priorização dum processo formativo na equipa e um follow up, é uma estratégia útil que deverá evidenciar numa primeira fase, numa oportunidade de melhoria de pro-cesso com focus nos 4 critérios que ultrapassam o limite máximo aceitável para o serviço como meta de dez eventos negativos, o que levaria o índice de risco para a meta de 30%.

O diagrama de pareto permite avaliar, analisar e aplicar um planeamento com a finalidade de melhoria contínua numa abordagem do ciclo deming PDCA.

Conclusão

A aplicação do SGQ no cumprimento das PBCI exige resiliência. As ferramentas de qualidade permitem criar pontos fortes com oportunidades de melhoria, limitando as fraquezas e ameaças, o que permite a eficácia na tomada de decisão no controlo das infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS).

O empowerment de cada agente é uma caminhada de parceria para a excelência, que permite mudança no realinha-mento de procura da qualidade total. A auditoria interna promove a segurança do cliente, trilha a melhoria continua como processo de mudança.

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Referências bibliográficas

Lourenço, Óscar — Avaliação Económica de Programas de Saúde: Essencial sobre conceitos, metodologia, dificuldades e oportu-nidades. Coimbra: FEUC.

Ministério da Saúde. Departamento da Qualidade na Saúde — Precauções Básicas do Controlo da Infeção. (PBCI). N.º 29-2012.

Ministério da Saúde. Departamento da Qualidade na Saúde — Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020. Despacho n.º 1400-A/2015.

Ministério da Saúde. Departamento da Qualidade na Saúde — Análise das Causas Raiz, Incidentes, Eventos Adversos. N.º 11-2012.

Norma Portuguesa — Sistemas de Gestão da Qualidade. EN ISO 9001:2008.

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A Segurança do doente na perspetiva dos enfermeirosPatient safety from nurses’ perspective

Sara Tavares VarãoRN, Enfermeira na Unidade Cuidados Continuados Integrados Sagrada Família da Santa Casa da Misericórdia da Amadora. E-mail: [email protected]

Pedro Bernardes LucasPhD, MSc, MScN, RN, Professor Adjunto do Departamento de Administração em Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Estudo integrado na Linha de Investigação “Ambiente organizacional na saúde: qualidade e gestão de cuidados” da Unidade de Investigação & Desenvolvimento em Enfermagem (UI&DE) da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Resumo

Objetivo Geral: Compreender qual a CSD em contexto hospitalar. Objetivos Específicos: identificar a perceção sobre a CSD, identificar áreas de melhoria e a importância dessa na gestão dos cuidados. Método: Estudo quan-titativo, observacional, descritivo-transversal com uma amostra não-probabilística sequencial de 68 enfermeiros. Resultados: O trabalho de equipa revelou-se forte. Identificaram-se 6 áreas a necessitar de melhorias: expectativas do gestor, aprendizagem organizacional, perceções gerais sobre segurança, feedback e comunicação acerca do erro, abertura na comunicação e transições. Cinco dimensões revelaram-se críticas: apoio à SD pela gestão, frequência da notificação de eventos, trabalho entre unidades, profissionais e resposta não punitiva ao erro. Conclusões: O traba-lho em equipa apresentou-se forte, revelando uma tendência para melhorar o ambiente. Destacou-se a necessidade de intervenção dos enfermeiros-líderes e a existência de uma cultura punitiva, pelo que promover uma cultura onde a segurança seja prioritária é responsabilidade da liderança, sendo essencial para a redução de eventos.

Descritores: Segurança do paciente, hospitais, enfermeiros, liderança.

Abstract

General Objective: Understand what the PSC in hospital. Specific Objectives: identify the perception of the PSC, areas for improvement and the importance of this in management care. Methods: Quantitative, observational, de-scriptive-transversal study, using a non-probabilistic sequential sample of 68 nurses. Results: Teamwork has proved to be a strong aspect. Six areas in need of improvement were identified: manager’s expectations, organizational learning, overall perceptions of safety, feedback and communication about the error, openness in communication and transitions. Five dimensions have proved to be critical: management’ support for patient safety, frequency of events reported, teamwork across units, staffing and non-punitive response to error. Conclusions: Teamwork has proved to be a strong aspect, showing a tendency to improve the environment. There is the need for intervention of nurse-leaders and it was revealed the existence of a punitive culture, being the nurse-managers competence trying to build a right culture, that’s essential for reducing events.

Keywords: Patient safety, hospitals, nurses, leadership.

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Introdução

A presente investigação assenta na segurança, nomeadamente na perceção dos enfermeiros face à cultura de segu-rança do doente (CSD). Definiu-se como questão “Qual a cultura de segurança do doente em contexto hospitalar?”. Estabeleceu-se como objetivo geral “compreender qual a perceção dos enfermeiros sobre a CSD no Centro Hospi-talar” e como específicos: identificar a perceção dos enfermeiros sobre CSD, áreas de melhoria e a importância da CSD na gestão dos cuidados.

Método

Procedeu-se a um estudo quantitativo, observacional-descritivo e transversal. Definiu-se como população de estudo os enfermeiros de um Centro Hospitalar, recorrendo-se a uma amostra não-probabilística sequencial. Definiu-se como instrumento o Hospital Survey on Patient Safety Culture (HSOPSC), com aplicação entre maio e junho de 2015.

Resultados e Discussão

Participam 68 enfermeiros com o seguinte perfil: sexo feminino (92,6%), entre 25 e 34 anos (39,9%), licenciados (79,4%), categoria de enfermeiro (48,5%), exercício profissional entre 6 e 10 anos (33,3%) e exercício no atual serviço de 6 a 10 anos (37,8%). Relativamente ao HSOPSC, o Trabalho de equipa apresentou-se como forte, indo ao encontro da tendência internacional (1-6). A “Aprendizagem Organizacional” foi consonante com a maioria dos estudos (1,3-4). A dimensão das “Transições” contrariou a maioria dos achados (1,5-8). A dimensão das “Expectativas do supervisor” comprovou os resultados de 3 estudos (1,3-4) e contrariou outros 3 (2,5,7). A “Abertura na Comu-nicação” foi ao encontro da maioria dos dados (2,3-6), tendo acontecido o mesmo com o “Feedback e Comunica-ção acerca do erro”(2-6) e com as “Perceções Gerais sobre SD”(2-5,8). O resultado do “Trabalho entre Unidades” contrariou grande parte dos estudos (2-4,6). A “frequência da notificação de eventos” foi ao encontro da tendência internacional (3,3-4,7-8), bem como o “Apoio à SD por parte da gestão” (1,3-4,7). O resultado dos “Profissionais” foi suportado pela maioria dos autores (1-8), assim como os da “Resposta não punitiva ao erro”(1,3-8). Os participantes revelaram-se críticos perante 5 áreas: apoio à SD pela gestão, frequência da notificação de erros, trabalho en-tre as unidades, profissionais, resposta não punitiva ao erro. Identificaram-se 6 áreas a melhorar: expectativas do gestor, aprendizagem organizacional, perceções gerais sobre SD, feedback/comunicação acerca do erro, abertura na comunicação, transições. Apesar disto, a distribuição dos questionários foi feita por 4 serviços, pelo que é possível que os dados não sejam totalmente representativos da população-alvo.

Conclusões

Para a gestão, destacou-se uma oportunidade de intervenção ao nível do trabalho de equipa. Revelou-se a neces-sidade de ação da liderança, pois é clara a insatisfação dos enfermeiros. Evidenciou-se a existência de uma cultura punitiva, competindo aos gestores trabalharem na construção de uma CSD. Alguns dados poderão ser indicadores de falhas comunicacionais, sendo essencial que estas sejam minimizadas. Surgiram questões a investigar: aprofundar os problemas das transições e perceber a influência da perda de informação nos cuidados. Emergem contributos para a prestação de cuidados, a gestão em enfermagem e a investigação.

Referências bibliográficas

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O impacte do ambiente da prática profissional de enfermagem na qualidade dos cuidadosrevisão da literatura

The impact of professional nursing practice environment in the quality of health care: a sistematic review

Carina Manuela Mouquinho AndradeRN, Licenciada em Enfermagem, Mestranda em Gestão em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, Enfermeira no Centro Hospi-talar de Lisboa Central. E-mail: [email protected]

Pedro Ricardo Martins Bernardes LucasPhD, MSc, MScN, RN – Professor Adjunto do Departamento de Administração em Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Estudo integrado na Linha de Investigação “Ambiente organizacional na saúde: qualidade e gestão de cuidados” da Unidade de Investigação & Desenvolvimento em Enfermagem (UI&DE) da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Resumo

O ambiente da prestação de cuidados de enfermagem revela-se cada vez mais complexo, tornando-se premente a aplicação da evidência científica no sentido de melhorar o ambiente da prática dos enfermeiros e, consequentemen-te, a qualidade dos cuidados de enfermagem. Objetivo: Determinar a influência das características organizacionais de organizações hospitalares na qualidade dos cuidados de enfermagem. Método: Revisão sistemática da literatura, tendo sido selecionados nove artigos publicados nos últimos cinco anos. Resultados: Encontrou-se uma relação definitiva ou significativa entre o ambiente da prática dos enfermeiros e a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados, sendo que melhores ambientes se refletem numa melhoria da qualidade dos cuidados. Conclusões: A prática profissional de enfermagem é um fator chave a considerar na gestão de enfermagem devido à sua comprova-da relação com a qualidade dos cuidados, mesmo em contextos com parcos recursos, justificando-se um investimen-to na melhoria do ambiente da prática de enfermagem.

Descritores: Ambiente de Instituições de Saúde; Qualidade; Gestão da Qualidade; Cuidados de Enfermagem.

Abstract

Nursing care environment is becoming increasingly complex, therefore, the implementation of scientific evidence is imperative in order to improve the nursing practice environment and, subsequently, the quality of nursing care.

Objective: To determine the influence of organizational characteristics of hospital organizations in nursing care quality. Method: Systematic review of the literature, nine articles published in the last five years were selected.

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Results: A definitive or significant relation was found between the nursing practice environment and nursing care quality, and so, better environments is reflected in an improvement of the quality of care. Conclusions: Professional nursing practice is a key factor to consider in nursing management due to its proved relation with the quality of care, even in contexts with sparse resources, justifying an investment in the improvement of the nursing practice environment.

Keywords: Health Facility Environment; Quality; Quality Management; Nursing Care.

Introdução

A qualidade é definida como a obtenção dos maiores benefícios com os menores riscos para o cliente, garantindo os direitos fundamentais da pessoa e preservando a sua integridade, sendo os resultados do processo de cuidados que permitem analisar a eficiência, a efetividade e a satisfação dos clientes face aos cuidados que receberam (1). Reconhece-se que a prática dos cuidados de enfermagem se inclui num ambiente cada vez mais complexo e muitos são os fatores que regulam e interferem na prestação dos cuidados (2). São vários os estudos que confirmam que melhores ambientes da prática profissional de enfermagem estão associados a melhores perceções de qualidade dos cuidados e menores intenções de abandono da organização por parte dos enfermeiros (3). O enfermeiro gestor é um motor de mudança e tem um papel fundamental como líder no caminho para a excelência e como elemento essencial na organização dos recursos existentes, criando um ambiente de segurança e excelência nos cuidados de enfermagem (4).

Com esta revisão sistemática da literatura, que se apresenta neste artigo, pretendeu-se determinar a influência das características organizacionais de instituições de saúde hospitalares na qualidade dos cuidados de enfermagem e as implicações para a gestão.

Método

A questão de partida para esta Revisão Sistemática da Literatura foi “Qual a influência das características organizacio-nais do ambiente da prática profissional dos enfermeiros na qualidade dos cuidados de saúde no contexto hospita-lar?” Realizou-se a pesquisa de literatura através da plataforma EBSCO (bases de dados CINAHL e MEDLINE), com as palavras-chave “Organizational Environment”, “Work Environment”, “Health Facility Environment”, “Hospital Units”, “Quality of Nursing Care”, “Nurs*”, tendo sido selecionados nove artigos de estudos quantitativos.

Resultados e Discussão

Os resultados dos estudos descritos nos artigos analisados encontraram uma relação definitiva ou significativa entre o ambiente da prática dos enfermeiros e a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados, sendo que ambientes positivos se refletem numa melhoria da qualidade dos cuidados. A diversidade de contextos, regiões e países onde os estudos foram aplicados sugerem que, ainda que não se possa ignorar a relação direta encontrada entre a qualidade dos cuidados e a adequação dos recursos do serviço, é possível melhorar o ambiente da prática de enfermagem e a qualidade dos cuidados mesmo em contextos com menores recursos económicos (5-6). Verificou-se que o apoio ao desenvolvimento profissional dos enfermeiros, as dotações adequadas, o apoio da gestão e maior autonomia dos enfermeiros são fatores decisivos na produção de um ambiente de trabalho positivo, melhorando a qualidade dos cuidados prestados ao cliente (7) e permitindo aos enfermeiros dar resposta a clientes com necessidade de cuidados cada vez mais complexos.

Conclusão

O ambiente é uma parte integrante das organizações que os gestores devem procurar conhecer devido à sua influên-cia na implementação de mudanças. Os gestores devem intervir na melhoria do ambiente da prática dos enfermeiros e, consequentemente, na qualidade dos cuidados de enfermagem, uma vez que este investimento se refletirá numa melhoria da qualidade dos cuidados prestados, nos resultados para os clientes e nos outcomes profissionais.

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Referências bibliográficas

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Ambientes favoráveis à prática de enfermagemrevisão sistemática de literatura

Positive nursing practice environments: Systematic review

Mariana Lourenço Pereira NogueiraEnfermeira na Cuf Descobertas. Mestranda em Gestão de Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. E-mail: [email protected].

Pedro Bernardes LucasPhD, MSc, MScN, RN, Professor Adjunto do Departamento de Administração em Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Estudo inserido na linha de investigação da Unidade de Investigação & Desenvolvimento em Enfermagem (UI&-DE), da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa: “Ambiente organizacional na saúde: qualidade e gestão de cuidados”, do Departamento de Administração em Enfermagem tendo como Coordenadora a Professora Mª Fi-lomena Mendes Gaspar.

Resumo

Objetivo: Identificar os ambientes de prática de cuidados de enfermagem que influenciam a qualidade de cuidados e os próprios enfermeiros. Método: Revisão da Literatura resultando 45 artigos em análise. Resultados: Há muito que teóricas de Enfermagem e investigadores se preocupam em estudar o ambiente de cuidados. O ambiente faz parte do metaparadigma de Enfermagem. Nightingale (2005) foi a primeira a refletir sobre a influência do ambiente nos cuidados de Enfermagem. Benner e Wrubel (Tomey & Alligood, 2002), Levine (Tomey & Alligood, 2002), Roy (1981), Henderson (Tomey & Alligood, 2002), Abdellah (Tomey & Alligood, 2002) dão-nos contributos importantes. Doran, (2003) cria um modelo dá enfase ao ambiente de trabalho e às dotações seguras, como algo que está dentro da organização e que pode influenciar os resultados no cliente. Conclusões: Há evidência científica de que um ambiente de prática, adequado, é um bom previsor de cuidados de qualidade. As dimensões mais afetadas a nível mundial que foram encontradas nos estudos foram a Participação dos Enfermeiros nas políticas das organizações e adequação dos recursos humanos e materiais. Este aspeto deve ser considerado pelas administrações e gestores.

Palavras-chave: Administração Hospitalar; Ambiente; Economia da Enfermagem; Qualidade dos cuidados de saúde.

Abstract

Objective: To identify the practice of nursing care environments that influence the quality of care and the nurses themselves. Method: Literature Review resulting 45 articles under review. Results: There is much that theoretical Nursing and researchers bother to study the environment care. The environment is part of the nursing meta-par-adigm. Nightingale (2005) was the first to reflect on the influence of environment on nursing care. Benner and Wrubel (Tomey & Alligood, 2002), Levine (Tomey & Alligood, 2002), Roy (1981), Henderson (Tomey & Alligood, 2002), Abdellah (Tomey & Alligood, 2002) give us important contributions. Doran (2003) creates a template that

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gives emphasis to the work environment and safe staffing, as something that is within the organization and that might influence the results on the client. Conclusions: There is scientific evidence that a proper practice environment is a good predictor of quality care. The dimensions more affected that were found in the studies were of Nurses in polit-ical participation of organizations and adequacy of human and material resources. This aspect should be considered by administrations and manager.

Keywords: Hospital Administration; Environment; Nursing Economics; Quality of Health Care.

Introdução

O ambiente da prática dos cuidados tem sido objeto de análise desde os anos 80 e tem vindo a ser referido como uma variável que influencia os resultados dos cuidados de enfermagem (patient outcomes), pelo que o estudo e a criação de ambientes favoráveis podem ser fundamentais para a otimização da qualidade dos cuidados (1).

O instrumento para avaliar o ambiente de prática de cuidados denominados Practice Environment Scale of The Work Nursing Index (PES-NWI) (2) foi utilizado em 14 paises (3).

Método

Realizámos uma revisão da Literatura acedendo as bases de dados CINHAL, Medline e JBI ( Joana Brigs Institute). Foram considerados artigos entre os anos de 2005 – 2015. Assim, no total foram identificados 174 artigos. Após aplicar os critérios de inclusão/exclusão obtivemos 65 artigos para ler o full-text, desses artigos, sobraram então 45 artigos para realizar a avaliação detalhada. Recorremos também a livros de autores conceituados no âmbito da Gestão e da Gestão em Enfermagem.

Resultados

Como pudemos constatar, a investigação tem demonstrado que os fatores do ambiente de trabalho na prática da prestação dos cuidados de Enfermagem influenciam a evolução da situação de saúde do cliente, particularmente de foro médico e cirúrgico (3,4).Foi também evidenciada a relação entre um ambiente de trabalho positivo e a satisfação dos enfermeiros e sua retenção (5,6). Além disso, melhores ambientes de trabalho estão associados a resultados mais positivos nos enfermeiros (4). Está provado que os fatores ambientais afetam os resultados dos clientes (7). A escala PES-NWI foi validada para versão portuguesa (1), para tal foi realizado um estudo com 365 enfermeiros de 4 hospitais públicos portugueses e, nesse estudo foi concluído que o ambiente da prática dos cuidados no geral é favorável (1).

Discussão

Há evidência convincente de que um ambiente de prática adequada é um bom previsor de cuidados de qualidade. O ambiente de prática é constituído por um conjunto de características organizacionais e a sua medição através dos PES-NWI permite verificar se os enfermeiros estão satisfeitos com o ambiente onde prestam cuidados. Todas as teóricas de Enfermagem definem ambiente ( já que este faz parte do metaparadigma de Enfermagem), no entanto nenhum engloba, nem aborda o ambiente organizacional. A única autora que aborda a organização no seu modelo é Doran (8).

Conclusões

Sabendo que o ambiente da prática pode influenciar os resultados obtidos nos clientes, os gestores devem agir no sentido da otimização do ambiente para assegurar a qualidade dos cuidados, o que terá certamente repercussões positivas ao nível da gestão das organizações e da efetividade dos cuidados de enfermagem. Para tal, os gestores podem aplicar a escala PES-NWI na sua organização de saúde para perceber se o ambiente da prática de cuidados dos enfermeiros é favorável.

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Atualização em gestão em enfermagemuma necessidade para a qualidade da prática profissional

Update on management in nursing: One need for quality of professional practice

Ana Paula Prata Amaro de SousaMestre em Gestão e Economia da Saúde, Faculdade de Economia - Universidade de Coimbra, Professor-Adjunto na Escola Superior de Enfermagem do Porto. E-mail: [email protected].

Maria Margarida Reis Santos FerreiraDoutora em Ciências de Enfermagem, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto, Professor-Coordenador na Escola Superior de Enfermagem do Porto.

Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva MartinsDoutora em Ciências de Enfermagem, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto, Professor-Coordenador na Escola Superior de Enfermagem do Porto.

Daisy Maria Rizatto TronchinDoutora em Enfermagem, Escola de Enfermagem-Universidade de São Paulo, Professor-Associado na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

Heloísa Helena Ciqueto PeresDoutora em Enfermagem, Escola de Enfermagem-Universidade de São Paulo, Professor-Titular na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

Resumo

A Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo-Brasil e a Escola Superior de Enfermagem do Porto desen-volveram um curso de atualização em Gestão em Enfermagem. O curso decorreu na modalidade e-learning, ajus-tando-se os temas às realidades dos dois países. Após três anos de experiência procurou-se conhecer a opinião dos estudantes sobre o planeamento e implementação do curso, pelo que se realizou um estudo exploratório e descri-tivo, de cariz quantitativo. A avaliação dos enfermeiros, em relação ao planeamento e implementação das atividades pedagógicas e de apoio no ambiente online do curso, alcançaram níveis de concordância adequados. Constatou-se, ainda, que os estudantes referem que a participação no curso possibilitou a atualização de conhecimentos inerentes à gestão em enfermagem. A avaliação contínua subsidiou o investimento e aprimoramento de estratégias educacio-nais utilizadas de modo atingir a excelência no ensino à distância.

Descritores: Educação em Enfermagem; Enfermagem; Avaliação.

Abstract

The Nursing School of University of São Paulo - Brasil and the Nursing College of Porto developed an updated course on Management in Nursing. The course was presented in e-learning mode, adjusting the themes to the realities of the two countries. After three years of experience we tried to know the opinion of students on the planning and implementation of the course, so we conducted an exploratory and descriptive study, of quantitative nature. The evaluation of nurses achieved adequate levels of agreement regarding the planning and implementation of peda-gogical activities and support in the course’s online environment. We also found that the students mentioned that the participation in the course enabled the updating of knowledge related to the nursing management. Continuous

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assessment subsidized investment and improvement of educational strategies used in order to achieve excellence in distance learning.

Keywords: Education, Nursing; Nursing; Assessment.

Introdução

Após a aquisição de competências na formação inicial, o enfermeiro deve continuar a desenvolvê-las ao longo da sua vida profissional de forma a elevar a qualidade da prestação de cuidados e a valorizar e promover o reconhecimento social da profissão. Reconhecendo que o ensino de enfermagem é fundamental para o desenvolvimento dessas competências considera-se que a frequência de cursos de atualização é necessária. Nesse sentido, e tendo, também, em conta a importância da realização de atividades internacionais, a Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo - Brasil e a Escola Superior de Enfermagem do Porto desenvolveram um curso de atualização em Gestão em Enfermagem (CAGE).

O curso decorreu entre os anos de 2011 e 2013, e foi concebido para funcionar na modalidade e-learning, com recurso a tecnologias da informação e comunicação (TIC), ajustando-se os temas às realidades dos dois países. Com a participação de professores e tutores dos dois países foi, ainda, criada documentação para o efeito.

Após três anos de experiência procurou-se conhecer a perceção dos participantes sobre os conteúdos e percurso metodológico de curso e sobre a sua participação, pois tal como nos cursos tradicionais, o feedback dos estudantes é importante para mudar e melhorar a prática pedagógica (Bristol & Zerwekh, 2011).

Objetivo

Conhecer a opinião dos estudantes que integraram as três edições do CAGE, sobre o planeamento e implementação do curso.

Método

Estudo exploratório e descritivo, de cariz quantitativo. Questionário de auto preenchimento, disponibilizado na pla-taforma MOODLE, que compreendia um conjunto de afirmações avaliadas com recurso a uma escala de Likert com cinco intervalos de concordância (1-Discordo Totalmente; 2-Discordo; 3-Nem Discordo e nem Concordo; 4-Concor-do; 5-Concordo Totalmente). Recolha de dados realizada em dezembro de 2011, 2012 e 2013. População constituída por 96 formandos, 77 respondeu ao questionário, sendo a amostra representativa de 80% da população.

Resultados

Amostra constituída por 77 enfermeiros. A maioria era do sexo feminino (89.6%, n=69) e tinha em média 39 anos de idade (DP=9.0). Residiam no Brasil 67.5% (n=52) dos participantes e em Portugal 32.5% (n=25). A maioria exercia a profissão de enfermagem (94.8%, n=73), tinha formação especializada (59.7%, n=46) e trabalhava em média à 12.6 anos (DP=10.3). Relativamente ao planeamento e implementação do curso, 78.9% das afirmações atingiram uma percentagem superior a 80% no grau de concordância, especialmente quanto ao uso de equipamento compatí-vel (96.3%), apresentação clara dos objetivos (96.1%) e solicitação de tarefas coerentes com os objetivos propostos (94.8%). A maioria (75.3%) concordou que o conteúdo foi relevante para o exercício de funções de gestão; que a lista de discussão provocou debates que auxiliaram no processo de aprendizagem (72.7%) e que o tempo previsto para execução das tarefas foi suficiente (70.1%)

Quanto à avaliação geral do curso, 50% das respostas atingiram uma percentagem superior a 80% no grau de con-cordância (parcial e total), sobretudo no que respeita à aquisição de novos conhecimentos (94.8%), ao acompanha-mento do estudante em relação às mensagens enviadas (88.3%) e ao despertar de interesse pelo assunto ao realizar o Curso (87%). Em relação à consulta à “Biblioteca” e à organização do tempo para realizar o Curso com tranquili-dade encontrou-se um menor nível de concordância (54.5% e 64.9%, respetivamente). Quanto à oportunidade de interação e trocas de experiência proporcionadas pelo curso, 70.1% dos estudantes concordaram que foi valiosa.

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Conclusão

A avaliação dos enfermeiros, em relação ao planeamento e implementação das atividades pedagógicas e de apoio no ambiente online do curso, alcançaram níveis de concordância adequados. Os resultados favoráveis fundamentaram a decisão em relação à continuidade do Curso em 2014. Constatou-se, ainda, que a participação no curso possibi-litou aos enfermeiros atualização dos temas inerentes à gestão em enfermagem, atingindo níveis de concordância adequados. A avaliação contínua do Curso subsidiou o investimento e aprimoramento de estratégias educacionais utilizadas de modo atingir a excelência no ensino à distância.

Referências bibliográficas

Bristol TJ, Zerwekh J. — Essentials of e-learning for nurse educators. Philadelphia: Davis Company; 2011.

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Educação à distância no Mestrado de Direção e Chefia dos Serviços de EnfermagemE-learning in Master’s in Nursing Services Management and Administration

Ana Paula Prata Amaro de SousaMestre em Gestão e Economia da Saúde, Faculdade de Economia - Universidade de Coimbra, Professor-Adjunto na Escola Superior de Enfermagem do Porto. E-mail: [email protected].

Maria Margarida Reis Santos FerreiraDoutora em Ciências de Enfermagem, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto, Professor-Coordenador na Escola Superior de Enfermagem do Porto.

Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva MartinsDoutora em Ciências de Enfermagem, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto, Professor-Coordenador na Escola Superior de Enfermagem do Porto.

Resumo

Com os objetivos de analisar a opinião dos estudantes, do curso de Mestrado em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem do Porto, sobre as ferramentas utilizadas e avaliar a satisfação com as unidades curriculares b-learning, desenvolveu-se um estudo exploratório e descritivo. Recolha de dados efetuada por questionário em 2013 e 2014. Amostra constituída por 40 enfermeiros.

A maioria dos participantes considerou que as ferramentas utilizadas em ambiente virtual eram recursos bons ou muito bons e que as unidades curriculares desenvolvidas com metodologia b-learning foram satisfatórias e um recurso muito bom para a realização do mestrado.

Os resultados permitem considerar que as ferramentas utilizadas deverão continuar a ser privilegiadas. A satisfação dos estudantes com a metodologia b-learning possibilita afirmar que esta metodologia de ensino é conveniente e pode ser considerada promissora para substituir ou suplementar a educação tradicional em enfermagem a nível pós-graduado.

Descritores: Educação em Enfermagem; Enfermagem; Avaliação.

Abstract

The authors developed descriptive and exploratory study on the opinion of the Master Nursing Services Manage-ment and Administration students (of the Nursing College of Porto) on b-learning courses, regarding the tools used and satisfaction. Data was collected by questionnaire in 2013 and 2014. Sample consisted on 40 nurses.

The majority of the participants considered that the tools used in virtual environment were good or very good resources and that b-learning courses were satisfactory and a very good resource for completion of the Master.

Results obtained allow concluding that this type of tools should continue to be privileged. Student’s satisfaction with b-learning methodology indicates that this type of teaching is convenient and a promising option to replace or supplement traditional learning in nursing at postgraduate level.

Keywords: Education, Nursing; Nursing; Assessment.

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a liderança do enfermeiro gestor e a segurança do doente: vencendo desafios, traçando novos rumos

Introdução

Para a concretização do processo de Bolonha em Portugal foram estabelecidas políticas para o ensino superior que tinham como objetivo incentivar a frequência do ensino superior, melhorar a qualidade e promover a internacionali-zação da formação oferecida, e fomentar a mobilidade dos estudantes. Este contexto promoveu mudanças profundas nas organizações, implicando que se desenvolvessem novos planos de estudo e novos métodos de ensino. Um dos métodos que se reconheceu como um recurso importante para a concretização dos objetivos expostos, especialmen-te na aprendizagem ao longo da vida e a distância, foi o e-learning, que segundo Bristol e Zerwekh (2011) tem um impacto significativo no ensino de enfermagem.

O ensino de enfermagem contribui para elevar a qualidade da assistência prestada aos clientes, famílias e comu-nidade e para a valorização e reconhecimento da profissão. É basilar para o desenvolvimento de competências do enfermeiro, as quais devem ser adquiridas na formação inicial e posteriormente desenvolvidas ao longo da vida profissional. Contudo, a especificidade do trabalho de enfermagem (maioritariamente por turnos) dificulta a partici-pação dos enfermeiros em cursos pós-graduados com uma tipologia de ensino tradicional, sendo, por isso, os cursos online uma boa alternativa a este tipo de ensino.

Neste sentido, a Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP) oferece, desde 2012, à comunidade escolar o curso de Mestrado em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem (MDCSE), na modalidade b-learning, que implica que o curso se desenvolva tanto de forma presencial, como de forma online (Zhigang, Ming-Hsiu, Jinyuan, Chris, 2014).

Após três anos de experiência tornou-se necessário efetuar uma avaliação do curso e da sua modalidade de ensino, pois tal como nos cursos tradicionais, o feedback dos estudantes é importante para mudar a prática pedagógica (Bristol & Zerwekh, 2011) e assim melhorar o processo de ensino-aprendizagem.

Objetivo

Analisar a opinião dos estudantes sobre as ferramentas utilizadas no ambiente virtual de aprendizagem e avaliar a sua satisfação com as unidades curriculares, do curso de MDCSE, que se desenvolvem na modalidade b-learning.

Método: Foi efetuado um estudo exploratório e descritivo, de cariz quantitativo. A recolha de dados decorreu em julho de 2013 e julho de 2014. Na plataforma MOODLE (Modular Object – Oriented Dynamic Learning Environ-ment) da ESEP foi disponibilizado um questionário aos 43 enfermeiros que frequentaram o primeiro e o segundo MDCSE. As variáveis em estudo compreenderam as estratégias de ensino usadas no ensino à distância: Chat, wiki, aula virtual - BigBlueButtonBN; fórum; ferramentas externas e glossário, avaliadas com recurso a uma escala de Likert de cinco pontos (em que o 1 correspondia a mau, o 2 a medíocre, o 3 a suficiente, o 4 a bom e o 5 a muito bom) e as dimensões: organização do curso, qualidade do material disponibilizado para estudo, acompanhamento proporcionado pelos professores; tempo de estudo e estratégias de avaliação. Cada dimensão teve como indicador a pontuação de um a seis, sendo os pontos distribuídos: 1-Completamente desadequado; 2-Desadequado; 3-Razoa-velmente adequado; 4-Adequado; 5-Muito adequado; 6-Sem opinião.

O tratamento estatístico foi efetuado com recurso ao Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 22.

Resultados

A amostra foi constituída por 40 enfermeiros, todos habilitados com o curso de Licenciatura em Enfermagem. A maioria (90%, n=36) era do sexo feminino e de nacionalidade portuguesa (95%, n=38) e tinha uma idade com-preendida entre os 22 e os 51 anos (M=35.8 anos, DP=8.7). A maioria dos estudantes avaliou como boa ou muito boa as ferramentas síncronas: a aula virtual foi considerada como muito boa por 55.6% dos participantes, e o chat foi considerado como um bom recurso pela maioria, apesar de 25.6% o avaliarem como suficiente.

Em relação às ferramentas assíncronas, os estudantes classificaram-nas, também, como um muito bom ou bom recurso: o wiki, o glossário e o fórum foram avaliados como muito bons pela maioria dos estudantes (55,2%, 51,9% e 56%, respetivamente), as restantes ferramentas do ambiente virtual de aprendizagem foram avaliadas como um bom instrumento.

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A maioria dos participantes considerou que o desenvolvimento das unidades curriculares, do mestrado, lecionadas com recurso à metodologia b-learning (Economia e Finanças em Saúde, Qualidade em Enfermagem e Saúde, Con-ceitos Métodos e Gestão em Enfermagem, Gestão de Recursos Humanos em Enfermagem e Saúde e Processos de Trabalho em Enfermagem e Saúde), era bom no que respeitava à organização (51.6%), às estratégias de avaliação su-mativas (60.6%), à qualidade do material disponibilizado no MOODLE (60.7%) e ao acompanhamento proporciona-do pelo professor (53.7%). Quando questionados sobre a relação entre o número de horas previstas no curriculum para as diferentes unidades curriculares e o tempo que necessitaram para o estudo, a maioria considerou adequada ou muito adequada essa relação e 4% observou ser desadequada. As estratégias de avaliação utilizadas foram julgadas como razoavelmente adequadas por 15.8% dos participantes e adequadas ou muito adequadas pelos restantes. A maioria dos estudantes afirmou que a metodologia b-learning foi um recurso muito bom para a realização do mes-trado, apesar de referirem que consumia mais tempo de estudo.

Discussão

A educação a distância passou a ter maior visibilidade nos últimos anos em Portugal após a adoção das novas tec-nologias de comunicação e informação. O ambiente virtual de aprendizagem (AVA) permite promover a interação entre estudantes, professores e instituições de ensino (Paulsen 2003; Pavezi et al, 2011), dá aos estudantes a opor-tunidade de definir o acesso à informação pretendida, pois admite uma navegação flexível e inclui formas síncronas e assíncronas de comunicação. Conhecer a opinião dos estudantes do MDCSE sobre a utilização das ferramentas disponibilizadas no AVA é essencial pelo que foi desenvolvido este estudo. Os resultados permitiram perceber que as ferramentas síncronas e assíncronas utilizadas no MDCSE (a sala virtual, o chat e o wiki, o glossário e o fórum), tal como no estudo de Pavezzi e col. (2011), foram consideradas pelos estudantes como boas ou muito boas na facilitação do processo de aprendizagem.

A aula virtual e o fórum foram as ferramentas que os estudantes avaliaram como um melhor recurso, pelo que se considera que deverão continuar a ser privilegiadas pela instituição e pelos docentes. O chat, o glossário e o wiki necessitam de ter maior ênfase e destaque no AVA, de forma a instigar nos estudantes um maior interesse pela sua utilização.

Os resultados do estudo, também demonstraram que as diferentes estratégias utilizadas são fundamentais para a qualidade do curso e a sua adequação às expectativas dos alunos. Devido à ausência da aula presencial, o docente tem a responsabilidade de desenvolver estratégias que motivem o estudante a ser um participante ativo, pelo que desenvolver ações interativas, construtivas e colaborativas é essencial.

A possibilidade de pesquisa sobre este assunto não se esgota com este estudo. No futuro, investigação centrada na opinião dos docentes sobre as ferramentas do AVA, os motivos para a pouca utilização de algumas delas e como incentivam os estudantes para a sua utilização são sugestões para investigação.

No que diz respeito à avaliação da satisfação dos estudantes com as unidades curriculares, do curso de MDCSE, que se desenvolvem na modalidade b-learning, os resultados do estudo estão de acordo com os de outros autores que concluíram que os participantes de cursos de educação a distância estão satisfeitos com esta nova modalidade de ensino (Du et al., 2013). Os estudantes observaram que o acompanhamento proporcionado pelos professores foi bom, confirmando a importância do papel do professor nesta modalidade de educação, tal como discutido por outros investigadores (Alves, Bohomol & Cunha, 2015) que concluíram que a maioria dos estudantes acreditava que os professores se constituíam como um bom recurso para o seu desenvolvimento científico.

Gaytan (2006) refere que nos cursos online a interação tem um impacto importante na aquisição de conhecimentos dos estudantes. Concluiu-se que 15.8% dos participantes considera que as estratégias utilizadas foram razoavel-mente adequadas. Brigham (2001) aponta a importância do trabalho em rede como um meio de socialização do estudante, pois os chats, por exemplo permitem não só a discussão dos trabalhos do curso como também de outros tópicos não académicos, permitindo esta atividade reduzir a sensação de isolamento que o estudante possa ter.

Os programas e-learning ou b-learning na área de enfermagem, em Portugal, são uma realidade emergente, daí ser importante analisar a opinião dos estudantes sobre o seu funcionamento para se poder otimizar o processo.

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Baseados nos resultados deste estudo podemos afirmar que esta metodologia de ensino é conveniente e pode ser considerada promissora para substituir ou suplementar a educação tradicional em enfermagem a nível pós-graduado e de mestrado, pois pode ser facilmente adaptada aos estilos de vida destes estudantes: trabalhadores estudantes.

Referências bibliográficas

Alves VL, Bohomol E, & Cunha IC. — Educação de pós-graduação em enfermagem à distância: avaliação sob a perspectiva dos discen-tes. Acta Paulista de Enfermagem. 2015; 28(2): 139-145. DOI: 10.1590/1982-0194201500024

Brigham D. — Converting student support services to online delivery. International Review of Research in Open and Distance Learning. 2001; 1(2): 11.

Bristol TJ, Zerwekh J. — Essentials of e-learning for nurse educators. Philadelphia: Davis Company; 2011.

Du S, Liu Z, Liu S, Yin H, Xu G, Zhang H, et al. — Web-based distance learning for nurse education: A systematic review. International Nursing Review. 2013; 60: 167-177.

Gaytan J. — Effective assessment techniques for online instruction. Information Technology, Learning, and Performance Journal. 2006; 23(1): 25-33.

Paulsen MF. — Online Education and Learning Management Systems. Global e-learning in a Scandinavian perspective. Oslo: NKI Forlaget; 2003.

Pavezi AM, Martins CZ, Morais LL, Souza MM, Lazilha FR, & Goi VM. — O uso das ferramentas do ambiente virtual de aprendizagem pelos acadêmicos dos cursos de administração e processos gerenciais do NEAD-CESUMAR. Maringá; 2011 [acesso em 2015 Agosto 03]. Disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2011/cd/269.pdf

Zhigang Li, Ming-Hsiu Tsai, Jinyuan Tao & Chris Lorentz. — Switching to blended learning: The impact on students’ academic perfor-mance. Journal of Nursing Education and Practice. 2014; 4 (3): 245-251. DOI: 10.5430/jnep.v4n3p245.

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Fatores que interferem na adesão dos profissionais de saúde às boas práticas de higiene das mãosContribuição para uma revisão sistemática da literatura

Factors that influence adherence of health professionals to the practice of hand hygiene – contribution to a systematic literature review

Raquel Ramos CabritaEnfermeira Especialista, Hospital Cuf Cascais - Pólo Clínica Cuf de São Domingos de Rana, mestranda no Mestrado em Enfermagem na área de especialização de Gestão em Enfermagem em realização na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. E-mail: [email protected].

Teresa Santos PotraProfessora Coordenadora da ESEL, Mestre em Comportamento Organizacional.

Resumo

Esta RSL compara estudos empíricos que identificam as causas da não adesão à higiene das mãos em profissionais de saúde tendo seguido o método PICO, considerando estudos publicados entre 2010 e 2015 tendo sido selecionados 5 estudos.

As barreiras à higiene das mãos identificadas foram: falta de tempo para realização de procedimentos, sobrecarga de trabalho, o facto de outros profissionais não o fazerem e a falta de recursos. Os fatores facilitadores mais evocados foram: existência de desinfetantes à base de álcool, a formação, a existência de instruções e cartazes e o exemplo dos pares. A influência dos superiores hierárquicos é mencionada como um importante fator na adesão à higiene das mãos.

Ao enfermeiro gestor compete garantir a qualidade dos cuidados através da criação de uma cultura de segurança na instituição e do investimento na formação, incentivo à adesão às boas práticas de higiene das mãos e mobilização de recursos adequados.

Descritores: Higiene das mãos; Pessoal de Saúde; Controle de Infecções.

Abstract

This RSL compares empiric studies that identify the causes for hand hygiene non-adherence by health-care profes-sionals applying the PICO method considering studies published from 2010 until 2015 having identified 5 articles. The identified barriers were: lack of time, work overload, non-compliance by colleagues and lack of resources. The factors that promote hand hygiene are: existence of hand rub solution, training, instructions, posters and leading by example. The influence of managers is also mentioned has an important factor.

The nurse manager has the responsibility of assuring the quality of health-care by nurturing a culture of safety and investment in training, by encouraging adherence to the practice of hand-hygiene and mobilizing the required resources.

Keywords: Hand hygiene; Health Personnel; Infection Control.

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Introdução

A literatura evidencia que a higiene das mãos é a medida mais simples e eficaz no controlo das Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS). Contudo, resultados de estudos comprovam que, a nível nacional, a adesão a esta prática é ainda insuficiente sendo fundamental identificar as causas deste problema.

Com o intuito de responder à questão “Que fatores interferem na adesão dos profissionais de saúde às boas práticas de higiene das mãos?” realizou-se uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL) de forma a descrever e comparar estudos empíricos que identifiquem as causas da não adesão à higiene das mãos em profissionais de saúde.

Método

A RSL seguiu o método PICO, segundo The Joanna Briggs Institute (2008), tendo sido considerados apenas estudos publicados entre 2010 e 2015. Os termos de pesquisa utilizados foram “hand hygiene” AND (“compliance” OR “adherence”) AND (“barriers” OR “factors”) AND “healthcare professionals” tendo a pesquisa sido realizada nas bases de dados MEDLINE, CINHAL e Academic Search.

Para a revisão foram selecionados estudos cujos participantes eram enfermeiros, médicos ou outros profissionais de saúde com contacto direto com os doentes. Foram excluídos estudos aplicados a estudantes. Adicionalmente foram considerados estudos que incluíssem dados relativos a fatores que influenciam a adesão às recomendações de higiene das mãos. Estudos que obtiveram dados sobre outras práticas de prevenção de infeções relacionados com cuidados de saúde como por exemplo a utilização de luvas, foram também incluídos desde que apresentassem dados significativos sobre fatores que dificultam a adesão à prática de higiene das mãos. Foram contudo excluídos estudos cujo foco principal fosse a utilização de luvas mesmo quando fizessem menção à higiene das mãos.

Resultados

A pesquisa identificou 47 artigos dos quais foram selecionados 5 após aplicação dos critérios de inclusão. Os estudos são quantitativos descritivos sendo que dois decorreram nos Estados Unidos (1) (2), um em Itália (3), um na Indo-nésia (4) e um no Brasil (5). Quanto ao tipo de participantes, três envolveram tanto enfermeiros como médicos e outros profissionais de saúde enquanto os restantes dois não abrangeram a classe médica.

Em relação às barreiras à higiene das mãos foram identificados fatores como: a falta de tempo para realização de procedimentos, a sobrecarga de trabalho, o facto de outros profissionais não o fazerem e a falta de recursos. Os fatores facilitadores mais evocados foram: a existência de desinfetantes à base de álcool, a formação, a existência de instruções e cartazes e o exemplo dos pares. Verificou-se ainda que a influência dos superiores hierárquicos é mencionada como um importante fator na adesão à higiene das mãos.

Conclusões

A RSL permitiu identificar um conjunto diversificado de fatores sobre os quais nos é possível interferir no sentido de promover e estimular melhores práticas na higiene das mãos. Demonstra ainda que muitos destes fatores são influenciados pelas práticas dos enfermeiros gestores. Ao enfermeiro gestor compete garantir a qualidade dos cui-dados e segurança dos doentes. A RSL evidencia que este tem uma função determinante na criação de uma cultura de segurança na instituição através do investimento na formação, incentivo à adesão às boas práticas de higiene das mãos e mobilização de recursos adequados. É da máxima relevância que cada organização identifique as barreiras à higiene das mãos nos seus contextos de cuidados e com base nestas defina estratégias para as ultrapassar.

Bibliografia

1 — Ashraf M, Hussain S, Agarwal N, Ashraf, S, El-Kass, G, Hussain R, et al. — Hand hygiene in long-term care facilities: a multicenter study of knowledge, attitudes, practices, and barriers. Infection Control And Hospital Epidemiology. 2010 Jul; 31(7): 758-62.

2 — Jessee M, Mion L — Is evidence guiding practice? Reported versus observed adherence to contact precautions: a pilot study. American Journal Of Infection Control. 2013 Mai; 41(11): 965-70.

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3 — Ciofi degli Atti M, Tozzi A, Ciliento G, Pomponi M, Rinaldi S, Raponi M. — Healthcare workers’ and parents’ perceptions of measures for improving adherence to hand-hygiene. BMC Public Health. 2011 Jun; 11(466):1-8.

4 — Duerink D, Hadi U, Lestari E, Roeshadi D, Wahyono H, Nagelkerke N, et al. — A tool to assess knowledge, attitude and behavior of Indonesian health care workers regarding infection control. Acta Medica Indonesiana. 2013 Jul; 45(3): 206-15.

5 — Soares C, Miranda N, Carvalho S, Paixão C. — Higienização das mãos: opinião de enfermeiros e técnicos de enfermagem de um hospital universitário de Minas Gerais. Revista Panamericana de Infectologia. 2012 Fev; 14(1): 17-21.

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Acreditaçãouma visão alargada acerca dos benefícios para os utentes e para os trabalhadores… a experiência do HESE EPE

Accreditation: an enlarged view of the benefits for patients and professionals... the experience of HESE EPE

Cristina Isabel Frangão MagroPós-graduada em Emergência em Saúde pelo Instituto de Formação em Enfermagem; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE. E-mail: [email protected].

Tânia Patrícia Cabo RelíquiasLicenciada em Enfermagem pela Universidade de Évora ; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Rute Isabel Quadrado PiresMestre em Intervenção Socio-organizacional na Saúde com Especialização em Políticas de Administração e Gestão dos Serviços de Saúde pela Universidade de Évora; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Manuela Alexandra Rodrigues PintoMestre em Intervenção Socio-organizacional na Saúde com Especialização em Políticas de Administração e Gestão dos Serviços de Saúde pela Universidade de Évora; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Ana Sofia Costa CaixeiroMestre em Intervenção Socio-organizacional na Saúde com Especialização em Políticas de Administração e Gestão dos Serviços de Saúde pela Universidade de Évora; Enfermeira Especialista no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Resumo

Introdução: O processo de acreditação em saúde permite assegurar as boas práticas, o desenvolvimento de uma cul-tura de segurança e de aprendizagem com o erro, reduzindo desse modo, o risco para o utente e, indubitavelmente para o profissional de enfermagem. Garante, ainda, a confidencialidade dos dados e uma eficiente utilização de recursos. Esta experiência deixa marcas quer na segurança dos utentes como beneficia os profissionais e o próprio serviço. Objectivos: Despertar o espírito crítico dos enfermeiros relativamente à temática, reflectindo acerca dos benefícios do processo de acreditação para o utente e para os profissionais. Metodologia: Revisão sistemática da literatura e experiência vivenciada pelo grupo de trabalho envolvido no processo de acreditação do Serviço Cirurgia Geral do HESE, EPE. Considerações finais: Entendemos o Projecto de Acreditação não como um fim, mas como um instrumento de melhoria do serviço e dos cuidados prestados, beneficiando não só o utente como o próprio hospital.

Descritores: Acreditação; Pessoal de Saúde; Qualidade da Assistência à Saúde.

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Abstract

Introduction: The health care accreditation process ensures the good practices, the development of safety and learning by mistake culture, reducing the risk for the patients and, undoubtedly for de professionals. It also guar-antees the data confidentiality and an efficient use of resources. This experience contributes to patients’ safety and benefits professionals and the department itself. Objectives: Awakening critic thinking of nurses towards the theme, reflecting on the benefits of the accreditation process for the patients and professionals. Methods: Systematic review of the literature and experience lived by the working group involved in the accreditation process of the General Surgery Service of HESE, EPE. Final remarks: We understand the Accreditation Project not as an end but as a tool for service and care improvement, benefiting not only the patients but also the hospital.

Keywords: Accreditation; Health Personnel; Quality of Health Care.

Introdução

A sociedade contemporânea sofre transformações rápidas e profundas, sendo imprescindível a adequação dos servi-ços de saúde à realidade e à exigência crescente dos utentes, passando pela aposta na qualidade (.1). O processo de acreditação permite assegurar as boas práticas, o desenvolvimento de uma cultura de segurança e de aprendizagem com o erro, reduzindo desse modo, o risco para o utente e, indubitavelmente para o profissional de enfermagem. As mudanças inerentes ao processo trazem vantagens no âmbito da segurança do utente, componente fundamental da qualidade na prestação de cuidados de saúde. Todos os benefícios que o mesmo possa auferir deste processo, serão também ganhos óbvios para os profissionais. Pretende-se, assim, reflectir sobre os benefícios para os utentes e para os profissionais do processo de acreditação, despertando outros para a presente temática.

Metodologia e Resultados

Trata-se de uma revisão da literatura de natureza qualitativa, através do relato da experiência vivenciada pelo grupo de trabalho envolvido no processo de acreditação do Serviço Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E. Este processo encontra-se ainda em curso, com início em Junho de 2014. Foi adoptado o Manual de Standards, inerente ao Programa Nacional de Acreditação em Saúde que se sustenta no Modelo de Acreditação de Unidades de Saúde da Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucia, como guia orientador neste percurso.

O modelo de acreditação baseia-se num processo de certificação através do qual se verifica e analisa se os cuidados de saúde prestados estão de acordo com os padrões definidos, tendo como objectivo identificar e impulsionar a me-lhoria contínua da qualidade. Deste modo foram tomadas um conjunto de medidas, alterações de comportamento, físicas e organizacionais para dar resposta e ir ao encontro destes padrões. Estas medidas produziram efeitos be-néficos nos utentes e, consequentemente, nos profissionais de enfermagem. Estas mudanças podem ser analisadas em duas perspectivas: as que impuseram ajustes na prática e na experiência dos profissionais, e as que produziram efeito directamente na segurança do utente.

Experiência

Poder reclamar, através do livro de reclamações, elogiar através do livro de elogios, sugerir através da caixa de sugestões e responder ao inquérito de satisfação, são formas de participação activa do utente. Para melhor acolhi-mento, alteraram-se as placas de informação e sinalética do serviço, reforçou-se a identificação dos colaboradores, disponibilizaram-se panfletos e o guia de acolhimento e reforçou-se a sinalização de reacções adversas e alergias. A confidencialidade é garantida através da restrição do acesso à identificação dos utentes e à sua informação clínica, sendo esta dada somente ao mesmo e/ou à pessoa por ele indicado. O acesso à bolsa de intérpretes e a permanência de uma pessoa significativa são medidas tomadas em situações especiais. O consentimento informado faz-se acom-panhar de informação complementar melhorando o seu esclarecimento aquando da sua assinatura.

Segurança

A segurança é um aspecto transversal a um conjunto de parâmetros. A existência de um único processo clínico para todo o hospital, de uma lista de siglas e abreviaturas em todos os serviços, assim como as auditorias internas permi-tem criar segurança no âmbito administrativo. A avaliação do risco clínico é feita através da notificação do mesmo,

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da intervenção do Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infecção e Resistência aos Antimicrobianos, assim como da prevenção e monitorização de quedas, risco e diagnóstico de úlceras de pressão. O sistema de unidose, o controlo de temperatura e humidade dos frigoríficos e da farmácia e o desenvolvimento de estratégias ao nível do armazenamento dos medicamentos LASA (look alike sound alike) asseguram a segurança medicamentosa. A identificação dos utentes passa pelo uso de uma pulseira. No campo da emergência, foram uni-formizados os carros de emergência, incentivada a formação ao pessoal, executados os planos de emergência interna e externa e executado um simulacro.

Conclusão

Entendemos o projecto de acreditação do serviço de Cirurgia Geral do HESE EPE, não como um fim mas como um instrumento para modificar e melhorar o mesmo, assim como os serviços prestados aos utentes. Esta melhoria vai de encontro às expectativas dos profissionais que aí desenvolvem o seu trabalho.

Referências bibliográficas

1 — Manzo BF, Brito MJM, Corréa AR. — Implicações do Processo de Acreditação Hospitalar no cotidiano de profissionais de saúde. Rev. Esc. Enferm. USP. 2012; 46(2): 388-94.

2 — Sousa P. — Sistemas de Saúde e a Segurança dos Doentes. Nascer e Crescer. 2006; 15(3): 163-167.

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Características das organizações hospitalares e o seu contributo para a qualidade dos cuidados de enfermagemrevisão sistemática da literatura

Organizational traits of hospitals and their contribution to the quality of nursing care: systematic review

Gonçalo Fernando Vieira VitalEnfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica no Hospital Distrital de Santarém, E.P.E. E-mail: [email protected]

Pedro Bernardes LucasPhD, MSc, MScN, RN – Professor Adjunto do Departamento de Administração em Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Estudo integrado na Linha de Investigação “Ambiente organizacional na saúde: qualidade e gestão de cuidados” da Unidade de Investigação & Desenvolvimento em Enfermagem (UI&DE) da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Resumo

Objetivo: Analisar quais os determinantes inerentes às organizações hospitalares que possam estar na base da qualidade dos cuidados de enfermagem. Métodos: Revisão sistemática da literatura pelo método PI[C]OD. Foram incluídos 12 estudos a partir da pesquisa em bases de dados eletrónicas, cujos critérios de inclusão foram estudos com enfermeiros a exercer em hospitais; estudos que implicassem as características das organizações hospitalares e o seu contributo para a qualidade dos cuidados de enfermagem. Resultados: Os estudos revelaram que o ambiente de trabalho, a falta de condições de trabalho, como a escassez de recursos humanos, materiais e técnicos, ambientes de trabalho pobres, carga horária elevada, falta de liberdade para os enfermeiros planearem, organizarem e execu-tarem o seu trabalho diário, espaços e instalações precárias e insuficientes, a cultura organizacional, existência de enfermeiros sem especialização, disparidade do rácio enfermeiro/doente, são fatores preditores de menor qualidade de cuidados de enfermagem, resultando em elevados níveis de burnout em enfermeiros e na vontade de mudarem de serviço. Conclusões: Os estudos analisados indicam que os ambientes favoráveis da prática de enfermagem influenciam positivamente a qualidade dos cuidados prestados.

Descritores: Ambiente organizacional; Gestão de enfermagem; Qualidade dos cuidados de enfermagem.

Abstract

Objective: To analyze which determinants inherent to hospital organizations that may underlie the quality of nurs-ing care. Methods: Systematic review of the literature by the PI[C]OD method. We included 12 studies from the research in electronic databases, whose inclusion criteria were studies with nurses to practice in hospitals; studies that imply the characteristics of hospital organizations and their contribution to the quality of nursing care. Results: The study revealed that the work environment, lack of working conditions, such as the shortage of human, material

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and technical, poor working environments, high workload, lack of freedom for planning nurses, organize and run the their daily work, spaces and poor and inadequate facilities, organizational culture, there are nurses without specialization, disparity of the nurse / patient ratio, are predictors of lower quality of nursing care, resulting in high levels of burnout in nurses and at will to change their service. Conclusions: The studies analyzed indicate that the favorable environments of nursing practice positively influence the quality of care.

Keywords: Organizational environment; Nursing management; Quality nursing care.

Introdução

O problema em estudo prende-se com as características das organizações hospitalares que contribuem para a quali-dade dos cuidados de enfermagem, tendo em conta que a inadequação dos recursos (humanos, materiais e físicos) se assume como uma fonte de insatisfação para os enfermeiros, porquanto o ambiente organizacional pode resultar na insatisfação dos clientes(1). Tendo em conta o exposto, analisou-se os determinantes inerentes às organizações hospitalares que possam estar na base da qualidade dos cuidados de enfermagem, recorrendo-se a uma revisão sistemática da literatura pelo método PI[C]OD.

Método

A presente revisão da literatura procura dar resposta à seguinte questão de investigação: Quais os determinantes do ambiente organizacional que influenciam a qualidade dos cuidados de enfermagem? Foram incluídos os artigos em Full text, a partir da pesquisa em bases de dados eletrónicas, de acordo com os seguintes descritores: [(Organizatio-nal environment) or (hospital environment) and (Nursing management) (Organizational environment or hospital environment) and (Nursing management) and (Quality nursing care)]. Os descritores foram pesquisados desde 2009, retrospetivamente, até 2015, resultando um total de 49 artigos. Após a aplicação dos limitadores de pesquisa, resultaram 12 artigos.

Resultados

Como metasíntese e seleção da análise dos artigos, inferiu-se que um estudo(2) demonstrou que 52 enfermeiros tinham a intensão de mudar de serviço, devido ao clima e à organização do serviço e à falta de recursos humanos, o que foi corroborado por outro estudo(3), incluindo elevados níveis de insatisfação decorrente de condições de trabalho; disparidade de recursos humanos para a assistência de um número elevado de clientes, a falta de margem de liberdade para planear, organizar, executar e avaliar o trabalho diário, pouco reconhecimento do desempenho profissional e a elevada carga horária. Um outro estudo(4) aferiu a existência de burnout em enfermeiros, decorrente da escassez de recursos humanos e técnicos, falta de equipamentos, espaço e instalações com poucas condições, o que foi comum a outros (5-8). Foi também apurado(9) que a cultura organizacional, mormente a nível hospitalar (cultura hierárquica), não parece ser a mais adequada à filosofia subjacente aos novos modelos de gestão e seu funcionamento. Verificou-se, através de outro estudo(10), que o que parece não satisfazer os enfermeiros é a possibi-lidade de participarem nas políticas hospitalares e a desadequação dos recursos humanos e materiais, estando em conformidade com outro estudo (11). Já para outros(12) o ambiente da prática de cuidados de enfermagem e a propor-ção de enfermeiros com especialização foram fatores preditores da qualidade dos cuidados prestados e da segurança dos doentes. Ficou ainda demonstrado(13) que a unidade estrutural e o capital social tiveram eficácia significativa na qualidade do cuidado prestado aos doentes.

Discussão

Os resultados evidenciam que o ambiente de trabalho, a falta de condições (escassez de recursos humanos, materiais e técnicos, ambientes de trabalho pobres, carga horária elevada, falta de liberdade para planear, organizar e executar o trabalho diário, espaços e instalações precárias/insuficientes, cultura organizacional, existência de enfermeiros sem especialização, disparidade do rácio enfermeiro/doente) são fatores preditores de menor qualidade de cuidados de enfermagem, resultando em burnout e na vontade de os enfermeiros mudarem de serviço. A preocupação com a gestão de força do trabalho e com os recursos humanos, materiais e técnicos interferem na qualidade dos cuidados

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de enfermagem (11). A limitação do presente estudo consiste na escassez de estudos nacionais na área, o que implica a realização de outros estudos, se possível, através da realização de um estudo quantitativo.

Conclusões

Os estudos analisados indicam que os ambientes favoráveis da prática influenciam positivamente os resultados obtidos nos doentes ao nível do estado funcional.

Referências bibliográficas

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9 - Amaral A, Ferreira P — Influência do ambiente da prática nos resultados dos cuidados de enfermagem. Revista Investigação em Enfermagem, 2013, 5 – 2.ª Série: 66-74.

10 - Kirwan M, Matthews A, Scott P — The impact of the work environment of nurses on patient safety outcomes: A multi-level mod-elling approach. International Journal of Nursing Studies, 2013, 50: 253-263.

11 - Aiken L, Rafferty A, Sermeus W — Caring nurses hit by a quality storm. Nursing Standard. 2014, Vol. 28(35): 22-25.

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A gestão de enfermagem e os sistemas de informação em enfermagemNursing management and nursing information systems

Telma Marisa Santos SilvaMestrando de Direção e Chefia em Serviços de Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem do Porto, Enfermeira Especialista na USF S. Miguel - ACES Espinho/Gaia. E-mail: [email protected].

José Carlos Marques de CarvalhoProfessor Adjunto da Escola Superior de Enfermagem do Porto.

Este trabalho foi efectuado no âmbito do Mestrado de Direcção e Chefia em Serviços de Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem do Porto.

Resumo

Este trabalho tem como objectivo refletir sobre a importância dos Sistemas de Informação em Enfermagem na ges-tão. Como metodologia foi utilizada a pesquisa bibliográfica em bases de dados, no Google Académico e em livros, revistas e teses.

Ao nível da gestão de serviços, os Sistemas de Informação em Enfermagem promovem a eficiência e a efetividade, favorecem a comunicação intra e interinstitucional, promovem a qualidade, a segurança dos cuidados e a satisfação dos utentes e dos profissionais.

A sua implementação e desenvolvimento ainda apresentam aspetos críticos: défice de formação e resistência à mu-dança; défice na integração e interoperabilidade; segurança e proteção de dados; excesso ou inutilidade da informa-ção; sistemas pouco centrados nos utentes.

Descritores: Sistemas de Informação; Enfermagem; Administração de Serviços de Saúde.

Abstract

The objective of this work is to reflect over the importance of the information systems in nursing management. The methodology here used was a literature research in different data bases, in the Google Scholar, in books, journals and thesis.

At the health services administration level, the information systems in nursing stimulate the efficiency and effective-ness, favor the intra and interinstitutional communication, and promote the quality, the safety of the care and the satisfaction of the users and the professionals.

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Its implementation and development still show some critical aspects: lack of instruction and resistance to change; lack in the integration and interoperability; security and data protection; excess or futility of the data and systems that are little centered in the users.

Keywords: Information Systems; Nursing; Health Services Administration

Introdução

Numa assistência de saúde cada vez mais complexa, em que são múltiplas as informações sobre o estado de saúde do utente, variados os procedimentos adotados e diversos os tratamentos e as intervenções implementadas, existe um aumento progressivo e exponencial da quantidade de dados muitas vezes heterogéneos e até redundantes, produzidos por diferentes profissionais, em diferentes lugares.

Os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) são um conjunto de componentes interrelacionados que coletam, pro-cessam, armazenam e distribuem a informação para apoiar o processo de tomada de decisão e auxiliar na gestão das organizações de saúde (.1) Os Sistemas de Informação em Enfermagem (SIE) fazem parte dos sistemas de informa-ção em saúde. Este trabalho tem como objectivo reflectir sobre a importância dos SIE na gestão.

Método

Foi efectuada pesquisa bibliográfica em diferentes bases de dados, acedidas através do endereço eletrónico http://search.ebscohost.com/, no Google Académico, consulta de diversos livros, revistas e teses de mestrado referentes à temática.

Resultados

A organização e o seu sistema de informação são indissociáveis uma vez que os sistemas de informação estão rela-cionados com a cultura organizacional, refletindo assim os valores, princípios e práticas quotidianas dos processos de trabalho dos seus utilizadores.

Uma organização poderá ser tanto mais global e flexível, quanto mais global e estruturado for o seu sistema de informação e quanto melhor representar a organização (.2)

Uma boa gestão das tecnologias de informação é um fator de sucesso das organizações.

Tomar decisão não é uma tarefa fácil, uma vez que uma ação planeada de maneira inadequada pode afetar a estrutura da organização (.3) Pressupõe, portanto, o estudo aprofundado do problema a partir do levantamento de dados e in-formações confiáveis, necessitando, assim, de um sistema de informação que promova o suporte neste processo (.4).

Ao nível da gestão de serviços, os SIE melhoram a tomada de decisão dos gestores; diminuem o grau de incerteza, melhorando o processo de decisão; maximizam a gestão de serviços; melhoram mecanismos de gestão e de controlo através da racionalização das estruturas e dos métodos de trabalho; promovem a produtividade dos serviços, através do acesso rápido e simples à informação e da colaboração multiprofissional; promovem a comunicação e a continui-dade dos cuidados; favorecem a comunicação entre sectores de trabalho, promovendo a integração institucional; a agregação da informação possibilita a análise de indicadores; permitem a avaliação económica o que melhora a afe-tação de recursos; melhora a eficiência e a efetividade; promovem a padronização do cuidado; maximizam a gestão de serviços; melhoria contínua da qualidade dos cuidados; contribuem para o aumento da satisfação dos utentes e dos profissionais; dão visibilidade ao contributo dos enfermeiros para os ganhos em saúde sensíveis aos cuidados de Enfermagem; disponibiliza evidências para a pesquisa e a investigação.

A implementação e desenvolvimento dos SIE ainda apresentam aspetos críticos: défice de formação e resistência à mudança; défice na integração e interoperabilidade; segurança e proteção de dados; excesso ou inutilidade da informação; sistemas pouco centrados nos utentes.

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Conclusões

É evidente a importância dos SIE quer na gestão dos cuidados quer na gestão de serviços. O grande desafio para a Enfermagem consiste na recolha e transposição dos dados úteis em informação integrada e credível assim como da transformação dessa informação em conhecimento, pois “Informação é a essência da profissão”.(1:22)

Uma apropriada gestão da informação potencia o sucesso da organização. A participação dos enfermeiros gestores na implantação do SIS é essencial para esse sucesso.

Na área das tecnologias da informação a evolução é constante e veloz: um longo caminho já foi percorrido e um imenso percurso há ainda para trilhar…

Referências bibliográficas

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Cultura de aprendizagem nos contextos da prática clínica o contributo das chefias de enfermagem

Learning culture in nursing practice context - the contribution of nurse managers

Carla Elisa Henriques Alves RomãoEnfermeira, Companhia Portuguesa de Seguros de Saúde, SA, mestranda no Mestrado em Enfermagem na área de especialização de Gestão em Enfermagem em realização na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. E-mail: [email protected].

Teresa Santos PotraProfessora Coordenadora da ESEL, Mestre em Comportamento Organizacional.

Resumo

Objectivo: conhecer a evidência científica no que se refere à intervenção do enfermeiro gestor na promoção de uma cultura de aprendizagem nos contextos da prática de enfermagem Método: Revisão Sistemática da Literatura (RSL) que partiu da questão: Como podem os gestores de enfermagem promover contextos de trabalho aprendentes? Utilizou-se o método PICO, segundo The Joanna Briggs Institute. Resultados: Dos 4 estudos analisados salienta-se a liderança transformacional e o estímulo à reflexão crítica por parte das chefias como importantes determinantes da cultura de aprendizagem, com impacto na melhoria nas práticas dos cuidados, no desenvolvimento dos enfermeiros, gestão do seu trabalho e dos recursos disponíveis, na adaptação à mudança e no seu compromisso à organização. Conclusões: A RSL demonstra a importância da gestão em enfermagem na cultura de aprendizagem dos contextos da prática. O enfermeiro gestor deve explorar estratégias e ações que possibilitem uma aprendizagem contínua, sustentada e coletiva.

Palavras-Chave: aprendizagem, cultura organizacional, enfermagem, administração de recursos humanos em saú-de, liderança

Abstract

Objective: to know the scientific evidence with regard to the intervention of nurse manager in fostering learning culture in the nursing practice context. Method: Systematic Literature Review has been done to answer the question: how can the nursing managers promote learning practice contexts? We used the PICO method according The Joanna Briggs Institute. Results: Of the four analyzed studies, transformational leadership and encouraging critical reflec-tion, by nurse managers, have been identified as important determinants of learning culture. They have an impact on the improvement in care practices, development of nurses, their work management and available resources, as well as adapt to change and their commitment to the organization. Conclusion: The RSL demonstrates evidence on the importance of nursing management has in the learning culture of the practice contexts. The nurse manager must explore strategies and actions that enable continuous, sustained and collective learning.

Keywords: learning, organizational culture, nursing, health personnel management, leadership

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Introdução

A aprendizagem organizacional é a resposta à mudança, “em que se busca desenvolver a capacidade de aprender continuamente a partir de experiências organizacionais e a traduzir esses conhecimentos em práticas que contri-buam para um melhor desempenho, tornando a empresa mais competitiva”. (1:23)

Considerando as profundas exigências e desafios com que atualmente se confrontam as organizações de saúde (2) é imprescindível que o enfermeiro gestor providencie ambientes favoráveis para a aprendizagem contínua de todos os elementos da sua equipa, de forma a conseguir que os cuidados sejam de qualidade.

É assim fundamental clarificar o papel dos enfermeiros gestores no âmbito da promoção da aprendizagem organiza-cional pelo que se realizou uma Revisão Sistemática da Literatura que pretende responder à seguinte questão: Como podem os gestores de enfermagem promover contextos de trabalho aprendentes?

Objetivos

Conhecer a evidência científica no que se refere à intervenção do enfermeiro gestor na promoção de uma cultura de aprendizagem nos contextos da prática de enfermagem.

Metodologia

A Revisão Sistemática da Literatura seguiu o método PICO, segundo The Joanna Briggs Institute (2008), tendo sido considerados apenas estudos publicados entre 2005 e 2015.

A pesquisa foi realizada em todas as bases de dados da EBSCO, entre as quais a CINAHL e MEDLINE. Os termos de pesquisa utilizados foram: learning organizations, nursing, management, knowledge, development, change. Foram incluídos estudos sem limitações de desenho de investigação, cujos participantes fossem enfermeiros, de qualquer nível de função, a trabalhar em qualquer contexto, público ou privado, dos diferentes níveis de cuidados de saúde. Foram excluídos estudos com estudantes de enfermagem ou com outros técnicos de saúde, bem como aqueles que não fossem de língua inglesa, francesa ou portuguesa.

Resultados

Dos 21 artigos identificados, após leitura dos títulos e resumos e, posteriormente, da leitura integral de 8 artigos, somente 4 respondiam aos critérios de inclusão. Estes foram realizados em contextos diversos (Finlândia, (3) Cana-dá, (4) Tailândia (5) e Reino Unido (6)). Os tipos de estudos variaram entre um estudo quasi-experimental, 2 testes piloto e um estudo de orientação qualitativa.

Os estudos analisados evidenciam a liderança transformacional e o estímulo à reflexão crítica por parte das chefias como importantes determinantes da cultura de aprendizagem.

Esta sugere ter impacto na melhoria nas práticas dos cuidados, no desenvolvimento dos enfermeiros, na sua au-tonomia, gestão do seu trabalho e dos recursos disponíveis, na adaptação à mudança e no seu compromisso à organização.

Conclusões

A RSL demonstrou evidência na importância que a gestão em enfermagem tem na cultura de aprendizagem dos contextos da prática. O gestor deve explorar estratégias e ações que possibilitem uma aprendizagem contínua, sustentada e coletiva.

Contudo, constatou-se que a investigação nesta área é escassa sendo pertinente o prosseguimento de estudos que esclareçam este papel das chefias de enfermagem.

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Práticas seguras e segurança do utente…Contributos do processo de acreditação na cultura de segurança do Serviço de Cirurgia Geral do HESE EPE

Safe Practices and Patient Safety... Accreditation process contribute in the safety culture of the General Surgery Service of HESE EPE

Ângela Maria Baguinho BarrosoEspecialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica pelo Instituto Politécnico de Setúbal; Enfermeira no serviço de Cirurgia Geral do Hospital do Espírito Santo de Évora, E.P.E. E-mail: [email protected].

Cristina Isabel Frangão MagroPós-graduada em Emergência em Saúde pelo Instituto de Formação em Enfermagem; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Manuela Alexandra Rodrigues PintoMestre em Intervenção Socio-organizacional na Saúde com Especialização em Políticas de Administração e Gestão dos Serviços de Saúde pela Universidade de Évora; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Rute Isabel Quadrado PiresMestre em Intervenção Socio-organizacional na Saúde com Especialização em Políticas de Administração e Gestão dos Serviços de Saúde pela Universidade de Évora; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Tânia Patrícia Cabo RelíquiasLicenciada em Enfermagem pela Universidade de Évora; Enfermeira no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.

Resumo

Introdução: O utente é o cerne da atividade do enfermeiro, sendo, prioritários todos os processos relacionados com o mesmo e a sua família. Estes encontram-se diretamente relacionados com o percurso do utente no hospital. No ano de 2014/2015 o serviço de Cirurgia Geral do HESE, EPE propôs-se a desenvolver e laborar no processo de acreditação do seu serviço. Objetivos: Despertar o espírito crítico dos enfermeiros relativamente a esta temática; Alertar para a importância da segurança, como benefício para o utente; Dar a conhecer os diferentes aspetos que envolvem a segurança no processo de acreditação de um serviço/Hospital. Metodologia: Revisão sistemática da literatura e experiência vivenciada pelo grupo de trabalho envolvido neste processo. Conclusão: A segurança do utente consiste na implementação de uma abordagem estruturada, mensurável e auditável, de modo a promover a melhoria contínua da qualidade, articulando com a missão, objetivos estratégicos e políticas de qualidade da instituição hospitalar.

Descritores: Acreditação; Pessoal de Saúde; Qualidade da Assistência à Saúde; Segurança do doente.

Abstract

Introduction: The patient is the core of nursing activity, and therefore all processes related to him and his family are the priority. These are directly related to the patient path in the hospital. In the year 2014/2015 the General

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Surgery Service of HESE, EPE proposed to develop and work in the accreditation process of its service. Objectives: Awakening critic thinking of nurses on this subject; Highlight the importance of safety as a benefit to the patient; Raise awareness of the different aspects involving safety in the accreditation process of a service / Hospital. Methods: Systematic review of the literature and experience lived by the working group involved in this process. Conclusion: Patient safety is based in the implementation of a structured, measurable and auditable approach, in order to pro-mote the continuous improvement of care quality in this context, coordinating with the mission, strategic objectives and quality policies of the hospital.

Keywords: Accreditation; Health Personnel; Quality of Health Care; patient safety

Introdução

O paciente é o foco e base da atividade do enfermeiro, sendo, assim, entendem-se prioritários todos os processos rela-cionados com o mesmo e a sua família. Estes encontram-se diretamente relacionados com o percurso do utente no hos-pital, nomeadamente no Serviço de Cirurgia Geral, desde a sua admissão até à alta, na medida em que, num doente do foro cirúrgico, se promove a articulação com outras especialidades e entidades, garantindo a continuidade de cuidados.

O processo de acreditação em saúde permite assegurar as boas práticas, o desenvolvimento de uma cultura de segurança e de aprendizagem com o erro, reduzindo desse modo, o risco para o utente e, indubitavelmente para o profissional de enfermagem, assegurando a confidencialidade dos dados, promovendo as parcerias com o utente/família/cuidador principal e a eficiente utilização de recursos.

Metodologia e resultados

Revisão da literatura de natureza qualitativa, através da análise e reflexão da experiência vivenciada pelo grupo de trabalho envolvido no processo de acreditação do Serviço Cirurgia Geral do Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E. Este processo teve início em Junho de 2014, estando neste momento ainda a decorrer. Foi seleccionado o Manual de Standards, inerente ao Programa Nacional de Acreditação em Saúde que se sustenta no Modelo de Acreditação de Unidades de Saúde da Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucia, como orientação para realizar este projecto.

A segurança é um aspecto transversal a um conjunto de situações. No âmbito administrativo, insistiu-se no processo clínico único para todo o hospital, na existência de uma lista de siglas e abreviaturas em todos os serviços, assim como em auditorias internas de forma a garantir a segurança do doente neste aspecto. A notificação do risco, a intervenção do Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infecção e Resistência aos Antimicrobianos, assim como a prevenção e monitorização de quedas, risco e diagnóstico de úlceras de pressão, foram medidas tomadas para avaliação do risco clínico. A segurança e gestão do medicamento, passam por assegurar o sistema de unidose, o controlo de temperatura e humidade dos frigoríficos e da farmácia e o desenvolvimento de estratégias ao nível do armazenamento dos medicamentos LASA (look alike sound alike). A identificação dos utentes faz-se mediante o uso de uma pulseira, que permite garantir também a sua privacidade. No campo da emergência, foram uniformizados os carros de emergência e incentivada a formação ao pessoal. Neste campo, foram também executados os planos de emergência interna e externa e um simulacro.

Conclusão

Entendemos o projecto de acreditação do serviço de Cirurgia Geral do HESE EPE, não como um fim mas como um instrumento para modificar e melhorar o mesmo, assim como os serviços prestados aos utentes. Esta melhoria vai de encontro às expectativas dos profissionais que aí desenvolvem o seu trabalho.

Este permite assegurar as boas práticas, o desenvolvimento de uma cultura de segurança e de aprendizagem com o erro, reduzindo desse modo, o risco para o utente e, indubitavelmente para o profissional de enfermagem.

Sendo o capital humano, onde se incluem os enfermeiros, o grupo profissional que mais tempo permanece junto do utente, a maior fonte de vantagem competitiva sustentável de uma organização, é fundamental a promoção de um ambiente seguro na organização, bem como o apoio que deve ser prestado pelos gestores, de forma ativa e voluntária, aos profissionais nos processos de melhoria.

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APEGEL • 2015